O Comentário Pogrom
Publicou Vital Moreira a sua opinião acerca do recente congresso do PCP, com o elucidativo título de «O Partido Búnquer». A bem dizer, o artigo tanto podia ter sido escrito esta semana como em qualquer outra altura, porque o que faz é repetir os chavões que são sempre invocados quando se trata de «comentar» o PCP. Só falta um: por espantoso lapso, não utilizou o adjectivo «estalinista», e aqui fica uma sentida chamada de atenção.
Mas há aqui uma questão séria. VM denuncia, zeloso, que o PCP insiste «enfaticamente» na recusa das «comuns regras da democracia partidária» e que, sempre agarrado à «cartilha», persiste na «desafiadora recusa da lei dos partidos políticos quanto às regras da democracia interna», o que deixa mal os que quiseram «democratizar o PCP por imposição legal de regras democráticas».
Traduzindo, VM, em vez de denunciar - como ficaria bem a um democrata - a inqualificável e inconstitucional tentativa de coarctar a liberdade de organização de cidadãos em partidos políticos, (que inclui a liberdade de decidirem, de forma soberana, acerca das formas de organização e funcionamento internos que livremente entenderem) que constitui a lei dos partidos políticos aprovada pela lamentável maioria PSD/PP/PS e publicada pelo PR, vem clamar que o PCP a não cumpre. Que VM ache que a forma como os partidos que aprovaram essa lei funcionam é um tal modelo de democracia que deva ser imposto por via legislativa como modelo único já é aberrante. Que venha reclamar contra um partido que, prestando mais uma vez um relevante serviço à democracia e às liberdades, recusa submeter-se a essa formatação antidemocrática, tem um outro alcance, e cheira bastante a esturro.
Há uma coisa que nenhum democrata devia esquecer: o anti-comunismo é um beco muito mal frequentado, que seria preferível evitar.
No quadro que vivemos, em que não há direito democrático nem liberdade que não possa estar em risco, no nosso país e lá fora, o que é pior: aquilo que chama o Partido Búnquer, ou o Comentário Pogrom?
Mas há aqui uma questão séria. VM denuncia, zeloso, que o PCP insiste «enfaticamente» na recusa das «comuns regras da democracia partidária» e que, sempre agarrado à «cartilha», persiste na «desafiadora recusa da lei dos partidos políticos quanto às regras da democracia interna», o que deixa mal os que quiseram «democratizar o PCP por imposição legal de regras democráticas».
Traduzindo, VM, em vez de denunciar - como ficaria bem a um democrata - a inqualificável e inconstitucional tentativa de coarctar a liberdade de organização de cidadãos em partidos políticos, (que inclui a liberdade de decidirem, de forma soberana, acerca das formas de organização e funcionamento internos que livremente entenderem) que constitui a lei dos partidos políticos aprovada pela lamentável maioria PSD/PP/PS e publicada pelo PR, vem clamar que o PCP a não cumpre. Que VM ache que a forma como os partidos que aprovaram essa lei funcionam é um tal modelo de democracia que deva ser imposto por via legislativa como modelo único já é aberrante. Que venha reclamar contra um partido que, prestando mais uma vez um relevante serviço à democracia e às liberdades, recusa submeter-se a essa formatação antidemocrática, tem um outro alcance, e cheira bastante a esturro.
Há uma coisa que nenhum democrata devia esquecer: o anti-comunismo é um beco muito mal frequentado, que seria preferível evitar.
No quadro que vivemos, em que não há direito democrático nem liberdade que não possa estar em risco, no nosso país e lá fora, o que é pior: aquilo que chama o Partido Búnquer, ou o Comentário Pogrom?