O cobrador
Se na cimeira das Lajes de triste memória - a tal que Durão disse ser a «última oportunidade para a paz» e foi afinal a da confirmação da guerra -, o primeiro-ministro teve oportunidade de mostrar os seus dotes de mordomo anfitrião, já Paulo Portas esteve longe da ribalta, sem missão a cumprir que registasse para a posteridade a sua participação no evento.
Em boa verdade o ministro da Defesa anda algo afastado dos palcos nacionais, que não das notícias, mas não se pense que o facto se deve a eventuais apoquentações com as modernices que ocupam de momento os tribunais do País. Nada disso. O que se passa é que Portas se afastou dos pesados ares da capital para brilhar nas arejadas instalações políticas de Washington, onde pecadilhos maiores ou menores não afectam a governação.
Ao que tudo indica, o ministro desempenhou a contento a tarefa de que foi incumbido.
«Recordei que Portugal é membro da coligação desde o princípio, que Portugal foi um bom aliado dos seus aliados, que agora, que cessaram as hostilidades militares, é bom que se saiba no plano interno e externo que Portugal está em linha com o sentido da História e faz parte do grupo vencedor» - declarou o ministro após reuniões com o secretário da Defesa, Ronald Rumsfeld, e o vice-presidente, Dick Cheney.
Traduzindo por miúdos, querem aquelas afirmações dizer que Portas, qual cobrador de fraque, foi aos EUA para uma cobrança difícil, a saber, como o próprio disse, conseguir que os amigos americanos paguem a vassalagem portuguesa com «uma visibilidade adequada nos tempos de reconstrução» do Iraque.
O ministro não entrou em pormenores quanto à forma de pagamento. «Limitei-me a transmitir um sinal claro sobre a vontade e disponibilidade do País», disse Portas.
Cheney e Rumsfeld devem ter apreciado a humildade portuguesa. E se porventura tinham esquecido quem era o tal Portas, não terá faltado quem lhes lembrasse o comando da NATO em Oeiras, actualmente a cargo de um vice-almirante português mas que os EUA querem substituir por um norte-americano no âmbito da remodelação da Aliança Atlântica. É ainda possível que alguém falasse nas três fragatas Perry prometidas a Portugal. A ver vamos, terão dito as proeminentes figuras da política norte-americana. Portas rejubilou e partiu como chegou, de mão estendida, e infinitamente grato por ter cumprimentado dois falcões ao lado de quem só pode ser considerado um menino de coro. Deus é grande!
Em boa verdade o ministro da Defesa anda algo afastado dos palcos nacionais, que não das notícias, mas não se pense que o facto se deve a eventuais apoquentações com as modernices que ocupam de momento os tribunais do País. Nada disso. O que se passa é que Portas se afastou dos pesados ares da capital para brilhar nas arejadas instalações políticas de Washington, onde pecadilhos maiores ou menores não afectam a governação.
Ao que tudo indica, o ministro desempenhou a contento a tarefa de que foi incumbido.
«Recordei que Portugal é membro da coligação desde o princípio, que Portugal foi um bom aliado dos seus aliados, que agora, que cessaram as hostilidades militares, é bom que se saiba no plano interno e externo que Portugal está em linha com o sentido da História e faz parte do grupo vencedor» - declarou o ministro após reuniões com o secretário da Defesa, Ronald Rumsfeld, e o vice-presidente, Dick Cheney.
Traduzindo por miúdos, querem aquelas afirmações dizer que Portas, qual cobrador de fraque, foi aos EUA para uma cobrança difícil, a saber, como o próprio disse, conseguir que os amigos americanos paguem a vassalagem portuguesa com «uma visibilidade adequada nos tempos de reconstrução» do Iraque.
O ministro não entrou em pormenores quanto à forma de pagamento. «Limitei-me a transmitir um sinal claro sobre a vontade e disponibilidade do País», disse Portas.
Cheney e Rumsfeld devem ter apreciado a humildade portuguesa. E se porventura tinham esquecido quem era o tal Portas, não terá faltado quem lhes lembrasse o comando da NATO em Oeiras, actualmente a cargo de um vice-almirante português mas que os EUA querem substituir por um norte-americano no âmbito da remodelação da Aliança Atlântica. É ainda possível que alguém falasse nas três fragatas Perry prometidas a Portugal. A ver vamos, terão dito as proeminentes figuras da política norte-americana. Portas rejubilou e partiu como chegou, de mão estendida, e infinitamente grato por ter cumprimentado dois falcões ao lado de quem só pode ser considerado um menino de coro. Deus é grande!