Militares dissidentes agitam o Pentágono
Um marinheiro, um soldado e um marine do exército norte-americano protagonizaram actos corajosos neste mês de Dezembro. Não mataram nenhum iraquiano. Não resgataram nenhum camarada de armas sob fogo. Mostraram um tipo de coragem diferente que os generais norte-americanos temem que se espalhe entre as cerradas fileiras militares.
O corajoso marinheiro é oficial de terceira classe e chama-se Pablo Paredes. Filho de imigrantes latino-americanos, Paredes cresceu no Bronx, em Nova Iorque. Em 2000, com apenas 17 anos, alistou-se por seis anos na Marinha.
Paredes recebeu ordens para embarcar rumo ao Iraque a bordo do USS Bonhomme Richard. Os navios daquele grupo acabariam por levar três mil marines para o Iraque, mas entre eles não estava Paredes. Numa escala feita em San Diego no dia 6 de Dezembro ele disse «não» às ordens recebidas.
Paredes sabia que, dentro do navio, praticamente não corria perigo nenhum, tal como sabia que provavelmente seria encarcerado por desobediência às ordens dos superiores. Mas também sabia que pelo menos uma centena daqueles três mil soldados não regressaria a casa e objectou a injustificada perda de vidas humanas no Iraque. No momento em que se recusou a cumprir as ordens disse: «Prefiro cumprir pena numa prisão militar do que passar seis meses a fazer trabalho sujo numa guerra que nem eu nem muitos como eu suportamos. A guerra deve constituir em absoluto um último recurso e, mesmo assim, deve ser considerada sempre com muita precaução.
Com tantos jornalistas presentes no cais de embarque, a Marinha decidiu não efectuar a detenção na altura. Posteriormente acusaram-no de deserção. Neste momento encontra-se a coordenar a sua defesa legal e prepara-se para se entregar.
A sua família e a sua esposa apoiam a decisão do marinheiro recusar embarcar para o Iraque. Num encontro de veteranos e familiares de militares contra a guerra, que decorreu em Nova Iorque a 11 de Dezembro, as cerca de 300 pessoas presentes receberam e aplaudiram o seu irmão, Victor Paredes, quando este falou da recusa de Pablo em ir para o Iraque. Pablo Paredes dispõe mesmo de um sítio web (www.SwiftSmartVeterans.com).
Outra alternativa – Canadá
O corajoso soldado do exército é, por sua vez, Jeremy Hinzman, que enfrentou os Serviços de Imigração e de Refugiados do Canadá, em Toronto, numa audiência de asilo político na segunda semana de Dezembro. Hinzman abandonou o Forte Bragg meses antes, quando a 82.ª divisão aerotransportada recebeu guia de marcha para o Iraque. Hinzman acredita que a guerra é ilegal. Se participar nela, afirma, passará a ser também um criminoso de guerra.
O jovem pára-quedista acredita que não merece ser castigado por ter assumido esta posição. «Mesmo que seja por um dia, ser preso por recusar cumprir uma ordem ilegal é demasiado tempo», disse.
Entrevistado no programa da CBS «60 Minutos», Hinzman disse que «o que me foi ensinado durante o período dos treinos básicos é que se me for dada uma ordem ilegal e imoral é o meu dever desobedecer, e eu sinto que invadir e ocupar o Iraque é algo ilegal e imoral».
Hinzman encontra-se em Toronto com a sua esposa de origem vietnamita e a filha de dois anos. É o primeiro soldado acusado em tribunal militar norte-americano que apela publicamente para que lhe seja concedido asilo oficial. O governo canadiano – que não enviou tropas para o Iraque – encontra-se sob pressão de Washington para que recuse o pedido de asilo.
Os juizes superiores dos Serviços de Imigração e Refugiados do Canadá vieram entretanto dizer que a legalidade e ilegalidade da guerra que estão em causa na avaliação que vão fazer em Fevereiro de 2005. Hinzman mantém, no entanto, este ponto como central na sua argumentação.
Hinzman foi ajudado por um corajoso marine, o Sargento Jimmy Massey, com doze anos de veterano, que testemunhou a 8 de Dezembro. Massey teve que passar três meses no Iraque e contou como a sua unidade – a 7.ª de marines – matou mais de 30 civis iraquianos num período de 48 horas de turno num chekpoint em Rashid, nos arredores de Bagdad.
«Eu sei no fundo do meu coração que estes veículos que surgiram transportavam civis», confessou. «Mas tive que actuar consoante as minhas ordens e agora vivo em conflito comigo mesmo», concluiu.
Massey declarou ainda que Hinzman provavelmente seria forçado a cometer atrocidades que violam a Convenção de Genebra, caso tivesse embarcado para o Iraque.
Muitas pessoas no Canadá opõem-se à guerra norte-americana no Iraque. Nestes incluem-se os mais de 30 mil ex-cidadãos norte-americanos que procuraram asilo no país durante a guerra do Vietname.
