Repsol comprou complexo de Sines

Refinarias em perigo

A administração da Borealis anunciou à Fequimetal e ao Sinquifa, o acordo final da compra do complexo petroquímico de Sines pela multinacional espanhola, Repsol .
No encontro com os sindicatos, no dia 8, a administração foi questionada sobre a revisão do AE, na Borealis , e sobre o futuro das empresas prestadoras de serviços, onde estão muitos trabalhadores, anteriormente transferidos da Borealis .
Fazendo votos para que este não seja mais um processo que levará a uma ainda maior redução de efectivos, a comissão sindical e a direcção do Sinquifa ficaram de reunir, ainda esta semana, com vista a elaborar a proposta de revisão do AE na Borealis , para 2005.
Segundo um comunicado da Federação Intersindical da Metalurgia, Metalomecânica, Minas, Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás, Fequimetal/CGTP-IN, a Borealis , há muito que tinha deixado de considerar aquele complexo com um investimento estratégico, cortando investimentos e reduzindo o quadro de trabalhadores, estratégia que era denunciada, desde o início pelo Sinquifa. O sindicato alertava também para a desregulamentação de direitos e a entrega de serviços a outras empresas, nomeadamente nas áreas de laboratório e manutenção.
A Repsol pretende construir um oleoduto da Corunha, na Galiza, até ao Porto, obra que segundo as estruturas sindicais, poderá comprometer a refinação nacional. Naquela região de Espanha, existe uma refinaria que poderá servir o Norte de Portugal, caso o Governo decida encerrar a refinaria do Porto, contrariando as intenções que fez revelar no recente relatório ao acidente no terminal em Leça, onde se afirmava a importância da continuidade das refinarias nacionais.
O anúncio da compra da Borealis vem reforçar a posição da Repsol , à semelhança do que se passou na recente aquisição por parte da mesma multinacional espanhola, da rede de combustíveis, Shell . Com estas duas compras, a Repsol , em apenas um ano, passou a ser a sétima maior empresa em Portugal.
Entretanto, a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal reuniu, anteontem, com os presidentes da administração e da comissão executiva da Galpenergia, onde se previam esclarecimentos sobre o futuro da refinação em Portugal.

Pelo futuro

Na semana passada, por iniciativa do Grupo parlamentar do PCP, o deputado comunista, Honório Novo, interpelou o ministro das Actividades Económicas e do Trabalho, Álvaro Barreto, sobre o futuro das refinarias [ver Assembleia da República, pág. 18].
Embora o ministro tenha negado a intenção de as encerrar, salientou que está prevista a conclusão do pipeline da Repsol , da Corunha ao Porto, para daqui a cinco anos. Honório Novo fez notar que o encerramento das refinarias depende da vontade da multinacional espanhola, Petrocer , que terá interesse em mantê-las até à conclusão do oleoduto, mas nada garante que, concluídas as obras, não se volte a pôr em causa a refinação. Recordou ainda que a Petrocer tem investimento ligado à Repsol , além de ser já detentora de 40 por cento da Petrogal.
A refinaria do Porto ocupa cerca de 60 por cento da área marítima costeira. É, por isso, uma zona preferencial dos alvos da cobiça do sector imobiliário, recordou o deputado.


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