Natal, em vez de Verão

Carlos Gonçalves
Cem dias durou o Governo recauchutado do PPD-PSD/CDS-PP de P.Santana Lopes até esta «remodelação», de que convém reter os «pormenores».
Houve as alterações de Secretários de Estado, decorrentes da rotação de Domingos Jerónimo da Presidência do Conselho de Ministros para Secretário Geral do Sistema de Informações da República. E o facto é em si mesmo muito grave, porque evidencia a governamentalização e estrita partidarização dos Serviços de Informações, em benefício das conspirações «santanistas» e em prejuízo profundo do regime democrático – conforme o PCP previu e preveniu, de nada valendo agora as «lágrimas de crocodilo» do PS, cúmplice na respectiva Lei.
Mas a «modelação» do Governo foi cuidadosamente preparada em segredo, para concretizar a entrega dos Assuntos Parlamentares a Morais Sarmento e «resguardar» Gomes da Silva – ainda um efeito inócuo mas «politicamente correcto» do «caso Marcelo», empurrado pelo PR. E sobretudo para concentrar ainda mais o poder no «núcleo duro» do Governo, transferindo o cargo de Ministro Adjunto, que trata da «agenda» e da coordenação, para o incondicional «ministro-santanete» Gomes da Silva – agora que cresce a contestação popular à política do Governo e se avizinham convulsões eleitorais entre PSD e PP.
No fundo a «remodelação» e a posterior demissão de Henrique Chaves - atirando pela janela, com estrondo, já não o DVD do Benfica-Porto mas a acusação de falta de «lealdade e verdade» do P.Ministro - vem relevar o que já se sabia. Que o Governo, no fundamental, trata da «governança» dos grandes interesses e da obsessão de se manter no poder. Que é um governo em conflito profundo com a democracia, e os interesses do povo e da pátria, reaccionário, globalmente desqualificado e sistematicamente falso, com uma lógica de seita conspirativa de promoção do «líder» P.Santana Lopes. E que não olha a meios – censura, manipulação, «assassínio de personalidade»...
Este é um governo que nunca devia ter existido.
É um governo que tem o objectivo instrumental – essencial - de aguentar até ao Verão, até que o PR não possa demiti-lo. E se, por erro absurdo ou inaceitável condescendência, semelhante coisa acontecesse, as instituições democráticas correriam risco iminente de degradação gravosa.
É urgente intervir para que o PS e o PR não possam continuar a «não ver». Por um bom Natal, livres deste Governo.


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