«Chimurenga»
Em finais de 70, 1% da população do Zimbabwe detinha cerca de 90% da terra arável
«Consolidar a independência e a soberania nacional sobre os nossos recursos naturais» foi o lema do 4º Congresso do Povo da União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF) em que o PCP participou como convidado.
O Zimbabwe (antiga Rodésia) alcançou a 18 de Abril de 1980, na sequência dos acordos da Conferência de Lancaster House, a independência formal, completando-se assim a primeira e segunda «Chimurengas» (guerra de libertação) iniciadas em 1897 e 1963 respectivamente. Desde a independência que a ZANU (posteriormente ZANU-PF) tem vindo a assumir as mais altas responsabilidades na condução dos destinos do Zimbabwe.
E foi desde cedo que as forças colonialistas britânicas, o regime do Apharteid da África do Sul em coordenação com o regime racista de Ian Smith tentaram sem sucesso negar a independência e soberania ao povo do Zimbabwe. Hoje o imperialismo britânico e norte-americano tentam através de campanhas, acções de destabilização, ingerência e divisão interna, de diabolização da ZANU-PF e de Robert Mugabe, pôr em causa a consolidação da independência do Zimbabwe e o papel fundamental da ZANU-PF, tentando implementar soluções neo-coloniais e reconstruir o seu sistema de poder económico, posto em causa sobretudo pela reforma agrária e pela política governamental em curso de reinstalação de populações indígenas e redistribuição da terra. Uma política que, apesar de inegáveis dificuldades, conseguiu eliminar o sistema de mega-latifundio, que empurrou durante décadas a grande massa da população para as montanhas e zonas improdutivas e que em finais da década de 70 fazia com que cerca de 1% da população detivesse cerca de 90% das terras aráveis do Zimbabwe.
Depois de uma visita ao Zimbabwe fica claro que o imperialismo britânico tem dificuldades em aceitar a soberania deste país sobre os seus recursos naturais. As razões fundamentais são duas: 1ª - travar o processo de democratização do acesso à terra arável e às riquezas do sub-solo que põe em causa os interesses dos grandes proprietários britânicos; 2ª - conter um processo que pode alastrar a outros países da região onde a posse da terra é ainda uma questão não resolvida.
As manobras são várias, mas é evidente que a diferença entre aquilo que passa nas campanhas ocidentais e a realidade é abismal. Aqui, na Europa, passa-se a ideia de um país que está a morrer à fome, um país onde não existe lei, governado por um ditador, onde a insegurança, a corrupção e a repressão imperam. A realidade é outra. O Zimbabwe é efectivamente um país pobre, em parte devido ao bloqueio económico e político a que está sujeito e ainda devido à seca que há dois anos consecutivos assola o país, mas não um país que esteja a morrer à fome. O Zimbabwe é um país pobre mas com infraestruturas básicas garantidas, onde o governo está a fazer esforços reais para mecanizar as explorações agrícolas, a incentivar programas de produção controlada e preservação de solos agrícolas, a tentar dar resposta às exigências de segurança alimentar nacional montando o seu próprio sistema de distribuição alimentar, em que o acesso à terra é determinado por candidaturas públicas, que tenta, apesar das debilidades, manter um sistema de saúde e educação públicos de carácter universal. O Zimbabwe é um país com um sistema político assente numa democracia presidencialista, multi-partidária, que se tem pautado pela estabilidade, realização regular de eleições e pela independência do poder judicial face ao poder político.
A realidade é esta, não outra. Encontrámos no Zimbabwe um povo orgulhoso da sua luta, orgulhoso pelo facto de ter posto em causa – de uma vez por todas e de forma irreversível, como dizem – o sistema de poder colonialista que se procurou eternizar através de uma independência formal mas mantendo o essencial do poder económico e da propriedade sobre os recursos naturais do país. É por isso que eles próprios chamam a esta fase da sua luta a 3ª Chimurenga. Porque como foi afirmado pelo PCP durante o Congresso da ZANU-PF: «A independência de um país só estará completa quando o seu povo detiver a soberania sobre os seus recursos naturais».
