Os almoços
Sempre engravatados, sorrindo diligentes para as câmaras e convocando sistematicamente toda a comunicação social do burgo, Pedro Santana Lopes e Paulo Portas, nos últimos tempos, têm almoçado imenso um com o outro e tão à vista do País, que o País já saliva.
O caso não tem sido para menos. Os restaurantes são invariavelmente de primeira linha, a alvura das mesas encandeia qualquer um - mesmo exceptuando os milhões de esfomeados que já enxameiam o Portugal desta coligação -, e, não fora a solenidade que ambos os comensais afivelam, dir-se-ia que os líderes do Governo de direita andavam a fazer uns dinheiros com a promoção hoteleira.
De facto - como diria o Churchil -, nunca tão poucos almoçaram tanto.
Entrementes, o mais extraordinário destes repastos residia numa incoerência fatal.
A que tem levado estes insaciáveis governantes a esforçar-se para, nos tais almoços, darem a peregrina ideia de que estão, simultaneamente, a tratar de assuntos graves e apenas a confraternizar na ligeireza de um convívio à mesa.
O resultado da manobra tem sido um tanto ou quanto caricato, como outra vez se viu no último repasto (o de segunda-feira passada), quando também de novo convocaram os órgãos de comunicação social em peso para registarem mais essa grave refeição (agora no Estoril) e, afinal, se limitaram a apurar perante o País a momentosa quantificação dos anos que já levam a almoçar juntos - com Santana a lançar uns largos 20 anos e Portas a emendar, minucioso, para 25, um quartel dos autênticos (exceptuando os da tropa, é claro, onde nenhum destes convivas pôs os pés na altura própria).
Até que na terça-feira passada, meia dúzia de almoços depois (e estamos, naturalmente, a deixar de fora os repastos do quartel), à hora do jantar anunciaram o que resultara de tantos almoços.
Por junto e atacado, informaram o País que vão separados às eleições mas querem governar juntos, jurando ainda ambos que, mal ganhem, se coligarão imediatamente um com o outro e com mais ninguém.
Ou seja, como têm medo de perder juntos, arriscam ir separados, mas como também temem perder separados, prometem que se juntam logo a seguir.
E para isto andaram a entreter-se, em directo perante o País, a transformar almoços de luxo em conspirações manhosas, durante quase um mês fazendo boquinhas e trejeitos a subentender intensas cogitações, enquanto durante horas e horas saltitavam entre restaurantes a atulhar os bandulhos para esmoer as apreensões.
Como o ridículo é uma espécie de segunda natureza nestes dois estrategos, é claro que não pouparam o País a um remate dramático: após breves alocuções de ambos - começando num Santana, que continua sem saber ler, e fechando com um Portas, que continua a falar como se fosse o dono deste arranjo -, assinaram pomposamente um papel qualquer tomando as televisões como notários.
Entretanto, apesar de terem mencionado a «continuação deste projecto», nem uma palavra houve a explicar de que «projecto» se tratava.
Aliás, não houve uma palavra a propósito de coisa nenhuma.
Os discursos concentraram-se a entalar, no empertigamento que ambos julgam definir uma «pose de Estado», a alucinada angústia que os está acometendo por irem ser expulsos do poder. E agora pelo eleitorado.
O caso não tem sido para menos. Os restaurantes são invariavelmente de primeira linha, a alvura das mesas encandeia qualquer um - mesmo exceptuando os milhões de esfomeados que já enxameiam o Portugal desta coligação -, e, não fora a solenidade que ambos os comensais afivelam, dir-se-ia que os líderes do Governo de direita andavam a fazer uns dinheiros com a promoção hoteleira.
De facto - como diria o Churchil -, nunca tão poucos almoçaram tanto.
Entrementes, o mais extraordinário destes repastos residia numa incoerência fatal.
A que tem levado estes insaciáveis governantes a esforçar-se para, nos tais almoços, darem a peregrina ideia de que estão, simultaneamente, a tratar de assuntos graves e apenas a confraternizar na ligeireza de um convívio à mesa.
O resultado da manobra tem sido um tanto ou quanto caricato, como outra vez se viu no último repasto (o de segunda-feira passada), quando também de novo convocaram os órgãos de comunicação social em peso para registarem mais essa grave refeição (agora no Estoril) e, afinal, se limitaram a apurar perante o País a momentosa quantificação dos anos que já levam a almoçar juntos - com Santana a lançar uns largos 20 anos e Portas a emendar, minucioso, para 25, um quartel dos autênticos (exceptuando os da tropa, é claro, onde nenhum destes convivas pôs os pés na altura própria).
Até que na terça-feira passada, meia dúzia de almoços depois (e estamos, naturalmente, a deixar de fora os repastos do quartel), à hora do jantar anunciaram o que resultara de tantos almoços.
Por junto e atacado, informaram o País que vão separados às eleições mas querem governar juntos, jurando ainda ambos que, mal ganhem, se coligarão imediatamente um com o outro e com mais ninguém.
Ou seja, como têm medo de perder juntos, arriscam ir separados, mas como também temem perder separados, prometem que se juntam logo a seguir.
E para isto andaram a entreter-se, em directo perante o País, a transformar almoços de luxo em conspirações manhosas, durante quase um mês fazendo boquinhas e trejeitos a subentender intensas cogitações, enquanto durante horas e horas saltitavam entre restaurantes a atulhar os bandulhos para esmoer as apreensões.
Como o ridículo é uma espécie de segunda natureza nestes dois estrategos, é claro que não pouparam o País a um remate dramático: após breves alocuções de ambos - começando num Santana, que continua sem saber ler, e fechando com um Portas, que continua a falar como se fosse o dono deste arranjo -, assinaram pomposamente um papel qualquer tomando as televisões como notários.
Entretanto, apesar de terem mencionado a «continuação deste projecto», nem uma palavra houve a explicar de que «projecto» se tratava.
Aliás, não houve uma palavra a propósito de coisa nenhuma.
Os discursos concentraram-se a entalar, no empertigamento que ambos julgam definir uma «pose de Estado», a alucinada angústia que os está acometendo por irem ser expulsos do poder. E agora pelo eleitorado.