Privatização da GALP

Um péssimo serviço ao País

Urge pôr fim ao processo de privatização da GALP, mantendo a empresa sob o controlo estratégico do Estado. Esta é a única maneira de defender com transparência o interesse nacional, afirma o PCP.

A GALP é um empresa estratégica para o País

A bancada comunista, que suscitou o tema no Parlamento na passada semana, não duvida mesmo que qualquer decisão privatizadora será sempre negativa para os interesses do País. E por isso, do seu ponto de vista, esta é, verdadeiramente, a questão central que deve estar na ordem do dia, muito mais do que a de saber se a opção está entre a Carlyle e o Grupo Mello, Viapetro ou CVC.
Não obstante esta última questão, que tem estado no centro da controvérsia, tenha igualmente a sua importância e constitua também um problema sério, dadas as muito pouca esclarecidas ligações entre o Governo e, designadamente, um dos concorrentes, como é o caso da Carlyle.
Falta de transparência esta que levou, aliás, os partidos da oposição a solicitar a comparência do Ministro da Economia em comissão para dar explicações, o que não foi aceite pela maioria PSD-CDS/PP.
Provocando assim o protesto, por exemplo, da bancada comunista que acusou o Governo de querer esconder dos deputados e da opinião pública as «trapalhadas, as promiscuidades e as ligações perigosas» que envolvem este negócio.
Foi nestes termos que se pronunciou, em declaração política, o seu líder parlamentar, Bernardino Soares, não escondendo a sua indignação por o Executivo chefiado por Durão Barroso «achar que a transparência de processos a que obriga o dever de prestar contas perante a Assembleia da República é inimiga dos bons negócios que se preparam na nova privatização da GALP».
E que ao evitar o debate, optando pela opacidade e pela falta de informação, tenta também, acusou ainda o presidente da bancada comunista, que se saiba como este é um processo que, a concretizar-se, «lesará gravemente o interesse nacional e comprometerá uma parte substancial da nossa já debilitada soberania económica».
Coube ainda a Bernardino Soares explicar porquê e enunciar as razões pelas quais a GALP é uma empresa estratégica para ao País. «Tem uma posição incontornável num sector decisivo para a economia nacional como é o dos combustíveis. A sua privatização significa a alienação de qualquer capacidade relevante do Estado português de intervir neste importante sector, designadamente na defesa da nossa economia. A sua actuação tem uma influência directa em toda a economia, na inflação, no custo de vida dos portugueses», sustentou, exemplificando com o aumento galopante dos preços dos combustíveis e suas consequências na vida dos portugueses e na economia nacional.
Contas feitas, para os comunistas, as privatizações têm sido uma «verdadeira Via Verde» para a passagem de importantes empresas e sectores para mão estrangeiras, ou seja, tem significado a alienação dos tão falados «centros de decisão nacionais», tantas vezes invocados pelos grandes capitalistas mas logo por estes esquecidos perante negócios onde apenas o que conta são os cifrões.
«Para alguns são como pastilha elástica que se mastiga quando é preciso e se deita fora quando já não serve», ironizou Bernardino Soares, dando como exemplo desta prática a anterior privatização de uma parte da GALP levada a cabo pelo governo do PS.
«A privatização aos tais grupos nacionais acabou na entrega rápida da sua fatia a um grupo estrangeiro – a ENI –, que concorria com a GALP no mercado da venda a retalho, embolsando 500 milhões de euros não sujeitos a impostos», recordou o líder parlamentar comunista, acrescentando que são os mesmos que então venderam que agora voltam a aparecer nalguns dos consórcios concorrentes a esta fase de privatização, chegando mesmo a invocar em seu favor a suposta garantia de manutenção de um grande grupo nacional no sector.
«É o supremo descaramento», reagiu, indignado, Bernardino Soares.

Alvo cobiçado

A GALP é uma empresa que desperta os apetites vorazes dos chamados grandes consórcios. E isso sucede pela razão simples de que se trata de uma empresa muito valiosa e com um valor estratégico na economia do País.
Identificados por Barnardino Soares foram alguns dos aspectos que lhe conferem esse valor e importância, como, por exemplo, o de ser uma empresa importante nos mercados português, espanhol, angolano e moçambicano, para além de dispor de duas refinarias com posições importantes no marcado europeu, particularmente a de Sines.
Lembrado foi também o facto de estar presente na exploração e extracção de crude, designadamente em Angola. Relevante, como não pode deixar de ser, foi, por outro lado, o ter obtido quase 250 milhões de euros de lucro em 2003, tendo aumentado a quota de mercado na venda a retalho, sem contar com a alienação do negócio do gás natural.



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