Peres com Sharon

Governo de união nacional em Israel

Os partidos Likud e Trabalhista de Israel formam um governo de união nacional para levar a cabo o plano de Sharon de reduzir a Palestina a um bantustão.

«Conselho dos Colonatos de Israel apela à desobediência civil»

O chamado «Plano de Desconexão» de Ariel Sharon, a que o líder trabalhista Shimon Peres dá o seu aval, inclui a retirada das tropas israelitas da Faixa de Gaza até Setembro de 2005, o desmantelamento dos 21 colonatos judeus da região, assim como de outros
quatro isolados no norte da Cisjordânia, e a transferência dos seus cerca de 8000 habitantes. Ao mesmo tempo, Israel prossegue a construção do «muro do apartheid» e apropria-se de mais território na Cisjordânia, expulsando palestinianos das suas casas e terras, enquanto as negociações para um verdadeiro acordo de paz continuam a marcar passo.
De acordo com a resolução aprovada pelo governo de Sharon, a evacuação dos referidos colonatos será debatida a 1 de Março próximo e deverá entrar em vigor em Julho.
Para conseguir apoio para o seu plano, Sharon aliou-se a Peres, que aos 81 anos não desdenha ostentar o título de primeiro-ministro interino (substituto) e vice-primeiro-ministro e de contribuir com alguns ministros trabalhistas para pastas menores no governo israelita de direita.
Até à data, a legislação do país previa apenas um primeiro-ministro interino, cargo já ocupado por Ehud Olmert, um barão do Likud que recusou desistir a favor do «número um» trabalhista. Tornou-se assim necessário proceder a uma emenda para que pudessem existir dois titulares no cargo, o que feito segunda-feira, 20 de Dezembro, no Knesset (Parlamento). Cabe agora à comissão das leis redigi-la na sua forma definitiva, para depois ser votada, permitindo levantar o último obstáculo à entrada dos trabalhistas no executivo.
O chefe de governo interino substitui o primeiro-ministro quando este está ausente no estrangeiro ou incapacitado. Em caso de doença a substituição pode ir até 100 dias.

Contestação interna

A principal contestação ao plano de Sharon está ser feita pelo Conselho dos Colonatos da Judeia e Samaria (Cisjordânia) e de Gaza, que na segunda-feira à noite anunciou a decisão de resistir à evacuação dos colonatos.
Segundo a Lusa, a decisão, a que aderiam os rabinos residentes em mais de 150 colonatos filiados naquele organismo, foi adoptada em solidariedade com um dos seus dirigentes máximos, Pinkhas Wallerstein, que apelou para uma «desobediência civil em massa».
«A expulsão dos judeus dos seus lares é imoral, espezinha os direitos humanos e atenta contra os princípios da democracia», diz a resolução aprovada pelo Conselho, que congrega os colonatos e cerca de 250 000 colonos da Cisjordânia e Gaza.
Quer o governo quer o presidente israelita, Moshé Katsav, consideraram a resolução «muito grave», admitindo que Wallerstein ( já condenado, em 1998, a quatro meses de serviços à comunidade por matar um jovem palestiniano que atirava pedras contra automóveis israelitas numa estrada da Cisjordânia) possa ser processado por incitamento à revolta.
Porta-vozes do sector pacifista preconizaram, por seu turno, a ilegalização do Conselho dos Colonatos por apelar à desobediência civil contra uma resolução do poder executivo aprovada pelo Parlamento, cuja pena prevista é de cinco anos de prisão.

Manobra de diversão

A Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) classificou como uma «manobra de diversão» a decisão do governo israelita de libertar na próxima semana 170 prisioneiros palestinianos, 120 dos quais alegados membros do movimento Fatah.
Segundo o ministro dos Assuntos dos Prisioneiros palestiniano, Hisham Abdel Razek,
a medida não passa de uma «campanha de imagem», já que «inclui a libertação de presos que acabaram as suas penas de prisão», bem como de «trabalhadores palestinianos detidos por não terem documentação válida».
«Para ter uma influência positiva entre os palestinianos e no processo de paz,
Israel deveria proceder a uma verdadeira libertação de presos, especialmente de
crianças e idosos, assim como dos que estão presos há mais de dez anos», acrescentou o ministro.
Estima-se que pelo menos 7000 palestinianos estejam encarcerados em prisões israelitas.
Entretanto, Ariel Sharon anunciou que não participará numa eventual conferência sobre o Médio Oriente, em Londres, no início de 2005. A iniciativa está a ser preparada pelo
primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que esta semana se deslocou a Telavive e aos territórios palestinianos.
Israel sempre rejeitou a realização de conferências internacionais sobre o Médio Oriente, consciente de que ficaria isolado nas suas posições e receoso de ser confrontado com a aprovação de condições de uma solução para a paz implicando a retirada de todos os territórios ocupados desde a guerra de Junho de 1967 e o direito ao regresso dos refugiados, conforme a resolução 194 da Assembleia Geral da ONU.


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