A prepotência da requisição civil no Metro

Luta acesa nos transportes

Os trabalhadores dos transportes de Lisboa estão confrontados com a prepotência do Governo. No Metro foi decretada a requisição civil. Também na Carris, na Rodoviária e na Soflusa, a luta continua.

ameaça de requisição civil prova da unidade dos trabalhadores na luta

Na Carris realizou-se ontem a terceira greve durante o Euro 2004. Foi a 24ª. paragem de protesto desde que se deram alterações de horários e nas rendições, e que o Governo avançou com a tentativa de municipalização da empresa, considerada pelos trabalhadores com o primeiro passo para a privatização da histórica transportadora de Lisboa.
No dia 22, os sindicatos mais representativos da Carris e do Metropolitano tiveram um encontro com o ministro adjunto da presidência, José Luís Arnault.
Diamantino Lopes em nome dos trabalhadores do Metro e Luisa Bota em representação dos trabalhadores da Carris concluíram que o Governo não pretendia resolver os problemas dos trabalhadores mas apenas convencer as suas estruturas a acatar a vontade do Governo de ver desconvocadas as paragens durante o campeonato.
Na altura, a dirigente Luisa Bota era peremptória: «só ponderariamos suspender a greve se o Conselho de Administração – da Carris – respondesse afirmativamente.»
A forte adesão à paragem de dia 20, deu prova de uma coesão e unidade dificilmente abalável, embora, como recorda a Festru, não tenha causado qualquer transtorno aos visitantes do Euro, uma vez que a Carris assegurou sempre os transporte dos adeptos.
No dia 24, a Festru dava conta de nova adesão de 80 por cento. Dia 4, realiza-se nova paragem de 24 horas.

Requisição no Metro

No mesmo dia 24, o Conselho de Ministros deu o aval para a requisição civil no Metropolitano de Lisboa..
A Festru tomou apenas conhecimento da requisição através da comunicação social, na véspera da greve agendada para dia 25. Classificou-a de «prepotente e reveladora da pouca consideração que lhe merecem os problemas dos trabalhadores», além de ter suscitado, de imediato, «sérias dúvidas sobre a sua legalidade».
Em causa está o AE, cuja negociação, segundo a federação, tem sido recusada pela administração «que pretende pôr em causa os direitos por ele abrangidos». Não é cumprido um protocolo assinado pelo Conselho de Gerência sobre horários e o desempenho de funções dos operadores de linha.
A Festru propôs aos trabalhadores que acatassem a requisição civil, embora saliente que os motivos para a marcação das greves continuam por resolver, pelo que não fica sanado o conflito laboral. Os trabalhadores vão continuar a lutar pelos seus legítimos direitos, salientou o sindicato.

Rodoviária pára hoje

A Rodoviária de Lisboa realiza hoje 24 horas de paragem, a partir das 3 horas da manhã, por aumentos salariais dignos que tenham em conta os ganhos de produtividade e da inflação e por a administração continuar a não respeitar os direitos dos trabalhadores, revelou a Festru.
Já tinham parado no dia 24 e têm outra greve agendada para 4 de Julho.
A primeira das três greves, segundo a Festru, registou uma adesão de 80 por cento.
Segundo Vítor Pereira, dirigente da Festru, a greve é o protesto contra a forma como a administração tem bloqueado a contratação colectiva, as más condições de trabalho, a falta de informação atempada aos trabalhadores de alterações aos seus horários e a defesa dos postos de trabalho.

Soflusa

A travessia fluvial entre o Barreiro e Lisboa foi afectada pelos dois períodos de greve decretados no dia 25, tendo-se registado uma mais forte adesão no turno entre as 14 e as 18 horas.
José Manuel Oliveira, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, revelou à Lusa que entre as 14 e as 16 horas circularam apenas metade das carreiras habituais. Convocada pelos quatro sindicatos do sector, o protesto reivindicou a revisão do AE, a alteração das escalas de serviço e a manutenção dos postos de trabalho e da segurança a bordo, uma vez que com a entrada de sete novos catamarãs em Maio passado, a administração pretende reduzir dois membros de cada tripulação. Os trabalhadores exigem ainda um aumento salarial na ordem dos 5,5 por cento.

A bomba atómica

«Arrogância» foi o termo utilizado pelo PCP para classificar a requisição civil decretada aos trabalhadores do Metro de Lisboa.
Segundo o deputado comunista, Bernardino Soares, o recurso à requisição «é a bomba atómica dos arrogantes», sublinhando que o Governo nada fez para analisar as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.
Segundo a Direcção Regional de Lisboa do PCP, a requisição «é mais uma manifestação da opção do Governo pela prepotência e pelo prosseguimento e aprofundamento da política contra os trabalhadores e as populações», política que foi estrondosamente condenada nas eleições para o Parlamento europeu.
A DORL considera hipócrita e inaceitável que o Governo recorra ao «patriotismo» como forma de justificar as medidas de carácter repressivo por si tomadas e faz notar que este Governo é responsável pela redução dos salários reais dos trabalhadores, pelo aumento do desemprego, pelo Código do Trabalho e pelo aumento da precariedade.


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