Cálculos errados
Não se percebe por que razão alguns se revelam tão surpreendidos perante o esboroamento de um governo que, em boa verdade, não fora a oportuna ajuda do Presidente da República, não tinha nenhuma razoável e legitima justificação para sequer se ter constituído. Como sempre afirmámos dali só poderiam resultar novos e agravados factores de instabilidade. Donde, dificilmente são entendíveis quaisquer sinais de pasmo perante a instabilidade que o corrói e a instabilidade em que teima em mergulhar, com a sua política, a vida do país e dos portugueses. O que desde logo suscita a questão de lhes dar resposta. E se a primeira, a instabilidade do PSD, se pode resolver com a simplicidade de um «eles que se amanhem» já a segunda, a do país e da vida dos portugueses, exige uma mais clara e determinada postura para lhe pôr cobro. Pelo que em matéria de surpresas, não será menor a que resulta da singular atitude assumida pela actual direcção do PS de continuar a não inscrever a demissão do governo como reclamação necessária e indispensável á estabilização e normalização da vida política nacional.
Sócrates e o seu partido parecem, assim, continuar mais apostados no estreito cálculo dos seus próprios interesse do que em lutar e exigir a interrupção desta política. Ou seja: secundarizando as consequências de o país se manter refém de uma política desastrosa e decididos em ver na continuação desta política e deste governo, factor de vantagem para os seus objectivos eleitorais e para os interesses que representam. Por outras palavras: o PS ver no prosseguimento desta política não apenas algo que em questões importantes corresponderá a previsíveis e idênticos posicionamentos seus, como também um factor de acrescento e proveito eleitoral mesmo que conquistado sob os escombros resultantes da acção política do actual governo.
Como o XVII Congresso bem sublinhou, não só a derrota deste governo tem de ser encontrada na determinação da luta dos que consequentemente se lhe opõem como a necessária expectativa de à sua derrota corresponder uma viragem efectiva de políticas, são inseparáveis do reforço da influência e presença do PCP.
Sócrates e o seu partido parecem, assim, continuar mais apostados no estreito cálculo dos seus próprios interesse do que em lutar e exigir a interrupção desta política. Ou seja: secundarizando as consequências de o país se manter refém de uma política desastrosa e decididos em ver na continuação desta política e deste governo, factor de vantagem para os seus objectivos eleitorais e para os interesses que representam. Por outras palavras: o PS ver no prosseguimento desta política não apenas algo que em questões importantes corresponderá a previsíveis e idênticos posicionamentos seus, como também um factor de acrescento e proveito eleitoral mesmo que conquistado sob os escombros resultantes da acção política do actual governo.
Como o XVII Congresso bem sublinhou, não só a derrota deste governo tem de ser encontrada na determinação da luta dos que consequentemente se lhe opõem como a necessária expectativa de à sua derrota corresponder uma viragem efectiva de políticas, são inseparáveis do reforço da influência e presença do PCP.