Nas fronteiras do mesmo
Descontada a alteração verificada ao nível da banda sonora e da cor do cenário bem se pode dizer que o congresso do PS e os seus resultados ameaçam constituir-se numa mera reposição de um filme já visto. Quem dali esperasse um momento de reflexão sobre as razões da falência dos seus governos mais recentes, sobre a relação entre aquelas e as condições da chegada da coligação de direita ao poder ou quem supusesse ali encontrar uma vontade determinada em pôr fim urgente à política do actual governo, desapontado estará. E agora depois do cair do pano, arrumados os adereços tecnológicos e dissipado que está o vozear, o que persistirá em dúvida e que o evento não quis esclarecer — em matéria de políticas concretas e propostas alternativas às que persistem — sobrará em certezas quanto a duas outras questões.
A primeira, elucidativamente traduzida na ideia de «dar tudo pelo regresso ao poder», para se registar como certeza que, ali, bem mais do que colocar-se na ordem do dia a imperiosa necessidade de ruptura com as políticas dominantes, continua a residir a mais cega obsessão pelo poder absoluto e aquela mesma ambição hegemónica, objectivos a que se aspira para melhor e mais livremente poder conduzir e realizar uma política ditada por opções próximas das que têm dominado o país. Pelo que as anunciadas «novas fronteiras» dadas aos velhos «estados-gerais» não deixam prever que consigam romper para além dos estreitos limites das conhecidas soluções de alternância na condução, em linhas essenciais, das mesmas e repetidas políticas.
A segunda para se ver confirmado, ainda que disfarçada para já na ideia do «sós e absolutos», o sentido previsível dos entendimentos e acordos futuros que prevalecerão na política do PS. Tendo-se ficado a saber pela boca dos mais proeminentes membros da direcção socialista que «o país não lhes pede para fazer alianças à esquerda» ou que «uma aproximação do PS ao PCP seria desastrosa do ponto de vista da mensagem política»; conhecendo-se que a sua concepção quanto a valores e princípios à esquerda os leva a arrumá-los como coisas imobilistas ou obsoletas; sabendo-se, de experiência feita, o sentido das alianças que o país tem reclamado do PS como nos últimos 25 anos se tem visto; e conhecendo-se ainda a naturalidade com que o PS assume não só a mensagem mas as práticas predominantes à direita, sem que com isso tema os efeitos desastrosos agora assinalados por Gama e seus pares — melhor se compreenderá o que daquela «esquerda moderna» há a esperar em matéria de coerência no combate à política de direita e de alternativa.
A primeira, elucidativamente traduzida na ideia de «dar tudo pelo regresso ao poder», para se registar como certeza que, ali, bem mais do que colocar-se na ordem do dia a imperiosa necessidade de ruptura com as políticas dominantes, continua a residir a mais cega obsessão pelo poder absoluto e aquela mesma ambição hegemónica, objectivos a que se aspira para melhor e mais livremente poder conduzir e realizar uma política ditada por opções próximas das que têm dominado o país. Pelo que as anunciadas «novas fronteiras» dadas aos velhos «estados-gerais» não deixam prever que consigam romper para além dos estreitos limites das conhecidas soluções de alternância na condução, em linhas essenciais, das mesmas e repetidas políticas.
A segunda para se ver confirmado, ainda que disfarçada para já na ideia do «sós e absolutos», o sentido previsível dos entendimentos e acordos futuros que prevalecerão na política do PS. Tendo-se ficado a saber pela boca dos mais proeminentes membros da direcção socialista que «o país não lhes pede para fazer alianças à esquerda» ou que «uma aproximação do PS ao PCP seria desastrosa do ponto de vista da mensagem política»; conhecendo-se que a sua concepção quanto a valores e princípios à esquerda os leva a arrumá-los como coisas imobilistas ou obsoletas; sabendo-se, de experiência feita, o sentido das alianças que o país tem reclamado do PS como nos últimos 25 anos se tem visto; e conhecendo-se ainda a naturalidade com que o PS assume não só a mensagem mas as práticas predominantes à direita, sem que com isso tema os efeitos desastrosos agora assinalados por Gama e seus pares — melhor se compreenderá o que daquela «esquerda moderna» há a esperar em matéria de coerência no combate à política de direita e de alternativa.