Coração e olhos no 15 de Agosto
Dentro de dias, decorrerá o referendo revogatório presidencial. A luta entre o «Sim» – oposição – e o «Não» – bolivarianos – entra na sua etapa final, com sondagens para todos os gostos, incluindo algumas de empresas ligadas à oposição e que admitem uma vitória chavista. Não é nosso forte a futurologia, mas devemos assinalar alguns elementos que ajudem a entender o que pode suceder nos próximos dias, que podem ser explosivos em votos e não só.
Bush não desarma e se meteu a mão no golpe de Abril de 2002, no lock-out de Dez 02/Fev 03; se financia descarada ou mais ou menos sorrateiramente a oposição venezuelana; porquê não botar palavra sobre o referendo? Com a «legitimidade» de ser o presidente (derrotado nas urnas) do país mais poderoso do mundo, ou a de inventar pretextos para iniciar uma guerra com milhares de mortes só por causa do petróleo iraquiano, acaba de falar ex catedra sobre a Venezuela, que igualmente tem petróleo aos montes e está no seu quintal traseiro.
No dia 20 de Julho a oposição oligárquica festejou que o «seu» presidente tenha exigido um revogatório «transparente» e também «honesto». O problema é que o que soe ser «transparente» e «honesto» para o império não o é para o resto do mundo. Por outro lado, o sócio da família de Ben Laden parece esquecer que a consulta venezuelana será observada à lupa: ONU, OEA, várias personalidades mundiais e provavelmente pela UE.
Entretanto, a Câmara de Representantes dos EUA já aprovou uma emenda – em relação às eleições de 2 de Novembro – para que nenhum representante oficial solicite una observação da ONU, durante as mesmas. Isto talvez porque Corrine Brown (democrata) se tenha referido à «vitória» de Bush em 2000 como um «golpe de Estado» e queira uma verificação do mundo para que a barraca daquela agónica contagem de votos não se repita.
Fugir com o rabo à seringa
Tal como quando da recolha de assinaturas para convocar o referendo, o governo bolivariano repete, outra vez, que reconhecerá o resultado da nova consulta. Há poucos dias, o vice-presidente da República propôs à oposição a assinatura de um acordo para a aceitação dos resultados do referendo. Ainda não tinha dito a última palavra e já os líderes mais mediáticos dos antibolivarianos respondiam que com um não rotundo e que só se sentariam à mesa no dia 16… ou seja depois de conhecidos os resultados!
A percepção de qualquer observador atento é que a oposição se prepara para desconhecer qualquer final desfavorável e voltará ao de sempre: às lutas legais e ilegais para tratar de tornar o país ingovernável.
Definitivamente, o referendo não é o que quer a reacção venezuelana…
Pérez fala claro
«A saída (de Chávez) não será eleitoral e pacífica, mas sim violenta». É deste modo que o ex presidente Andrés Pérez, que não terminou o mandato anterior porque foi destituído por corrupção, se refere, desde Miami, ao 15 de Agosto. Quem fora eleito presidente por duas vezes, não acredita agora nos votos, e para ele o «15A não resolverá nada», já que a figura do referendo «não é consubstancial com a idiossincrasia latino-americana».
Como outros oposicionistas intimamente ligados a Washington, Pérez acha – agora – que o lock-out, que custou 11 mil milhões de dólares à economia venezuelana, foi um «erro», e aos seus 84 anos confessa que está «a trabalhar para derrubar Chávez (pela) via violenta. É a única que temos».
Com esta confissão de que pelos votos não chega lá, Pérez, responsável por vários milhares de mortos, mantém-se fiel aos seus princípios e fecha a entrevista afirmando que «Chávez deve morrer como um cão; merece-o, com o perdão desses nobres animais».
Oposição à beira de um ataque de nervos
A eloquência do naco anterior seria digna de encerrar esta nota.
Mas impõem-se algumas informações adicionais. Na falta de votos, a oposição está disposta a usar argumentos mais contundentes. Enquanto se aproxima o 15A, as autoridades informam de várias situações inquietantes: 68 kg do explosivo C4 desaparecem de uma base naval relativamente perto da capital; dias depois, indivíduos com fardas militares assaltam um posto de vigilância numa instalação petrolífera e roubam armas de guerra; no dia seguinte, os serviços de inteligência descobrem 90 caixas com 2000 kg de TNT e 5500 detonantes numa propriedade rural perto de Caracas. Por outro lado, além dos paramilitares colombianos já detectados, sabe-se que a sua presença na fronteira aumentou repentinamente.
