Castigar o Governo votando CDU
Intervindo no Entroncamento, o secretário-geral do PCP considerou que votar na CDU a 13 de Junho é a melhor forma de castigar o Governo e a sua política «desgraçada».
Este é um Governo de leiloeiros, que vende o País a retalho
Carlos Carvalhas acompanhou de princípio ao fim os trabalhos da sétima Assembleia da Organização Regional de Santarém do PCP, que se realizou, sábado, no Entroncamento. Para além da intervenção de encerramento, o secretário-geral do PCP tomou da palavra no almoço, que juntou 260 pessoas.
Destacando o papel dos comunistas portugueses na oposição às privatizações, Carvalhas nomeou o actual executivo de «Governo de leiloeiros», por considerar que este está a vender o País a retalho.
Lembrando o «manifesto dos 40», em que alguns dos principais empresários nacionais apelaram ao Presidente da República para que tudo fizesse para manter os «centros de decisão» em mãos de empresários portugueses, Carlos Carvalhas acusou esses empresários de terem sido os primeiros a vender a estrangeiros as suas empresas. E deu exemplos: «José Manuel de Mello vendeu a Soponata, depois de já ter vendido a Somague; o BNC, que era do Amorim, passou para os espanhóis.»
O mais recente exemplo desta política que entrega alavancas fundamentais da economia nacional ao estrangeiro é a GALP, cuja privatização se prepara. «Parece que já há um concorrente que está decidido à partida, a Carlyle, que tem ligações com a família Bush e com o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz», afirmou.
Mas, considera Carvalhas, mais do que toda a negociata de contornos pouco claros entre o Governo e este grupo, o que é verdadeiramente importante é «estarmos perante a privatização de uma empresa estratégica nacional». O secretário-geral comunista destaca que quer a GALP caia nas mãos da Carlyle ou nas de José Manuel de Mello ou da Unicer, o que «sabemos é que, a qualquer momento, estes estarão dispostos a trocar a pátria pela carteira».
Para Carvalhas, o Governo é responsável por «sermos um País cada vez mais periférico, uma espécie de região da Europa». Uma região controlada pelas transnacionais.
Tudo se liberaliza
Carlos Carvalhas considera que a culpa por Portugal ser o País mais atrasado da Europa é da política «desgraçada» que vem sendo seguida, a «chamada política neoliberal, das privatizações e das liberalizações de tudo». Referindo-se à recente liberalização do preço dos combustíveis, o secretário-geral do PCP recorda que esta foi apresentada como forma de baixar os preços dos combustíveis devido à concorrência.
Mas a verdade é outra, lembra Carvalhas. Com os preços liberalizados, as empresas petrolíferas concertaram-se e «logo no dia a seguir à liberalização» os preços aumentaram. E não mais pararam de subir. O argumento do aumento do preço do petróleo não colhe, denunciou o secretário-geral comunista, pois a valorização do euro em relação ao dólar (moeda em que e negociado o crude) compensaria este aumento. As razões são outras, bem diferentes. «Estes aumentos apenas têm explicação no cartel feito pelas empresas petrolíferas», acusou o dirigente do PCP.
A concluir, Carlos Carvalhas afirmou que esta política tem de ser condenada e derrotada. E não através de uma remodelação de ministros que deixe tudo na mesma. Para o secretário-geral do PCP, o PS defende o «cartão amarelo» porque também tem culpas na política seguida. No caso da União Europeia, Carvalhas acusa PSD, PS e PP de serem responsáveis pelas negociações das principais políticas que têm prejudicado o País (PAC, Política Comum de pescas, Pacto de Estabilidade). Para castigar o Governo, mostrando-lhe o necessário «cartão vermelho», o que há a fazer é votar naqueles «que não viram a cara às dificuldades, que lutam pelo nosso povo, é votar na CDU», desafiou o secretário-geral do PCP.
Ilda Figueiredo
«Foi o PCP que esteve ao lado da região»
A primeira candidata da CDU às eleições europeias, Ilda Figueiredo, também esteve no sábado no Entroncamento. Com outras iniciativas agendadas, a eurodeputada não participou na Assembleia, mas almoçou com os delegados e convidados da AORSA, onde fez uma intervenção.
