A revolta xiita
A situação no Iraque alterou-se significativamente na última semana. Após os brutais acontecimentos de sexta-feira em Fallujah, na área sunita, em que uma multidão em fúria atacou os cadáveres de quatro mercenários norte-americanos mortos pela resistência, a revolta alastrou entre os xiitas, pondo um ponto final na até agora resistência pacífica e conciliatória da comunidade liderada pelo chefe religioso Ali Sistani.
O detonador da revolta terá sido a prisão de Mustafa Yaakubi, braço direito de outro dirigente xiita, Muqtada al-Sadr, no sábado passado. Ambos são acusados de ter responsabilidades na morte de Abdel Majid al-Khoi, apunhalado na cidade santa xiita de Nadjaf, em Abril de 2003.
Uma semana antes, as autoridades norte-americanas tinham fechado o jornal Al-Hawza, partidário de al-Sadr, alegando que este incitava à violência. Começaram então as manifestações de protesto, com milhares de pessoas, em Bagdad e noutras cidades iraquianas.
Com forte implantação entre a população pobre, al-Sadr, de 30 anos, tem o seu principal reduto a nordeste da capital, num local que os próprios norte-americanos designam por «Al-Sadr City». Foi aí que a milícia xiita, conhecida como «Jaysh al-Mahdi» («Exército do Mahdi») realizou um desfile militar no sábado, afirmando-se pronta a defender o líder e o povo iraquiano contra os ocupantes.
Resistência ganha terreno
As tentativas das forças norte-americanas para prender al-Sadr saldaram-se em sangrentos confrontos. Cerca de quatro dezenas de pessoas morreram, incluindo pelo menos oito soldados norte-americanos, e cerca de duas centenas de outras ficaram feridas. Milhares de xiitas em fúria, prontos a morrer pelo líder religioso, sublevaram-se igualmente em Basra, a segunda maior cidade do país, entrando em confronto com os ocupantes e tomando da assalto edifícios públicos.
Os EUA ignoraram até agora os seguidores de al-Sadr, aparentemente confiantes na influência do líder xiita Sistani, que embora insistindo na necessidade de realização imediata de eleições directas para a formação de um governo iraquiano legítimo, tem colaborado com a autoridade provisória instalada pelos norte-americanos. Mas a intransigência do governador Paul Bremer em relação às eleições representou uma derrota para Sistani e abriu caminho aos que defendem a resistência aos ocupantes no seio da comunidade xiita, que representa cerca de 60 por cento da população iraquiana e se centra essencialmente no sul do país.
A revolta xiita, liderada por al-Sadr, pode vir agora juntar-se à resistência sunita (comunidade étnico-religiosa que representa cerca de 25 por cento da população), o que deixa as tropas invasoras apenas com o apoio da minoria curda (10 por cento).
O detonador da revolta terá sido a prisão de Mustafa Yaakubi, braço direito de outro dirigente xiita, Muqtada al-Sadr, no sábado passado. Ambos são acusados de ter responsabilidades na morte de Abdel Majid al-Khoi, apunhalado na cidade santa xiita de Nadjaf, em Abril de 2003.
Uma semana antes, as autoridades norte-americanas tinham fechado o jornal Al-Hawza, partidário de al-Sadr, alegando que este incitava à violência. Começaram então as manifestações de protesto, com milhares de pessoas, em Bagdad e noutras cidades iraquianas.
Com forte implantação entre a população pobre, al-Sadr, de 30 anos, tem o seu principal reduto a nordeste da capital, num local que os próprios norte-americanos designam por «Al-Sadr City». Foi aí que a milícia xiita, conhecida como «Jaysh al-Mahdi» («Exército do Mahdi») realizou um desfile militar no sábado, afirmando-se pronta a defender o líder e o povo iraquiano contra os ocupantes.
Resistência ganha terreno
As tentativas das forças norte-americanas para prender al-Sadr saldaram-se em sangrentos confrontos. Cerca de quatro dezenas de pessoas morreram, incluindo pelo menos oito soldados norte-americanos, e cerca de duas centenas de outras ficaram feridas. Milhares de xiitas em fúria, prontos a morrer pelo líder religioso, sublevaram-se igualmente em Basra, a segunda maior cidade do país, entrando em confronto com os ocupantes e tomando da assalto edifícios públicos.
Os EUA ignoraram até agora os seguidores de al-Sadr, aparentemente confiantes na influência do líder xiita Sistani, que embora insistindo na necessidade de realização imediata de eleições directas para a formação de um governo iraquiano legítimo, tem colaborado com a autoridade provisória instalada pelos norte-americanos. Mas a intransigência do governador Paul Bremer em relação às eleições representou uma derrota para Sistani e abriu caminho aos que defendem a resistência aos ocupantes no seio da comunidade xiita, que representa cerca de 60 por cento da população iraquiana e se centra essencialmente no sul do país.
A revolta xiita, liderada por al-Sadr, pode vir agora juntar-se à resistência sunita (comunidade étnico-religiosa que representa cerca de 25 por cento da população), o que deixa as tropas invasoras apenas com o apoio da minoria curda (10 por cento).