O Pentágono contabiliza 5500 desertores. A Guarda Nacional não consegue recrutar soldados suficientes e os veteranos não se estão a realistar. Paredes, Hinzman e Massey podem ser apenas o início.
O corajoso marinheiro é oficial de terceira classe e chama-se Pablo Paredes. Filho de imigrantes latino-americanos, Paredes cresceu no Bronx, em Nova Iorque. Em 2000, com apenas 17 anos, alistou-se por seis anos na Marinha.
Paredes recebeu ordens para embarcar rumo ao Iraque a bordo do USS Bonhomme Richard. Os navios daquele grupo acabariam por levar três mil marines para o Iraque, mas entre eles não estava Paredes. Numa escala feita em San Diego no dia 6 de Dezembro ele disse «não» às ordens recebidas.
Paredes sabia que, dentro do navio, praticamente não corria perigo nenhum, tal como sabia que provavelmente seria encarcerado por desobediência às ordens dos superiores. Mas também sabia que pelo menos uma centena daqueles três mil soldados não regressaria a casa e objectou a injustificada perda de vidas humanas no Iraque. No momento em que se recusou a cumprir as ordens disse: «Prefiro cumprir pena numa prisão militar do que passar seis meses a fazer trabalho sujo numa guerra que nem eu nem muitos como eu suportamos. A guerra deve constituir em absoluto um último recurso e, mesmo assim, deve ser considerada sempre com muita precaução.
Com tantos jornalistas presentes no cais de embarque, a Marinha decidiu não efectuar a detenção na altura. Posteriormente acusaram-no de deserção. Neste momento encontra-se a coordenar a sua defesa legal e prepara-se para se entregar.
A sua família e a sua esposa apoiam a decisão do marinheiro recusar embarcar para o Iraque. Num encontro de veteranos e familiares de militares contra a guerra, que decorreu em Nova Iorque a 11 de Dezembro, as cerca de 300 pessoas presentes receberam e aplaudiram o seu irmão, Victor Paredes, quando este falou da recusa de Pablo em ir para o Iraque. Pablo Paredes dispõe mesmo de um sítio web (www.SwiftSmartVeterans.com).
Outra alternativa – Canadá
O corajoso soldado do exército é, por sua vez, Jeremy Hinzman, que enfrentou os Serviços de Imigração e de Refugiados do Canadá, em Toronto, numa audiência de asilo político na segunda semana de Dezembro. Hinzman abandonou o Forte Bragg meses antes, quando a 82.ª divisão aerotransportada recebeu guia de marcha para o Iraque. Hinzman acredita que a guerra é ilegal. Se participar nela, afirma, passará a ser também um criminoso de guerra.
O jovem pára-quedista acredita que não merece ser castigado por ter assumido esta posição. «Mesmo que seja por um dia, ser preso por recusar cumprir uma ordem ilegal é demasiado tempo», disse.
Entrevistado no programa da CBS «60 Minutos», Hinzman disse que «o que me foi ensinado durante o período dos treinos básicos é que se me for dada uma ordem ilegal e imoral é o meu dever desobedecer, e eu sinto que invadir e ocupar o Iraque é algo ilegal e imoral».
Hinzman encontra-se em Toronto com a sua esposa de origem vietnamita e a filha de dois anos. É o primeiro soldado acusado em tribunal militar norte-americano que apela publicamente para que lhe seja concedido asilo oficial. O governo canadiano – que não enviou tropas para o Iraque – encontra-se sob pressão de Washington para que recuse o pedido de asilo.
Os juizes superiores dos Serviços de Imigração e Refugiados do Canadá vieram entretanto dizer que a legalidade e ilegalidade da guerra que estão em causa na avaliação que vão fazer em Fevereiro de 2005. Hinzman mantém, no entanto, este ponto como central na sua argumentação.
Hinzman foi ajudado por um corajoso marine, o Sargento Jimmy Massey, com doze anos de veterano, que testemunhou a 8 de Dezembro. Massey teve que passar três meses no Iraque e contou como a sua unidade – a 7.ª de marines – matou mais de 30 civis iraquianos num período de 48 horas de turno num chekpoint em Rashid, nos arredores de Bagdad.
«Eu sei no fundo do meu coração que estes veículos que surgiram transportavam civis», confessou. «Mas tive que actuar consoante as minhas ordens e agora vivo em conflito comigo mesmo», concluiu.
Massey declarou ainda que Hinzman provavelmente seria forçado a cometer atrocidades que violam a Convenção de Genebra, caso tivesse embarcado para o Iraque.
Muitas pessoas no Canadá opõem-se à guerra norte-americana no Iraque. Nestes incluem-se os mais de 30 mil ex-cidadãos norte-americanos que procuraram asilo no país durante a guerra do Vietname.
O Pentágono contabiliza 5500 desertores. A Guarda Nacional não consegue recrutar soldados suficientes e os veteranos não se estão a realistar. Paredes, Hinzman e Massey podem ser apenas o início.