A possibilidade da derrota põe-lhes os nervos de ponta.
Bush não desarma e se meteu a mão no golpe de Abril de 2002, no lock-out de Dez 02/Fev 03; se financia descarada ou mais ou menos sorrateiramente a oposição venezuelana; porquê não botar palavra sobre o referendo? Com a «legitimidade» de ser o presidente (derrotado nas urnas) do país mais poderoso do mundo, ou a de inventar pretextos para iniciar uma guerra com milhares de mortes só por causa do petróleo iraquiano, acaba de falar ex catedra sobre a Venezuela, que igualmente tem petróleo aos montes e está no seu quintal traseiro.
No dia 20 de Julho a oposição oligárquica festejou que o «seu» presidente tenha exigido um revogatório «transparente» e também «honesto». O problema é que o que soe ser «transparente» e «honesto» para o império não o é para o resto do mundo. Por outro lado, o sócio da família de Ben Laden parece esquecer que a consulta venezuelana será observada à lupa: ONU, OEA, várias personalidades mundiais e provavelmente pela UE.
Entretanto, a Câmara de Representantes dos EUA já aprovou uma emenda – em relação às eleições de 2 de Novembro – para que nenhum representante oficial solicite una observação da ONU, durante as mesmas. Isto talvez porque Corrine Brown (democrata) se tenha referido à «vitória» de Bush em 2000 como um «golpe de Estado» e queira uma verificação do mundo para que a barraca daquela agónica contagem de votos não se repita.
Fugir com o rabo à seringa
Tal como quando da recolha de assinaturas para convocar o referendo, o governo bolivariano repete, outra vez, que reconhecerá o resultado da nova consulta. Há poucos dias, o vice-presidente da República propôs à oposição a assinatura de um acordo para a aceitação dos resultados do referendo. Ainda não tinha dito a última palavra e já os líderes mais mediáticos dos antibolivarianos respondiam que com um não rotundo e que só se sentariam à mesa no dia 16… ou seja depois de conhecidos os resultados!
A percepção de qualquer observador atento é que a oposição se prepara para desconhecer qualquer final desfavorável e voltará ao de sempre: às lutas legais e ilegais para tratar de tornar o país ingovernável.
Definitivamente, o referendo não é o que quer a reacção venezuelana…
Pérez fala claro
«A saída (de Chávez) não será eleitoral e pacífica, mas sim violenta». É deste modo que o ex presidente Andrés Pérez, que não terminou o mandato anterior porque foi destituído por corrupção, se refere, desde Miami, ao 15 de Agosto. Quem fora eleito presidente por duas vezes, não acredita agora nos votos, e para ele o «15A não resolverá nada», já que a figura do referendo «não é consubstancial com a idiossincrasia latino-americana».
Como outros oposicionistas intimamente ligados a Washington, Pérez acha – agora – que o lock-out, que custou 11 mil milhões de dólares à economia venezuelana, foi um «erro», e aos seus 84 anos confessa que está «a trabalhar para derrubar Chávez (pela) via violenta. É a única que temos».
Com esta confissão de que pelos votos não chega lá, Pérez, responsável por vários milhares de mortos, mantém-se fiel aos seus princípios e fecha a entrevista afirmando que «Chávez deve morrer como um cão; merece-o, com o perdão desses nobres animais».
Oposição à beira de um ataque de nervos
A eloquência do naco anterior seria digna de encerrar esta nota.
Mas impõem-se algumas informações adicionais. Na falta de votos, a oposição está disposta a usar argumentos mais contundentes. Enquanto se aproxima o 15A, as autoridades informam de várias situações inquietantes: 68 kg do explosivo C4 desaparecem de uma base naval relativamente perto da capital; dias depois, indivíduos com fardas militares assaltam um posto de vigilância numa instalação petrolífera e roubam armas de guerra; no dia seguinte, os serviços de inteligência descobrem 90 caixas com 2000 kg de TNT e 5500 detonantes numa propriedade rural perto de Caracas. Por outro lado, além dos paramilitares colombianos já detectados, sabe-se que a sua presença na fronteira aumentou repentinamente.
A possibilidade da derrota põe-lhes os nervos de ponta.