PODRIDÃO
Os EUA são responsáveis pela morte de milhões de vietnamitas
A Câmara de Representantes dos EUA acaba de aprovar, por 323 votos contra 45, sanções económicas contra o Vietname. Um dos promotores desta decisão declarou: «o Vietname tem de sair da idade das trevas da repressão, da brutalidade e do abuso, e abraçar a liberdade, o estado de direito e o respeito pelos direitos humanos fundamentais» (Associated Press, 19.7.04). As sanções que os parlamentares (Republicanos e Democratas) querem impor ao Vietname são o cúmulo da falta de vergonha. Os EUA são responsáveis pela morte de milhões de vietnamitas, numa das mais criminosas guerras de agressão das últimas décadas. Utilizaram contra o povo vietnamita colossais quantidades de armas de toda a espécie. Incluíndo as tais armas de destruição massiva, como o Agente Laranja, cujas consequências ainda hoje se fazem sentir sob a forma de milhares de vítimas de malformações congénitas e no envenenamento de vastas zonas do país. A repressão, feita directamente pelas tropas de ocupação dos EUA, ou por interpostos regimes ditatoriais, foi responsável por centenas de milhares de mortos e torturados. Os nomes do Programa Phoenix ou da prisão de Con Son são disso simbólicos. Que descaramento falar agora em sanções ao Vietname libertado por «repressão, brutalidade e abusos»!
Mas o descaramento não está apenas no passado. O conceituado jornalista Seymour Hersh, da revista New Yorker, falou recentemente das prisões iraquianas perante o Congresso Anual da União Americana das Liberdades Cívicas (ACLU): «Vocês não conhecem algumas das piores coisas que lá aconteceram, OK? Estão gravadas em vídeo. [...] Há mulheres que transmitem mensagens para fora da prisão a implorar que as venham matar, por causa daquilo que lá se passou. E, basicamente o que aconteceu é que mulheres foram presas com jovens rapazes, crianças. E há casos, que estão gravados, desses rapazes a serem sodomizados, com as câmaras a filmar. O pior é o som dos gritos desses rapazes». Seymour Hersh é um dos mais respeitados e bem informados jornalistas dos EUA. Ganhou o mais importante prémio de jornalismo dos EUA, o Pulitzer, pelas suas denúncias do massacre norte-americano na aldeia vietnamita de My Lai. Mas estas suas declarações perante a (igualmente famosa) ACLU não foram reproduzidas por nenhum dos principais órgãos de informação. Têm medo da sua própria podridão.
Igualmente ignorada foi esta notícia do jornal australiano Sidney Morning Herald (17.7.04): «Iyad Allawi, o novo Primeiro Ministro do Iraque, puxou da pistola e executou seis alegados insurrectos numa esquadra da polícia de Bagdade [...] de acordo com duas pessoas que afirmam ter testemunhado as execuções». As execuções sumárias, feitas na presença de quatro americanos, mereceram, segundo as testemunhas, os parabéns do “Ministro do Interior” iraquiano. «Uma das testemunhas afirmou que antes de matar os presos, o Dr. Allawi disse aos que o rodeavam que queria enviar um sinal claro à polícia sobre como se devia lidar com os insurrectos». Naturalmente que o “Dr. Allawi” nega tudo. Mas é conhecido o seu envolvimento em crimes anteriores, quer quando estava ao serviço de Saddam Hussein, quer quando se virou contra ele (mas sempre, sempre, ao serviço dos EUA). Chegará o dia em que também o “Dr. Allawi” deixará de ser útil aos mafiosos que governam nos EUA. Talvez então oiçamos a confirmação desta notícia.
E há ainda a notícia de que o governo dos EUA encomendou legislação especial que lhe permitirá suspender o processo eleitoral em caso de “grave ataque terrorista”, ao mesmo tempo que o director da CIA, John McLaughlin, afirma ter «informações muito, muito sólidas» de que terroristas preparam «algo em grande escala» contra os EUA. Não são de subestimar os perigos de que uma classe dirigente criminosa e aventureirista possa jogar a cartada da provocação pré-eleitoral para reafirmar o seu poder na maior potência imperialista do planeta.
Mas o descaramento não está apenas no passado. O conceituado jornalista Seymour Hersh, da revista New Yorker, falou recentemente das prisões iraquianas perante o Congresso Anual da União Americana das Liberdades Cívicas (ACLU): «Vocês não conhecem algumas das piores coisas que lá aconteceram, OK? Estão gravadas em vídeo. [...] Há mulheres que transmitem mensagens para fora da prisão a implorar que as venham matar, por causa daquilo que lá se passou. E, basicamente o que aconteceu é que mulheres foram presas com jovens rapazes, crianças. E há casos, que estão gravados, desses rapazes a serem sodomizados, com as câmaras a filmar. O pior é o som dos gritos desses rapazes». Seymour Hersh é um dos mais respeitados e bem informados jornalistas dos EUA. Ganhou o mais importante prémio de jornalismo dos EUA, o Pulitzer, pelas suas denúncias do massacre norte-americano na aldeia vietnamita de My Lai. Mas estas suas declarações perante a (igualmente famosa) ACLU não foram reproduzidas por nenhum dos principais órgãos de informação. Têm medo da sua própria podridão.
Igualmente ignorada foi esta notícia do jornal australiano Sidney Morning Herald (17.7.04): «Iyad Allawi, o novo Primeiro Ministro do Iraque, puxou da pistola e executou seis alegados insurrectos numa esquadra da polícia de Bagdade [...] de acordo com duas pessoas que afirmam ter testemunhado as execuções». As execuções sumárias, feitas na presença de quatro americanos, mereceram, segundo as testemunhas, os parabéns do “Ministro do Interior” iraquiano. «Uma das testemunhas afirmou que antes de matar os presos, o Dr. Allawi disse aos que o rodeavam que queria enviar um sinal claro à polícia sobre como se devia lidar com os insurrectos». Naturalmente que o “Dr. Allawi” nega tudo. Mas é conhecido o seu envolvimento em crimes anteriores, quer quando estava ao serviço de Saddam Hussein, quer quando se virou contra ele (mas sempre, sempre, ao serviço dos EUA). Chegará o dia em que também o “Dr. Allawi” deixará de ser útil aos mafiosos que governam nos EUA. Talvez então oiçamos a confirmação desta notícia.
E há ainda a notícia de que o governo dos EUA encomendou legislação especial que lhe permitirá suspender o processo eleitoral em caso de “grave ataque terrorista”, ao mesmo tempo que o director da CIA, John McLaughlin, afirma ter «informações muito, muito sólidas» de que terroristas preparam «algo em grande escala» contra os EUA. Não são de subestimar os perigos de que uma classe dirigente criminosa e aventureirista possa jogar a cartada da provocação pré-eleitoral para reafirmar o seu poder na maior potência imperialista do planeta.