Meia centena de diplomatas britânicos contra Blair
Um grupo de 52 diplomatas britânicos, numa iniciativa inédita, endereçou esta segunda-feira uma carta ao primeiro-ministro Tony Blair criticando durante a política externa do Reino Unido e o sistemático alinhamento com os EUA.
«Nós os abaixo-assinados ex-embaixadores britânicos, altos comissários, governadores e especialistas internacionais seniores, incluindo alguns com longa experiência no Médio Oriente e outros com experiência noutras regiões, observámos com profunda preocupação as políticas que o senhor seguiu em relação ao problema israelo-árabe e ao Iraque, em estreita cooperação com os EUA. Depois da conferência de imprensa conjunta em Washington em que o senhor e o presidente Bush reafirmaram essas políticas, sentimos que chegou a hora de tornar públicas as nossas angústias, na esperança de que elas sejam discutidas no Parlamento e levem a uma reavaliação de fundo» da posição britânica, afirma o documento.
Afirmando que o lançamento do «Roteiro da paz» para o Médio Oriente, apresentado pelos EUA, União Europeia, Rússia e ONU, acalentou a esperança de que as grandes potências se iam empenhar na resolução de um problema que há décadas envenena as relações entre o Ocidente e os mundo árabe e islâmico, os subscritores do documento fazem sentir a sua decepção afirmando que «as esperanças eram infundadas».
«Nada de eficaz foi feito quer no sentido de fazer avançar as negociações quer para impedir a violência», refere a carta, sublinhando que a «Grã-Bretanha e os outros patrocinadores do ‘Roteiro da Paz’ se limitaram a esperar pela liderança americana, mas esperaram em vão».
O pior está para vir
Segundo os diplomatas, «o pior estava para vir» e «após todos esses meses desperdiçados, a comunidade internacional agora é confrontada com o anúncio por Ariel Sharon e pelo presidente Bush de novas políticas unilaterais e ilegais, que custarão ainda mais sangue israelita e palestiniano».
«A nossa decepção com este passo atrás aumenta com o facto de que o senhor parece tê-las endossado, abandonando os princípios que por quase quatro décadas guiaram os esforços internacionais para restaurar a paz na Terra Santa e que foram a base para o sucesso produzido por esses esforços. Este abandono de princípios vem num momento em que bem ou mal somos retratados no mundo árabe e islâmico como parceiros numa ocupação ilegal e brutal no Iraque», diz o documento, salientando que a condução da guerra no Iraque tornou claro que não há um «plano efectivo para a era pós-Saddam» e que descrever a resistência observada no Iraque como «liderada por terroristas, fanáticos e estrangeiros» não é «convincente ou útil».
Até ao encerramento desta edição, desconhecia-se qualquer reacção do governo de Blair a esta iniciativa.
«Nós os abaixo-assinados ex-embaixadores britânicos, altos comissários, governadores e especialistas internacionais seniores, incluindo alguns com longa experiência no Médio Oriente e outros com experiência noutras regiões, observámos com profunda preocupação as políticas que o senhor seguiu em relação ao problema israelo-árabe e ao Iraque, em estreita cooperação com os EUA. Depois da conferência de imprensa conjunta em Washington em que o senhor e o presidente Bush reafirmaram essas políticas, sentimos que chegou a hora de tornar públicas as nossas angústias, na esperança de que elas sejam discutidas no Parlamento e levem a uma reavaliação de fundo» da posição britânica, afirma o documento.
Afirmando que o lançamento do «Roteiro da paz» para o Médio Oriente, apresentado pelos EUA, União Europeia, Rússia e ONU, acalentou a esperança de que as grandes potências se iam empenhar na resolução de um problema que há décadas envenena as relações entre o Ocidente e os mundo árabe e islâmico, os subscritores do documento fazem sentir a sua decepção afirmando que «as esperanças eram infundadas».
«Nada de eficaz foi feito quer no sentido de fazer avançar as negociações quer para impedir a violência», refere a carta, sublinhando que a «Grã-Bretanha e os outros patrocinadores do ‘Roteiro da Paz’ se limitaram a esperar pela liderança americana, mas esperaram em vão».
O pior está para vir
Segundo os diplomatas, «o pior estava para vir» e «após todos esses meses desperdiçados, a comunidade internacional agora é confrontada com o anúncio por Ariel Sharon e pelo presidente Bush de novas políticas unilaterais e ilegais, que custarão ainda mais sangue israelita e palestiniano».
«A nossa decepção com este passo atrás aumenta com o facto de que o senhor parece tê-las endossado, abandonando os princípios que por quase quatro décadas guiaram os esforços internacionais para restaurar a paz na Terra Santa e que foram a base para o sucesso produzido por esses esforços. Este abandono de princípios vem num momento em que bem ou mal somos retratados no mundo árabe e islâmico como parceiros numa ocupação ilegal e brutal no Iraque», diz o documento, salientando que a condução da guerra no Iraque tornou claro que não há um «plano efectivo para a era pós-Saddam» e que descrever a resistência observada no Iraque como «liderada por terroristas, fanáticos e estrangeiros» não é «convincente ou útil».
Até ao encerramento desta edição, desconhecia-se qualquer reacção do governo de Blair a esta iniciativa.