É só rir...
O Governo de Santana Lopes ainda não fez 15 dias de vida e já entrou directamente para o anedotário nacional. A fartura do disparate é tanta e tão óbvia, que a generalidade dos comentadores – com pendão e caldeira nas páginas dos jornais, microfones e ecrãs ou erráticas prestações em qualquer publicação a jeito, que é como quem diz dos encartados aos amadores –, todos à uma, mudaram radicalmente de agulha e têm gargalhado o mais que podem e o talento lhes permite.
Quanto à mudança radical de agulha, esclareça-se e recorde-se que, no longo e aziago compasso de espera imposto há apenas cerca de um mês pela «reflexão presidencial» sobre a convocação, ou não, de eleições, a maioria dos tais comentadores e dos respectivos órgãos de comunicação social onde prosperam (salvo honrosas excepções) se aplicaram na defesa nada subtil da «manutenção da actual maioria».
Agora – que remédio... – riem-se com o resultado.
Apesar de todo o País já se haver abundantemente divertido com os acontecimentos, não é demais resumi-los e registá-los, para que conste.
Como não podia deixar de ser, tudo gira à volta de Pedro Santana Lopes – o que por si pode explicar a razão de o novo Executivo estar saturado de amigos de Santana e minguado de quadros prestigiados do PSD: o excesso dele próprio em todo o lado certamente atraiu os primeiros e alvoroçou os segundos.
O que fez o Primeiro Lopes?
Prometeu um Governo com menos ministros e menos secretários de Estado e apresentou um Governo com mais ministros e mais secretários de Estado; propôs dois ministérios e uma secretaria de Estado a «descentralizar» para longe da capital e a coisa já está reduzida (até ver...) à «deslocalização» de alguns serviços de umas secretarias de Estado, algures para seis cidades do interior; sugeriu «conselhos de ministros em videoconferência» e transmutou a ideia na instalação no Porto de um «gabinete do Primeiro-ministro» e por aí fora, em apenas 15 dias.
Mas não se ficou por aqui, a paródia gerada pelo Governo de Pedro Santana Lopes: os próprios actos de posse – e foram dois, um para o Governo do Primeiro-ministro com ministros, outro para o Governo dos ministros com secretários de Estado – desencadearam uma fonte quase tão inesgotável como inenarrável de acontecimentos.
Ele foi o próprio Primeiro-ministro a saltar páginas de discurso ao ponto de se enganar no que estava a ler, ele foi o «ministro de Estado e da Defesa» e segundo parceiro na chefia do Governo, Paulo Portas, a arregalar os olhos de surpresa quando ouviu ser anunciado o seu nome também como «ministro do Mar», ele foi o discurso heróico do mesmo Paulo Portas a proclamar, estentóreo, que «pela primeira vez uma mulher, filha e neta de militares, ia ser secretária de Estado da Defesa» para a referida, Teresa Caeiro de seu nome, em menos de uma hora e em plena investidura, ser mudada por Santana Lopes para «secretária de Estado das Artes e Espectáculos», sem esclarecimentos nem contemplações pelo seu imponente currículo de «filha e neta de militares», e etc. por aí fora.
Tudo isto é compactamente ridículo, mas não o pior.
Verdadeiramente dramático é este Governo construído no mais desbragado oportunismo político, feito à medida para satisfazer a voracidade de óbvios interesses privados e a cupidez de um agora enorme bando de vassalos. Tudo à custa do País.
Era esta a «estabilidade» escolhida por Jorge Sampaio?
Quanto à mudança radical de agulha, esclareça-se e recorde-se que, no longo e aziago compasso de espera imposto há apenas cerca de um mês pela «reflexão presidencial» sobre a convocação, ou não, de eleições, a maioria dos tais comentadores e dos respectivos órgãos de comunicação social onde prosperam (salvo honrosas excepções) se aplicaram na defesa nada subtil da «manutenção da actual maioria».
Agora – que remédio... – riem-se com o resultado.
Apesar de todo o País já se haver abundantemente divertido com os acontecimentos, não é demais resumi-los e registá-los, para que conste.
Como não podia deixar de ser, tudo gira à volta de Pedro Santana Lopes – o que por si pode explicar a razão de o novo Executivo estar saturado de amigos de Santana e minguado de quadros prestigiados do PSD: o excesso dele próprio em todo o lado certamente atraiu os primeiros e alvoroçou os segundos.
O que fez o Primeiro Lopes?
Prometeu um Governo com menos ministros e menos secretários de Estado e apresentou um Governo com mais ministros e mais secretários de Estado; propôs dois ministérios e uma secretaria de Estado a «descentralizar» para longe da capital e a coisa já está reduzida (até ver...) à «deslocalização» de alguns serviços de umas secretarias de Estado, algures para seis cidades do interior; sugeriu «conselhos de ministros em videoconferência» e transmutou a ideia na instalação no Porto de um «gabinete do Primeiro-ministro» e por aí fora, em apenas 15 dias.
Mas não se ficou por aqui, a paródia gerada pelo Governo de Pedro Santana Lopes: os próprios actos de posse – e foram dois, um para o Governo do Primeiro-ministro com ministros, outro para o Governo dos ministros com secretários de Estado – desencadearam uma fonte quase tão inesgotável como inenarrável de acontecimentos.
Ele foi o próprio Primeiro-ministro a saltar páginas de discurso ao ponto de se enganar no que estava a ler, ele foi o «ministro de Estado e da Defesa» e segundo parceiro na chefia do Governo, Paulo Portas, a arregalar os olhos de surpresa quando ouviu ser anunciado o seu nome também como «ministro do Mar», ele foi o discurso heróico do mesmo Paulo Portas a proclamar, estentóreo, que «pela primeira vez uma mulher, filha e neta de militares, ia ser secretária de Estado da Defesa» para a referida, Teresa Caeiro de seu nome, em menos de uma hora e em plena investidura, ser mudada por Santana Lopes para «secretária de Estado das Artes e Espectáculos», sem esclarecimentos nem contemplações pelo seu imponente currículo de «filha e neta de militares», e etc. por aí fora.
Tudo isto é compactamente ridículo, mas não o pior.
Verdadeiramente dramático é este Governo construído no mais desbragado oportunismo político, feito à medida para satisfazer a voracidade de óbvios interesses privados e a cupidez de um agora enorme bando de vassalos. Tudo à custa do País.
Era esta a «estabilidade» escolhida por Jorge Sampaio?