Fogo posto...
O que se passou em Washington foi uma nova declaração de guerra ao povo palestiniano
«O Médio Oriente está prestes a incendiar-se». As palavras são de Zbigniew Brzezinski, ex-assessor de Jimmy Carter em entrevista ao semanário Expresso. É um facto que a situação na região é perigosa mas as palavras de Brezinski pecam por desactualizadas. O Médio Oriente não está prestes a incendiar-se. Já foi incendiado há muito, foi fogo posto e aquilo a que agora assistimos são reacendimentos...
O Exército israelita matou no passado Sábado Abdelaziz al-Rantissi, recém nomeado líder do Hamas. No espaço de um mês Israel decidiu matar dois líderes desta organização provocando a justificada revolta de membros do Hamas e do povo palestiniano. Após o conhecimento da morte Rantissi dezenas de milhares de palestinianos saíram para a rua jurando vingança. Foi este o resultado das acções do Governo de Ariel Sharon!
O assassinato dos dois dirigentes do Hamas não apaga características deste movimento que historicamente sempre levantou dúvidas no que toca às suas relações e modo de agir e que por vezes surgiu como pretexto para novos crimes de Israel. Não apaga também a sua política que em vários momentos funcionou como um obstáculo a uma mais ampla unidade do povo palestiniano. É um facto – e a Autoridade Palestiniana e suas componentes sempre o disseram – que os ataques suicidas do Hamas contra civis em Israel dão pretexto à intensificação da política de terrorismo de estado sionista. E é por isso que o Governo de Sharon está a alimentar uma situação de pura provocação, esperando que do lado palestiniano se chegue a um descontrolo que poria em causa o papel da Autoridade Palestiniana e da própria OLP. Israel demonstra assim que o incitamento ao ódio, a morte e o terrorismo de estado são a única forma que tem de lidar com a situação criada pelo sionismo e o seu criminoso «sonho» do «grande Israel» que «engoliria» a Palestina.
Dias antes do assassinato de Rantissi, Sharon foi a Washington receber de Bush o apoio ao seu plano de ocupação de territórios na Cisjordânia mascarado sob a capa de um plano unilateral de retirada militar de Gaza que contempla entre outras coisas: a construção do muro sionista; a consolidação de 116 colonatos na Cisjordânia e a negação do direito de regresso dos refugiados expulsos dos seus lares durante a ocupação de 1948.
Sharon e Bush sabem que tocaram em três dos pontos mais importantes para os palestinianos: fronteiras de 1967, refugiados e colonatos. O que se passou em Washington foi uma nova declaração de guerra ao povo palestiniano. Esta atitude, concertada com a actuação terrorista do exército israelita; a prossecução das ameaças de morte a dirigentes palestinianos, incluindo Yasser Arafat e as novas ameaças à Síria e ao Líbano, configuram uma política de terrorismo de Estado que é necessário condenar com a maior firmeza. É por isso que a morte de Rantissi faz sentido... Seguindo o raciocínio dos assassinos é natural que numa nova vaga de ocupação se tente desestabilizar mais a situação para dividir as resistências, pôr entraves à política de unidade que a Autoridade Palestiniana tem tentado levar a cabo e justificar mais mortes e assassinatos.
Com esta situação, as declarações do «Sr. PESC», Javier Solana, de que o assassinato de Rantissi «não facilita uma saída positiva» são quase ridículas e demonstram como as potências da UE lidam com a situação no Médio Oriente. A sua tolerância, mascarada com dúbias declarações de condenação, está a contribuir para o sobre-aquecimento do caldeirão do Médio Oriente que com o agudizar da guerra no Iraque poderá sofrer novas explosões. O fogo foi efectivamente posto. Por norte-americanos, por israelitas, pelos países europeus que estão no terreno a ajudar à ocupação do Iraque e em Bruxelas a tentar lidar da pior maneira com o desconforto das asneiras do «amigo israelita».
O Exército israelita matou no passado Sábado Abdelaziz al-Rantissi, recém nomeado líder do Hamas. No espaço de um mês Israel decidiu matar dois líderes desta organização provocando a justificada revolta de membros do Hamas e do povo palestiniano. Após o conhecimento da morte Rantissi dezenas de milhares de palestinianos saíram para a rua jurando vingança. Foi este o resultado das acções do Governo de Ariel Sharon!
O assassinato dos dois dirigentes do Hamas não apaga características deste movimento que historicamente sempre levantou dúvidas no que toca às suas relações e modo de agir e que por vezes surgiu como pretexto para novos crimes de Israel. Não apaga também a sua política que em vários momentos funcionou como um obstáculo a uma mais ampla unidade do povo palestiniano. É um facto – e a Autoridade Palestiniana e suas componentes sempre o disseram – que os ataques suicidas do Hamas contra civis em Israel dão pretexto à intensificação da política de terrorismo de estado sionista. E é por isso que o Governo de Sharon está a alimentar uma situação de pura provocação, esperando que do lado palestiniano se chegue a um descontrolo que poria em causa o papel da Autoridade Palestiniana e da própria OLP. Israel demonstra assim que o incitamento ao ódio, a morte e o terrorismo de estado são a única forma que tem de lidar com a situação criada pelo sionismo e o seu criminoso «sonho» do «grande Israel» que «engoliria» a Palestina.
Dias antes do assassinato de Rantissi, Sharon foi a Washington receber de Bush o apoio ao seu plano de ocupação de territórios na Cisjordânia mascarado sob a capa de um plano unilateral de retirada militar de Gaza que contempla entre outras coisas: a construção do muro sionista; a consolidação de 116 colonatos na Cisjordânia e a negação do direito de regresso dos refugiados expulsos dos seus lares durante a ocupação de 1948.
Sharon e Bush sabem que tocaram em três dos pontos mais importantes para os palestinianos: fronteiras de 1967, refugiados e colonatos. O que se passou em Washington foi uma nova declaração de guerra ao povo palestiniano. Esta atitude, concertada com a actuação terrorista do exército israelita; a prossecução das ameaças de morte a dirigentes palestinianos, incluindo Yasser Arafat e as novas ameaças à Síria e ao Líbano, configuram uma política de terrorismo de Estado que é necessário condenar com a maior firmeza. É por isso que a morte de Rantissi faz sentido... Seguindo o raciocínio dos assassinos é natural que numa nova vaga de ocupação se tente desestabilizar mais a situação para dividir as resistências, pôr entraves à política de unidade que a Autoridade Palestiniana tem tentado levar a cabo e justificar mais mortes e assassinatos.
Com esta situação, as declarações do «Sr. PESC», Javier Solana, de que o assassinato de Rantissi «não facilita uma saída positiva» são quase ridículas e demonstram como as potências da UE lidam com a situação no Médio Oriente. A sua tolerância, mascarada com dúbias declarações de condenação, está a contribuir para o sobre-aquecimento do caldeirão do Médio Oriente que com o agudizar da guerra no Iraque poderá sofrer novas explosões. O fogo foi efectivamente posto. Por norte-americanos, por israelitas, pelos países europeus que estão no terreno a ajudar à ocupação do Iraque e em Bruxelas a tentar lidar da pior maneira com o desconforto das asneiras do «amigo israelita».