Caricatura - desatenta ou desonesta?
Isto de caricaturar comunistas não requer grande imaginação nem exige ideias.
Não?
Penso que me enganei: exige uma, única, visceral, e patologicamente atávica, aquela que vem dos nossos antepassados longínquos a que chamamos répteis e que até hoje não conseguiram evoluir senão em conformarem-se ao seu destino: rastejar. A "ideia" é apresentar todos so males do mundo como causados pelos comunistas, ou, pelo menos, achincalhar, falsificar, deturpar o que os comunistas fazem ou dizem. O verdadeiro anticomunista, o que se preza e disso faz seu cartão de visita perante qualquer que o ouça ou leia, tem horror a ideias que não estejam sedimentadas em grandes rochas protectoras de um pensamento opaco – e por isso sente necessidade visceral, até por vezes inconsciente, de abocanhar qualquer ideia que venha de um comunista. «Ideia nova» é, para o anticomunista alvo a abater. Ele tem ideias feitas, e garantidas. Não é isso o que lhe requer uma sociedade que lhe exige obter mais e melhor?
A propósito deste tema, na última semana "larguei" no «Avante!» uma ideia em que acredito profundamente, até porque durante toda a minha vida de militante lidei com ela em permanência. Dizia eu que a voz dos comunistas é silenciada, boicotada, caricaturada, e que depois se põe a correr que a mensagem do partido não passa, quando a verdade é que nos meios de comunicação social, geralmente, não a passam, não a deixam passar. E concluía: "O pensamento novo é sempre muito perigoso Mais vale abafá-lo, gritando por todos os alfifalantes que é velho".
Então não é que um jornalista do jornal «Semanário», numa grotesca manipulação e truncagem, pretendeu fazer-me dizer o que não disse, editando mais uma caricatura do que dizem os comunistas? Virando o bico ao prego, escreveu ele que o "pensamento novo" a que me referia era o dos chamados renovadores, tão acarinhados na comunicação social....
Só para rir!
Poderia explicar com paciência ao jornalista que o pensamento perigoso a que me referia (está lá, preto no branco) era o do comunismo, que representa um perigo real para o velho capitalismo. Mas como o jornalista mesmo assim talvez não entendesse, conto-lhe uma velha história que um camarada me contou quando eu era ainda muito jovem e me ficou de ouvido. Era uma vez um trabalhador que estava a ler um jornal e a refilar com aquilo que lia. Passou um sujeito encartado e ficou indignado com a refilice do trabalhador. E este perguntou: "Mas o senhor sabe ler? Não viu o que está aqui escrito?..." Ao que o outro respondeu, furioso: "Olhe que eu sou advogado!". Pacientemente, o trabalhador respondeu: "Não foi isso que eu lhe perguntei. Perguntei se sabia ler".
Também eu, pacientemente, e porque não quero fazer processo de intenções, pergunto: -Jornalista é, certamente. Mas será que sabe ler? Ou quis fazer uma caricatura? Ou...
Não?
Penso que me enganei: exige uma, única, visceral, e patologicamente atávica, aquela que vem dos nossos antepassados longínquos a que chamamos répteis e que até hoje não conseguiram evoluir senão em conformarem-se ao seu destino: rastejar. A "ideia" é apresentar todos so males do mundo como causados pelos comunistas, ou, pelo menos, achincalhar, falsificar, deturpar o que os comunistas fazem ou dizem. O verdadeiro anticomunista, o que se preza e disso faz seu cartão de visita perante qualquer que o ouça ou leia, tem horror a ideias que não estejam sedimentadas em grandes rochas protectoras de um pensamento opaco – e por isso sente necessidade visceral, até por vezes inconsciente, de abocanhar qualquer ideia que venha de um comunista. «Ideia nova» é, para o anticomunista alvo a abater. Ele tem ideias feitas, e garantidas. Não é isso o que lhe requer uma sociedade que lhe exige obter mais e melhor?
A propósito deste tema, na última semana "larguei" no «Avante!» uma ideia em que acredito profundamente, até porque durante toda a minha vida de militante lidei com ela em permanência. Dizia eu que a voz dos comunistas é silenciada, boicotada, caricaturada, e que depois se põe a correr que a mensagem do partido não passa, quando a verdade é que nos meios de comunicação social, geralmente, não a passam, não a deixam passar. E concluía: "O pensamento novo é sempre muito perigoso Mais vale abafá-lo, gritando por todos os alfifalantes que é velho".
Então não é que um jornalista do jornal «Semanário», numa grotesca manipulação e truncagem, pretendeu fazer-me dizer o que não disse, editando mais uma caricatura do que dizem os comunistas? Virando o bico ao prego, escreveu ele que o "pensamento novo" a que me referia era o dos chamados renovadores, tão acarinhados na comunicação social....
Só para rir!
Poderia explicar com paciência ao jornalista que o pensamento perigoso a que me referia (está lá, preto no branco) era o do comunismo, que representa um perigo real para o velho capitalismo. Mas como o jornalista mesmo assim talvez não entendesse, conto-lhe uma velha história que um camarada me contou quando eu era ainda muito jovem e me ficou de ouvido. Era uma vez um trabalhador que estava a ler um jornal e a refilar com aquilo que lia. Passou um sujeito encartado e ficou indignado com a refilice do trabalhador. E este perguntou: "Mas o senhor sabe ler? Não viu o que está aqui escrito?..." Ao que o outro respondeu, furioso: "Olhe que eu sou advogado!". Pacientemente, o trabalhador respondeu: "Não foi isso que eu lhe perguntei. Perguntei se sabia ler".
Também eu, pacientemente, e porque não quero fazer processo de intenções, pergunto: -Jornalista é, certamente. Mas será que sabe ler? Ou quis fazer uma caricatura? Ou...