Portas mentiu
O Sindicato dos Metalúrgicos diz que a solução anunciada por Paulo Portas poderá ser, quanto muito, momentânea, e não vai resolver o problema dos que ficaram sem trabalho.
As necessidades do País podem garantir mais 20 anos de laboração
Em conferência de imprensa, junto às instalações da Venda Nova, no dia 10, o dirigente do Sindicato do Metalúrgicos, António Tremoço, salientou que a solução terá de passar obrigatoriamente pela produção de material circulante ferroviário, área em que estes trabalhadores são altamente qualificados. Acresce o facto – recordado pelo sindicalista – de que Portugal tem encomendas no sector ferroviário para os próximos 20 anos e, caso não reabra a ex-Sorefame, as carruagens e locomotivas terão de ser fabricadas no estrangeiro, com custos acrescidos para o País.
Estão em concurso nacional 25 locomotivas eléctricas para a CP, e 30 composições para a linha da Póvoa, no Metro do Porto. Se a estas juntarmos as encomendas para os metropolitanos do Mondego e de Lisboa Lisboa e a Fertagus, poderia haver trabalho para todos estes operários durante os próximos 15 ou 20 anos.
Até ao momento, nenhum trabalhador da Bombardier foi contactado pela Steyr, multinacional austriaca que pretende fabricar em Portugal os veículos militares. Contudo, António Tremoço reconhece que as instalações têm condições para a produção de carros blindados, uma vez que a ex-Sorefame chegou a fazer chaimites para o exército. Mas alertou que existem alternativas para a fabricação deste material: a Sireme, em Palmela, ou uma associada da GOM, Grupo de Operações Metalomecânicas, esta composta por ex-quadros da Sorefame. Além disso, não será esta a vocação principal destes trabalhadores.
Para dia 22 está marcada nova reunião no Ministério de Actividades Económicas.
A mentira
O agora demitido ministro da Defesa, anunciou, no dia 9, ter o problema resolvido. Foi um dia antes de Jorge Sampaio justificar a destituição do Governo e anunciar a convocação de eleições. Com pompa e circunstância, Paulo Portas disse ter conseguido um acordo com a multinacional Steyr, para que pelo menos uma parte das 293 viaturas blindadas para o Exército fossem fabricadas na Venda Nova. O ministro disse que o acordo ia permitir «uma extraordinária oportunidade de emprego, de desenvolvimento e de tecnologias em Portugal».
Logo no mesmo dia, o representante da Steyr – Daymler – Puch, Alexandre Gonçalves, desmentiu o ministro do CDS-PP, ao afirmar que, embora tenha vencido o concurso para fornecer os blindados, não havia garantias de que seriam fabricados nas instalações da Bombardier. As negociações estavam ainda a decorrer.
Promessas ao vento
Desde o anúncio, em Maio, da intenção de encerrar a unidade, os trabalhadores não têm parado de lutar, reforçados com o facto de, desde que a Bombardier anunciou que ia comprar a Sorefame, avisaram que o objectivo da multinacional seria encerrar a fábrica portuguesa, de forma a eliminar concorrência no mesmo ramo de mercado. O Governo não deu crédito aos avisos das estruturas representativas dos trabalhadores e do PCP que, desde a primeira hora, sempre se bateram pela manutenção deste importante pólo metalúrgico.
No passado dia 3, o executivo voltou a prometer que dali a 15 dias seria assinado um protocolo que permitiria resolver o problema, pelo menos aos 50 trabalhadores abrangidos pelo despedimento colectivo. No entanto, o acordo que envolveria o Governo, a EMEF, a CP e o Município da Amadora carece de uma resposta da Bombardier, além de ser omisso no que respeita aos 50 trabalhadores.
Crise no comércio local
Desde Maio, todo o pequeno e médio comércio na Venda Nova tem sido gravemente afectado com o encerramento da Bombardier. Notícias vindas a público no fim-de-semana passado no jornal on line, Portugal Diário, revelam as consequências da progressiva redução do quadro da empresa para cafés e restaurantes da localidade.
Com cerca de 4 100 trabalhadores na década de oitenta, a Sorefame era um pólo de excelência na zona da Venda Nova, essencialmente da área da restauração. Agora, os poucos que sobreviveram à falência por falta de clientes, afirmam ter quebras de receitas na ordem dos 90 por cento.
Prestígio mundial
Em sessenta anos de actividade, a Sorefame que também tinha fortes posições no mercado mundial de construção de barragens hídricas e centrais eléctricas construiu as carruagens da linha de Sintra, desde 1955, mais 200 carruagens do Metropolitano de Chicago, desde 1975, 72 carruagens do Metro de Los Angeles e 27 do Metro de Filadélfia, nos Estados Unidos, desde o fim dos anos oitenta.