O Zimbabwe (antiga Rodésia) alcançou a 18 de Abril de 1980, na sequência dos acordos da Conferência de Lancaster House, a independência formal, completando-se assim a primeira e segunda «Chimurengas» (guerra de libertação) iniciadas em 1897 e 1963 respectivamente. Desde a independência que a ZANU (posteriormente ZANU-PF) tem vindo a assumir as mais altas responsabilidades na condução dos destinos do Zimbabwe.
E foi desde cedo que as forças colonialistas britânicas, o regime do Apharteid da África do Sul em coordenação com o regime racista de Ian Smith tentaram sem sucesso negar a independência e soberania ao povo do Zimbabwe. Hoje o imperialismo britânico e norte-americano tentam através de campanhas, acções de destabilização, ingerência e divisão interna, de diabolização da ZANU-PF e de Robert Mugabe, pôr em causa a consolidação da independência do Zimbabwe e o papel fundamental da ZANU-PF, tentando implementar soluções neo-coloniais e reconstruir o seu sistema de poder económico, posto em causa sobretudo pela reforma agrária e pela política governamental em curso de reinstalação de populações indígenas e redistribuição da terra. Uma política que, apesar de inegáveis dificuldades, conseguiu eliminar o sistema de mega-latifundio, que empurrou durante décadas a grande massa da população para as montanhas e zonas improdutivas e que em finais da década de 70 fazia com que cerca de 1% da população detivesse cerca de 90% das terras aráveis do Zimbabwe.
Depois de uma visita ao Zimbabwe fica claro que o imperialismo britânico tem dificuldades em aceitar a soberania deste país sobre os seus recursos naturais. As razões fundamentais são duas: 1ª - travar o processo de democratização do acesso à terra arável e às riquezas do sub-solo que põe em causa os interesses dos grandes proprietários britânicos; 2ª - conter um processo que pode alastrar a outros países da região onde a posse da terra é ainda uma questão não resolvida.
As manobras são várias, mas é evidente que a diferença entre aquilo que passa nas campanhas ocidentais e a realidade é abismal. Aqui, na Europa, passa-se a ideia de um país que está a morrer à fome, um país onde não existe lei, governado por um ditador, onde a insegurança, a corrupção e a repressão imperam. A realidade é outra. O Zimbabwe é efectivamente um país pobre, em parte devido ao bloqueio económico e político a que está sujeito e ainda devido à seca que há dois anos consecutivos assola o país, mas não um país que esteja a morrer à fome. O Zimbabwe é um país pobre mas com infraestruturas básicas garantidas, onde o governo está a fazer esforços reais para mecanizar as explorações agrícolas, a incentivar programas de produção controlada e preservação de solos agrícolas, a tentar dar resposta às exigências de segurança alimentar nacional montando o seu próprio sistema de distribuição alimentar, em que o acesso à terra é determinado por candidaturas públicas, que tenta, apesar das debilidades, manter um sistema de saúde e educação públicos de carácter universal. O Zimbabwe é um país com um sistema político assente numa democracia presidencialista, multi-partidária, que se tem pautado pela estabilidade, realização regular de eleições e pela independência do poder judicial face ao poder político.
A realidade é esta, não outra. Encontrámos no Zimbabwe um povo orgulhoso da sua luta, orgulhoso pelo facto de ter posto em causa – de uma vez por todas e de forma irreversível, como dizem – o sistema de poder colonialista que se procurou eternizar através de uma independência formal mas mantendo o essencial do poder económico e da propriedade sobre os recursos naturais do país. É por isso que eles próprios chamam a esta fase da sua luta a 3ª Chimurenga. Porque como foi afirmado pelo PCP durante o Congresso da ZANU-PF: «A independência de um país só estará completa quando o seu povo detiver a soberania sobre os seus recursos naturais».