Ilda Figueiredo começou por lembrar os impactos das políticas europeias na vida quotidiana dos portugueses. E lembrou que na definição destas políticas não são indiferentes os governos de cada país. «Quem decide as políticas fundamentais da União Europeia é o Conselho, a Comissão e o Parlamento. E quem participa no Conselho é o Governo português», realçou. Mas são também fundamentais os deputados, lembrou. E serão estes a serem eleitos no próximo dia 13 de Junho.
A provar a importância de eleger mais comunistas para o Parlamento Europeu, Ilda Figueiredo lembrou que têm sido os eleitos do PCP a desenvolver um «intenso trabalho em ligação estreita às populações». «Que outros deputados que não os comunistas vieram aqui ao distrito reunir com os agricultores, a propósito dos problemas do vinho, do tomate, da beterraba sacarina, ou das frutas e legumes?», questionou a candidata.
E quem, senão os deputados do PCP, «vieram aqui falar com os agricultores, visitar as adegas cooperativas, as zonas da floresta, quando a tragédia dos incêndios de abateu sobre o distrito?» E, lembrou, foram também os comunistas que no Parlamento Europeu lutaram por um fundo de solidariedade para Portugal e conseguiram aumentar em vários milhões de euros as verbas que vieram para o País. «É certo que os outros deputados aprovaram as propostas, mas quem esteve lá no momento decisivo a fazer essa defesa fomos nós, os deputados do PCP.».
O mesmo se passou, contou Ilda Figueiredo, com a aprovação de uma proposta para um programa específico para as indústrias do têxtil e vestuário, de forma a combater as deslocalizações e promover as marcas portuguesas. Todos aprovaram, mas foi o PCP que propôs e desenvolveu esta batalha.
Ilda Figueiredo recorda também que foram os eurodeputados comunistas a estender além-fronteiras a solidariedade com as mulheres julgadas por prática de aborto clandestino, reunindo apoios de «muitos e muitos deputados da União Europeia». E realça que o Governo, «sempre tão pronto a seguir as políticas europeias nefastas para o País», se recusou a aplicar a resolução comunitária que apontava no sentido da alteração à lei do aborto e à criação de bons serviços de saúde, onde a interrupção voluntária da gravidez pudesse ser feita em condições de segurança e dignidade.
A terminar, Ilda Figueiredo apelou à participação de todos no acto eleitoral de 13 de Junho. E lembrou que nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, a CDU não elegeu o terceiro deputado por poucos votos, bastando ter mais um voto por freguesia para eleger três. Este ano, com mais uns votos, conseguiremos eleger o terceiro deputado, «que é uma deputada, a camarada Odete Santos».
Destacando o papel dos comunistas portugueses na oposição às privatizações, Carvalhas nomeou o actual executivo de «Governo de leiloeiros», por considerar que este está a vender o País a retalho.
Lembrando o «manifesto dos 40», em que alguns dos principais empresários nacionais apelaram ao Presidente da República para que tudo fizesse para manter os «centros de decisão» em mãos de empresários portugueses, Carlos Carvalhas acusou esses empresários de terem sido os primeiros a vender a estrangeiros as suas empresas. E deu exemplos: «José Manuel de Mello vendeu a Soponata, depois de já ter vendido a Somague; o BNC, que era do Amorim, passou para os espanhóis.»
O mais recente exemplo desta política que entrega alavancas fundamentais da economia nacional ao estrangeiro é a GALP, cuja privatização se prepara. «Parece que já há um concorrente que está decidido à partida, a Carlyle, que tem ligações com a família Bush e com o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz», afirmou.
Mas, considera Carvalhas, mais do que toda a negociata de contornos pouco claros entre o Governo e este grupo, o que é verdadeiramente importante é «estarmos perante a privatização de uma empresa estratégica nacional». O secretário-geral comunista destaca que quer a GALP caia nas mãos da Carlyle ou nas de José Manuel de Mello ou da Unicer, o que «sabemos é que, a qualquer momento, estes estarão dispostos a trocar a pátria pela carteira».
Para Carvalhas, o Governo é responsável por «sermos um País cada vez mais periférico, uma espécie de região da Europa». Uma região controlada pelas transnacionais.
Tudo se liberaliza
Carlos Carvalhas considera que a culpa por Portugal ser o País mais atrasado da Europa é da política «desgraçada» que vem sendo seguida, a «chamada política neoliberal, das privatizações e das liberalizações de tudo». Referindo-se à recente liberalização do preço dos combustíveis, o secretário-geral do PCP recorda que esta foi apresentada como forma de baixar os preços dos combustíveis devido à concorrência.
