Sempre à janela
No rescaldo do 1º de Maio, cremos sinceramente que seria uma injustiça e mesmo uma falha grave no nosso acompanhamento da realidade, perdão, da falta de vergonha se aqui não registássemos algumas gloriosas declarações de João Proença, secretário-geral da UGT, ali para as bandas da Torre de Belém.
Com efeito, segundo o «DN», João Proença terá afirmado que, apesar da UGT ter firmado o documento com o Governo e a CIP, «este não é o Código (laboral) defendido pela UGT» e isto «porque precariza, desregula e aposta na relação individual de trabalho».
Mais: João Proença também não esteve com meias medidas e reclamou pungentemente que o Presidente da República opte pela fiscalização preventiva do pacote laboral porque, disse ele, «contém inconstitucionalidades», coisa que qualquer pessoa reparará a que finge dar muita importância agora mas a que não deu importância nenhuma quando se tratou de negociar e dar o seu acordo a esta legislação de retrocesso e injustiça.
Quem, pelo contrário ou talvez não, está muito preocupada com o atraso que a referida fiscalização preventiva pode trazer à entrada em vigor do pacote laboral é a directora do «Independente», Inês Serra Lopes, que em 2 de Maio, numa daquelas prosas que transpiram um certo e apurado espirito de classe, veio achar que «a flexibilização da lei laboral» seria «imprescindível para a criação de emprego e para o desenvolvimento económico».
A directora do «Independente», em estrita coerência como o reaccionarismo mal envernizado que povoa a maior parte dos textos do seu jornal, veio ainda opinar que «a culpa é geracional» pois «centrais sindicais, partidos políticos e sociedade civil continuam, em Portugal, reféns das supostas conquistas de Abril» e que «por cada passo na evolução para uma democracia descomplexada há portagens a pagar aos donos de Abril».
E, para concluir como era inevitável que concluísse, Inês Serra Lopes refere inocentemente que «a CGTP passou ontem debaixo da minha janela» e que «todos os anos vejo passar os cada vez mais magros desfiles de trabalhadores quando fechamos a edição que há-de sair depois do dia 1 de Maio».
Aqui chegados, podíamos perguntar se, em dia de fecho de edição ou não, a directora do «Independente» se dedica mesmo a cronometrar todos anos a duração do desfile da CGTP na Almirante Reis ou se, pelo contrário, a alegada crescente magreza dos desfiles é apenas filha das suas ideias feitas.
Mas não vale a pena. Porque salta à vista que o maior problema da directora do «Independente» é que deve estar sempre à janela de um qualquer 8º andar e nunca desce ao rés-do-chão da realidade do mundo do trabalho e dos seus problemas, dramas e aspirações.
Com efeito, segundo o «DN», João Proença terá afirmado que, apesar da UGT ter firmado o documento com o Governo e a CIP, «este não é o Código (laboral) defendido pela UGT» e isto «porque precariza, desregula e aposta na relação individual de trabalho».
Mais: João Proença também não esteve com meias medidas e reclamou pungentemente que o Presidente da República opte pela fiscalização preventiva do pacote laboral porque, disse ele, «contém inconstitucionalidades», coisa que qualquer pessoa reparará a que finge dar muita importância agora mas a que não deu importância nenhuma quando se tratou de negociar e dar o seu acordo a esta legislação de retrocesso e injustiça.
Quem, pelo contrário ou talvez não, está muito preocupada com o atraso que a referida fiscalização preventiva pode trazer à entrada em vigor do pacote laboral é a directora do «Independente», Inês Serra Lopes, que em 2 de Maio, numa daquelas prosas que transpiram um certo e apurado espirito de classe, veio achar que «a flexibilização da lei laboral» seria «imprescindível para a criação de emprego e para o desenvolvimento económico».
A directora do «Independente», em estrita coerência como o reaccionarismo mal envernizado que povoa a maior parte dos textos do seu jornal, veio ainda opinar que «a culpa é geracional» pois «centrais sindicais, partidos políticos e sociedade civil continuam, em Portugal, reféns das supostas conquistas de Abril» e que «por cada passo na evolução para uma democracia descomplexada há portagens a pagar aos donos de Abril».
E, para concluir como era inevitável que concluísse, Inês Serra Lopes refere inocentemente que «a CGTP passou ontem debaixo da minha janela» e que «todos os anos vejo passar os cada vez mais magros desfiles de trabalhadores quando fechamos a edição que há-de sair depois do dia 1 de Maio».
Aqui chegados, podíamos perguntar se, em dia de fecho de edição ou não, a directora do «Independente» se dedica mesmo a cronometrar todos anos a duração do desfile da CGTP na Almirante Reis ou se, pelo contrário, a alegada crescente magreza dos desfiles é apenas filha das suas ideias feitas.
Mas não vale a pena. Porque salta à vista que o maior problema da directora do «Independente» é que deve estar sempre à janela de um qualquer 8º andar e nunca desce ao rés-do-chão da realidade do mundo do trabalho e dos seus problemas, dramas e aspirações.