Não ao obscurantismo
A Comissão de Justiça, Liberdades e Interior do Parlamento Europeu rejeitou a designação de Rocco Buttigluione para comissário da Justiça, Liberdades Civis e Segurança, bem como a possibilidade de se lhe ser atribuída uma pasta alternativa.
Por 27 votos contra 26, a Comissão do PE inviabilizou o nome indicado pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, para a futura Comissão Europeia. Numa outra votação, igualmente realizada na segunda-feira, 11, foi chumbado, por 28 votos contra 25, um texto que defendia uma alteração de pasta para Buttiglione.
Militante da associação católica conservadora Comunhão e Libertação, Rocco Buttiglione é conhecido por ser próximo do Vaticano, cujas posições em matéria de aborto e fertilização artificial partilha.
Perante o Parlamento Europeu, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, afirmou, na passada semana, que «a homossexualidade é um pecado» e que «a família existe para permitir à mulher ter crianças e ser protegida pelo seu marido».
Esta declaração caiu mal em vários grupos parlamentares, incluindo liberais, socialistas, verdes e comunistas. No entanto, o resultado da votação dificilmente terá efeitos práticos uma vez que o Parlamento Europeu não se pronuncia nominalmente sobre os comissários nomeados pelos governos dos 25 Estados-membros e não é provável que a maioria de direita que domina o hemiciclo venha a reprovar em bloco o futuro executivo comunitário.
Isto apesar de alguns deputados, designadamente dos Verdes, exigirem que Durão Barroso retire as consequências desta rejeição e apelarem aos diferentes grupos políticos para que em coerência votem contra o conjunto da Comissão na sessão do próximo dia 27 de Outubro.
Direita irritada
Reagindo com visível irritação ao chumbo do seu ministro, Silvio Berlusconi considerou que a votação sem precedentes na comissão do Parlamento Europeu representa «no plano cultural e civil, a colocação em causa da liberdade de consciência e de opinião de um comissário de formação e confissão católicas», concluindo que «a contestação da distinção laica por ele feita entre moral e lei tem sinais fundamentalistas, ou mesmo obscurantistas».
Francesco Guiro, outra figura da Forza Italia, o partido de Berlusconi, não hesitou em rotular a posição dos eurodeputados como «um voto anticatólico», opinião partilhada por Gianni Alemanno, ministro italiano da Agricultura e dirigente da Aliança Nacional, segundo o qual se trata «um acto grave, não somente conta a Itália, mas também contra todo o mundo católico».
Roberto Calderoli, ministro das Reformas e dirigente da Liga do Norte, foi ainda mais longe, falando de um «voto ideológico, com características discriminatórias e quase racistas»!...
Militante da associação católica conservadora Comunhão e Libertação, Rocco Buttiglione é conhecido por ser próximo do Vaticano, cujas posições em matéria de aborto e fertilização artificial partilha.
Perante o Parlamento Europeu, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, afirmou, na passada semana, que «a homossexualidade é um pecado» e que «a família existe para permitir à mulher ter crianças e ser protegida pelo seu marido».
Esta declaração caiu mal em vários grupos parlamentares, incluindo liberais, socialistas, verdes e comunistas. No entanto, o resultado da votação dificilmente terá efeitos práticos uma vez que o Parlamento Europeu não se pronuncia nominalmente sobre os comissários nomeados pelos governos dos 25 Estados-membros e não é provável que a maioria de direita que domina o hemiciclo venha a reprovar em bloco o futuro executivo comunitário.
Isto apesar de alguns deputados, designadamente dos Verdes, exigirem que Durão Barroso retire as consequências desta rejeição e apelarem aos diferentes grupos políticos para que em coerência votem contra o conjunto da Comissão na sessão do próximo dia 27 de Outubro.
Direita irritada
Reagindo com visível irritação ao chumbo do seu ministro, Silvio Berlusconi considerou que a votação sem precedentes na comissão do Parlamento Europeu representa «no plano cultural e civil, a colocação em causa da liberdade de consciência e de opinião de um comissário de formação e confissão católicas», concluindo que «a contestação da distinção laica por ele feita entre moral e lei tem sinais fundamentalistas, ou mesmo obscurantistas».
Francesco Guiro, outra figura da Forza Italia, o partido de Berlusconi, não hesitou em rotular a posição dos eurodeputados como «um voto anticatólico», opinião partilhada por Gianni Alemanno, ministro italiano da Agricultura e dirigente da Aliança Nacional, segundo o qual se trata «um acto grave, não somente conta a Itália, mas também contra todo o mundo católico».
Roberto Calderoli, ministro das Reformas e dirigente da Liga do Norte, foi ainda mais longe, falando de um «voto ideológico, com características discriminatórias e quase racistas»!...