Mas a verdade é outra, lembra Carvalhas. Com os preços liberalizados, as empresas petrolíferas concertaram-se e «logo no dia a seguir à liberalização» os preços aumentaram. E não mais pararam de subir. O argumento do aumento do preço do petróleo não colhe, denunciou o secretário-geral comunista, pois a valorização do euro em relação ao dólar (moeda em que e negociado o crude) compensaria este aumento. As razões são outras, bem diferentes. «Estes aumentos apenas têm explicação no cartel feito pelas empresas petrolíferas», acusou o dirigente do PCP.
A concluir, Carlos Carvalhas afirmou que esta política tem de ser condenada e derrotada. E não através de uma remodelação de ministros que deixe tudo na mesma. Para o secretário-geral do PCP, o PS defende o «cartão amarelo» porque também tem culpas na política seguida. No caso da União Europeia, Carvalhas acusa PSD, PS e PP de serem responsáveis pelas negociações das principais políticas que têm prejudicado o País (PAC, Política Comum de pescas, Pacto de Estabilidade). Para castigar o Governo, mostrando-lhe o necessário «cartão vermelho», o que há a fazer é votar naqueles «que não viram a cara às dificuldades, que lutam pelo nosso povo, é votar na CDU», desafiou o secretário-geral do PCP.
Ilda Figueiredo
«Foi o PCP que esteve ao lado da região»
A primeira candidata da CDU às eleições europeias, Ilda Figueiredo, também esteve no sábado no Entroncamento. Com outras iniciativas agendadas, a eurodeputada não participou na Assembleia, mas almoçou com os delegados e convidados da AORSA, onde fez uma intervenção.
Ilda Figueiredo começou por lembrar os impactos das políticas europeias na vida quotidiana dos portugueses. E lembrou que na definição destas políticas não são indiferentes os governos de cada país. «Quem decide as políticas fundamentais da União Europeia é o Conselho, a Comissão e o Parlamento. E quem participa no Conselho é o Governo português», realçou. Mas são também fundamentais os deputados, lembrou. E serão estes a serem eleitos no próximo dia 13 de Junho.
A provar a importância de eleger mais comunistas para o Parlamento Europeu, Ilda Figueiredo lembrou que têm sido os eleitos do PCP a desenvolver um «intenso trabalho em ligação estreita às populações». «Que outros deputados que não os comunistas vieram aqui ao distrito reunir com os agricultores, a propósito dos problemas do vinho, do tomate, da beterraba sacarina, ou das frutas e legumes?», questionou a candidata.
E quem, senão os deputados do PCP, «vieram aqui falar com os agricultores, visitar as adegas cooperativas, as zonas da floresta, quando a tragédia dos incêndios de abateu sobre o distrito?» E, lembrou, foram também os comunistas que no Parlamento Europeu lutaram por um fundo de solidariedade para Portugal e conseguiram aumentar em vários milhões de euros as verbas que vieram para o País. «É certo que os outros deputados aprovaram as propostas, mas quem esteve lá no momento decisivo a fazer essa defesa fomos nós, os deputados do PCP.».
O mesmo se passou, contou Ilda Figueiredo, com a aprovação de uma proposta para um programa específico para as indústrias do têxtil e vestuário, de forma a combater as deslocalizações e promover as marcas portuguesas. Todos aprovaram, mas foi o PCP que propôs e desenvolveu esta batalha.
Ilda Figueiredo recorda também que foram os eurodeputados comunistas a estender além-fronteiras a solidariedade com as mulheres julgadas por prática de aborto clandestino, reunindo apoios de «muitos e muitos deputados da União Europeia». E realça que o Governo, «sempre tão pronto a seguir as políticas europeias nefastas para o País», se recusou a aplicar a resolução comunitária que apontava no sentido da alteração à lei do aborto e à criação de bons serviços de saúde, onde a interrupção voluntária da gravidez pudesse ser feita em condições de segurança e dignidade.
A terminar, Ilda Figueiredo apelou à participação de todos no acto eleitoral de 13 de Junho. E lembrou que nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, a CDU não elegeu o terceiro deputado por poucos votos, bastando ter mais um voto por freguesia para eleger três. Este ano, com mais uns votos, conseguiremos eleger o terceiro deputado, «que é uma deputada, a camarada Odete Santos».