Números da discórdia
«Os Verdes» acusam o Governo de não reconhecer a verdadeira dimensão dos prejuízos causados pelos incêndios no Algarve, ao decidir não declarar o estado de calamidade pública na região.
Os argumentos invocados pelo Governo são ridículos
«Isto não passa de uma tentativa de camuflagem para tentar mostrar que a área ardida é menor do que aquilo que corresponde à realidade», salientou Manuela Cunha, acrescentando que é preciso «apurar melhorar a área ardida no Algarve».
A dirigente partidária falava, na passada semana, no final de uma reunião entre uma delegação da Direcção Nacional do Partido Ecologista «Os Verdes», a autarquia de São Brás de Alportel e a Direcção da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, no âmbito de uma visita às zonas algarvias fustigadas este ano pelos fogos.
Segundo Manuela Cunha, os números relativos à área ardida na serra do Caldeirão apontados por aquela associação divergem em muito dos número oficias apresentados pela associação de produtores. «Os números apresentados pela associação de produtores florestais e pelo Ministério da Agricultura não coincidem», disse, acrescentando que «não se está a falar de diferenças de um ou dois hectares, mas sim de milhares».
A ecologista disse ainda considerar estranho que em 2003 tenha sido atribuído o estatuto de calamidade pública à região e que, este ano, em que os fogo «atingiram uma zona muito mais extensa e tiveram maior impacto económico e ambiental», a decisão tenha sido contrária.
«Acho muito estranho como é que no ano passado o Governo decidiu declarar o estado de calamidade quando a área ardida em questão era bem menor», afirma, salientando que «ninguém está a inflaccionar dados» e que os argumentos invocados pelo Governo PSD/CDS-PP são «ridículos».
DGRC apresenta relatório
Faro, Beja e Vila Real continuam a ser os distritos mais devastados pelos incêndios, com mais de metade da área ardida do País, desde o início do ano, segundo a Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRC).
Entre o primeiro dia do ano e 22 de Agosto, o fogo consumiu, só nestas áreas, 54330 hectare, 30 552 em Faro, 12 945 em Beja, e 10 833 em Vila Real, enquanto a área ardida total atingiu os 106 089 hectares.
Entretanto, de acordo com o 9.º relatório provisório da DGRF, no período de 16 a 22 de Agosto registaram-se 205 ocorrências, responsáveis por 107 hectares da área ardida.
Desde o início do ano, apuraram-se 16 541 ocorrências (situações de incêndio, queimada ou falso alarme a que bombeiros acorreram), das quais 3441 correspondem a incêndios florestais e 13100 a fogachos.
Os distritos mais afectados por incêndios florestais (área ardida superior a um hectare) são Braga (567), Porto (511) e Viseu (381). Relativamente a fogachos, em que a área ardida é inferior a um hectare, os valores mais elevados verificam-se nos distritos do Porto (3.346), Braga (2.365) e Aveiro (1.427).
Desde Janeiro já se registaram 108 grandes incêndios (área igual ou superior a 100 hectares), que queimaram 85 134 hectares, valor correspondente a 80 por cento da área ardida total - 106.089 hectares.
A dirigente partidária falava, na passada semana, no final de uma reunião entre uma delegação da Direcção Nacional do Partido Ecologista «Os Verdes», a autarquia de São Brás de Alportel e a Direcção da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, no âmbito de uma visita às zonas algarvias fustigadas este ano pelos fogos.
Segundo Manuela Cunha, os números relativos à área ardida na serra do Caldeirão apontados por aquela associação divergem em muito dos número oficias apresentados pela associação de produtores. «Os números apresentados pela associação de produtores florestais e pelo Ministério da Agricultura não coincidem», disse, acrescentando que «não se está a falar de diferenças de um ou dois hectares, mas sim de milhares».
A ecologista disse ainda considerar estranho que em 2003 tenha sido atribuído o estatuto de calamidade pública à região e que, este ano, em que os fogo «atingiram uma zona muito mais extensa e tiveram maior impacto económico e ambiental», a decisão tenha sido contrária.
«Acho muito estranho como é que no ano passado o Governo decidiu declarar o estado de calamidade quando a área ardida em questão era bem menor», afirma, salientando que «ninguém está a inflaccionar dados» e que os argumentos invocados pelo Governo PSD/CDS-PP são «ridículos».
DGRC apresenta relatório
Faro, Beja e Vila Real continuam a ser os distritos mais devastados pelos incêndios, com mais de metade da área ardida do País, desde o início do ano, segundo a Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRC).
Entre o primeiro dia do ano e 22 de Agosto, o fogo consumiu, só nestas áreas, 54330 hectare, 30 552 em Faro, 12 945 em Beja, e 10 833 em Vila Real, enquanto a área ardida total atingiu os 106 089 hectares.
Entretanto, de acordo com o 9.º relatório provisório da DGRF, no período de 16 a 22 de Agosto registaram-se 205 ocorrências, responsáveis por 107 hectares da área ardida.
Desde o início do ano, apuraram-se 16 541 ocorrências (situações de incêndio, queimada ou falso alarme a que bombeiros acorreram), das quais 3441 correspondem a incêndios florestais e 13100 a fogachos.
Os distritos mais afectados por incêndios florestais (área ardida superior a um hectare) são Braga (567), Porto (511) e Viseu (381). Relativamente a fogachos, em que a área ardida é inferior a um hectare, os valores mais elevados verificam-se nos distritos do Porto (3.346), Braga (2.365) e Aveiro (1.427).
Desde Janeiro já se registaram 108 grandes incêndios (área igual ou superior a 100 hectares), que queimaram 85 134 hectares, valor correspondente a 80 por cento da área ardida total - 106.089 hectares.