Produziu ainda, nos últimos anos, 114 carruagens para o Metro de Lisboa, 148 para a CP – incluída no programa CP 2000 – e 72 para o Metro do Porto. Caso a unidade da Amadora não seja reactivada, todo o material com estas características terá de passar a ser importado.
Estão em concurso nacional 25 locomotivas eléctricas para a CP, e 30 composições para a linha da Póvoa, no Metro do Porto. Se a estas juntarmos as encomendas para os metropolitanos do Mondego e de Lisboa Lisboa e a Fertagus, poderia haver trabalho para todos estes operários durante os próximos 15 ou 20 anos.
Até ao momento, nenhum trabalhador da Bombardier foi contactado pela Steyr, multinacional austriaca que pretende fabricar em Portugal os veículos militares. Contudo, António Tremoço reconhece que as instalações têm condições para a produção de carros blindados, uma vez que a ex-Sorefame chegou a fazer chaimites para o exército. Mas alertou que existem alternativas para a fabricação deste material: a Sireme, em Palmela, ou uma associada da GOM, Grupo de Operações Metalomecânicas, esta composta por ex-quadros da Sorefame. Além disso, não será esta a vocação principal destes trabalhadores.
Para dia 22 está marcada nova reunião no Ministério de Actividades Económicas.
A mentira
O agora demitido ministro da Defesa, anunciou, no dia 9, ter o problema resolvido. Foi um dia antes de Jorge Sampaio justificar a destituição do Governo e anunciar a convocação de eleições. Com pompa e circunstância, Paulo Portas disse ter conseguido um acordo com a multinacional Steyr, para que pelo menos uma parte das 293 viaturas blindadas para o Exército fossem fabricadas na Venda Nova. O ministro disse que o acordo ia permitir «uma extraordinária oportunidade de emprego, de desenvolvimento e de tecnologias em Portugal».
Logo no mesmo dia, o representante da Steyr – Daymler – Puch, Alexandre Gonçalves, desmentiu o ministro do CDS-PP, ao afirmar que, embora tenha vencido o concurso para fornecer os blindados, não havia garantias de que seriam fabricados nas instalações da Bombardier. As negociações estavam ainda a decorrer.
Promessas ao vento
Desde o anúncio, em Maio, da intenção de encerrar a unidade, os trabalhadores não têm parado de lutar, reforçados com o facto de, desde que a Bombardier anunciou que ia comprar a Sorefame, avisaram que o objectivo da multinacional seria encerrar a fábrica portuguesa, de forma a eliminar concorrência no mesmo ramo de mercado. O Governo não deu crédito aos avisos das estruturas representativas dos trabalhadores e do PCP que, desde a primeira hora, sempre se bateram pela manutenção deste importante pólo metalúrgico.
No passado dia 3, o executivo voltou a prometer que dali a 15 dias seria assinado um protocolo que permitiria resolver o problema, pelo menos aos 50 trabalhadores abrangidos pelo despedimento colectivo. No entanto, o acordo que envolveria o Governo, a EMEF, a CP e o Município da Amadora carece de uma resposta da Bombardier, além de ser omisso no que respeita aos 50 trabalhadores.
Crise no comércio local
Desde Maio, todo o pequeno e médio comércio na Venda Nova tem sido gravemente afectado com o encerramento da Bombardier. Notícias vindas a público no fim-de-semana passado no jornal on line, Portugal Diário, revelam as consequências da progressiva redução do quadro da empresa para cafés e restaurantes da localidade.
Com cerca de 4 100 trabalhadores na década de oitenta, a Sorefame era um pólo de excelência na zona da Venda Nova, essencialmente da área da restauração. Agora, os poucos que sobreviveram à falência por falta de clientes, afirmam ter quebras de receitas na ordem dos 90 por cento.
Prestígio mundial
Em sessenta anos de actividade, a Sorefame que também tinha fortes posições no mercado mundial de construção de barragens hídricas e centrais eléctricas construiu as carruagens da linha de Sintra, desde 1955, mais 200 carruagens do Metropolitano de Chicago, desde 1975, 72 carruagens do Metro de Los Angeles e 27 do Metro de Filadélfia, nos Estados Unidos, desde o fim dos anos oitenta.
Produziu ainda, nos últimos anos, 114 carruagens para o Metro de Lisboa, 148 para a CP – incluída no programa CP 2000 – e 72 para o Metro do Porto. Caso a unidade da Amadora não seja reactivada, todo o material com estas características terá de passar a ser importado.