Esquerda contra o medo
A coligação eleitoral Encontro Progressista-Frente Ampla (FA) venceu, no passado fim de semana, as eleições presidências no Uruguai e conquistou a maioria dos lugares no senado e no congresso.
«A esperança venceu o medo, todos os medos»
Com 51 por cento dos votos, Tabaré Vazquez foi sufragado como o novo presidente do Uruguai, uma vitória que para além de contundente – decidiu-se logo na primeira volta – assume contornos históricos, uma vez que os partidos Nacional (PN) e Colorido (PC) nunca haviam sido derrotados nas urnas, tendo dominado e partilhado o poder naquele país durante mais de um século e meio.
Os candidatos do PN e PC, Jorge Larrañaga e Guillermo Stirling, admitiram a derrota e felicitaram o candidato vencedor, reagindo inevitavelmente à festa popular que inundou as ruas da capital, Montevideo.
Paralelamente à eleição do novo presidente, os uruguaios votaram ainda para o congresso e o senado, câmaras igualmente ganhas pela FA por maioria absoluta.
De acordo com dados provisórios entretanto divulgados, a coligação de esquerda deverá garantir 16 senadores, num total de 30 lugares, e 52 deputados em 99 na assembleia legislativa, o congresso.
Festa da esperança
Conhecidas e confirmadas as primeiras projecções, mais de meio milhão de pessoas saiu estrada fora para celebrar a derrota do situacionismo e o triunfo da esperança numa efectiva mudança política cantada com «o povo unido jamais será vencido».
Tabaré Vazquez falou ao povo pouco depois de terem sido confirmados os primeiros resultados provisórios. As palavras dirigidas à multidão que se estendia pela maior avenida do país foram: «festejem uruguaios que a vitória é vossa».
O futuro presidente reafirmou também a vontade de efectuar mudanças e prometeu «não defraudar as expectativas» depositadas na sua candidatura, até porque, disse no discurso de vitória, «a esperança venceu o medo, todos os medos, inclusivamente os que surgem quando decidimos mudar. O povo elegeu e agora devemos ser responsáveis como o fomos em toda a nossa história e nesta campanha».
O último cartucho da direita
Por trás das palavras de circunstância felicitando Vazquez e a FA pela retumbante vitória alcançada, a direita bicéfala que desde sempre governou os destinos daquela república latino-americana parece não ter digerido pacificamente a perda do poder.
Instigado pelos sectores mais reaccionários do PN e PC, ou movido pelos grossos interesses e grupos de pressão que temem ver escapar a sua influência no círculos executivo e legislativo, a Corte Eleitoral afirmou, terça-feira, que «o Uruguai não tem, todavia, um presidente eleito», indicando que subsiste a possibilidade de se efectuar uma segunda volta caso a maioria absoluta não venha a ser confirmada «matematicamente».
Às declarações do presidente daquele organismo, Carlos Urruti, respondeu a FA acusando a Corte de «estar ao serviço do governo e não das pessoas».
Entre a batalha das urnas e a aplicação prática das promessas feitas, a esquerda uruguaia confronta-se, assim, com a eventualidade de ter que travar um combate intermédio, convencer os agentes e as instituições do poder a reconhecerem efectivamente a vontade popular.
Os candidatos do PN e PC, Jorge Larrañaga e Guillermo Stirling, admitiram a derrota e felicitaram o candidato vencedor, reagindo inevitavelmente à festa popular que inundou as ruas da capital, Montevideo.
Paralelamente à eleição do novo presidente, os uruguaios votaram ainda para o congresso e o senado, câmaras igualmente ganhas pela FA por maioria absoluta.
De acordo com dados provisórios entretanto divulgados, a coligação de esquerda deverá garantir 16 senadores, num total de 30 lugares, e 52 deputados em 99 na assembleia legislativa, o congresso.
Festa da esperança
Conhecidas e confirmadas as primeiras projecções, mais de meio milhão de pessoas saiu estrada fora para celebrar a derrota do situacionismo e o triunfo da esperança numa efectiva mudança política cantada com «o povo unido jamais será vencido».
Tabaré Vazquez falou ao povo pouco depois de terem sido confirmados os primeiros resultados provisórios. As palavras dirigidas à multidão que se estendia pela maior avenida do país foram: «festejem uruguaios que a vitória é vossa».
O futuro presidente reafirmou também a vontade de efectuar mudanças e prometeu «não defraudar as expectativas» depositadas na sua candidatura, até porque, disse no discurso de vitória, «a esperança venceu o medo, todos os medos, inclusivamente os que surgem quando decidimos mudar. O povo elegeu e agora devemos ser responsáveis como o fomos em toda a nossa história e nesta campanha».
O último cartucho da direita
Por trás das palavras de circunstância felicitando Vazquez e a FA pela retumbante vitória alcançada, a direita bicéfala que desde sempre governou os destinos daquela república latino-americana parece não ter digerido pacificamente a perda do poder.
Instigado pelos sectores mais reaccionários do PN e PC, ou movido pelos grossos interesses e grupos de pressão que temem ver escapar a sua influência no círculos executivo e legislativo, a Corte Eleitoral afirmou, terça-feira, que «o Uruguai não tem, todavia, um presidente eleito», indicando que subsiste a possibilidade de se efectuar uma segunda volta caso a maioria absoluta não venha a ser confirmada «matematicamente».
Às declarações do presidente daquele organismo, Carlos Urruti, respondeu a FA acusando a Corte de «estar ao serviço do governo e não das pessoas».
Entre a batalha das urnas e a aplicação prática das promessas feitas, a esquerda uruguaia confronta-se, assim, com a eventualidade de ter que travar um combate intermédio, convencer os agentes e as instituições do poder a reconhecerem efectivamente a vontade popular.