Lembrar a Jugoslávia

Rui Paz

Socialistas e social-democratas procuraram enganar os povos

No dia 24 de Março fez cinco anos que a NATO desencadeou a agressão contra a Jugoslávia. Em 78 dias, os pilotos da Aliança executaram 35 mil ataques, lançando 20 mil toneladas de bombas, mísseis e armas de urânio internacionalmente proibidas que atingiram a população civil, pontes, comboios, estradas, hospitais, embaixadas, refinarias e fábricas químicas envenenando os rios e os campos. O edifício da televisão em Belgrado foi destruído e os seus funcionários assassinados. A NATO afirmava lançar bombas para proteger os kosovares albaneses, mas na TV sérvia só se via as crianças em Belgrado a chorarem aterrorizadas.
Ao assassínio premeditado de tantas vítimas inocentes passou a chamar-se «danos colaterais» e vendeu-se a ideia de que era legítimo agredir um país contra todas as normas do direito internacional. Isto não foram invenções de Bush mas de Clinton e da social-democracia então nos governos de vários países europeus membros da NATO. Governantes socialistas e social-democratas procuraram enganar os povos vendendo a violência que se abateu sobre os céus da Jugoslávia como um acto «humanitário». As mentiras fabricadas pelo Ministro da Defesa da Alemanha, desde as falsas fotografias do chamado «massacre de Racak» à pretensa existência de uma «catástrofe humanitária» no Kosovo, ou do «plano ferradura» visando a limpeza étnica daquela província sérvia, sucederam-se em catadupa.

O excêntrico porta-voz da NATO Jaime Shea, em entrevista de Fevereiro de 2001 ao programa da televisão alemã Monitor, salientava o papel do ex-presidente do Partido Socialista Europeu e Ministro da Defesa da Alemanha, Rudolf Scharping ao afirmar que «fez, de facto, um bom trabalho e que «não era fácil, especialmente na Alemanha, que durante 50 anos compreendeu a Defesa como a defesa do próprio país, enviar tropas para o estrangeiro». Mas também Jospin e Chirac consideraram uma honra que os pilotos franceses tivessem conduzido «a segunda onda de ataques logo a seguir aos americanos» enquanto o socialista Bernard Kouchner, representante da ONU no Kosovo não escondia a sua euforia ao declarar que a Europa nascera em Prestina.
Desde então já foram assassinados no Kosovo 2 500 sérvios, ciganos e membros de outras etnias e expulsas mais de 200 mil pessoas. O imperialismo alcançou o seu objectivo: o desmembramento e liquidação da Jugoslávia e a rapina económica de um Estado que teve a dignidade de não andar a mendigar a sua adesão à União Europeia.

Durante o governo de marionetas eleito pelas bombas da NATO perderam o emprego 800 000 trabalhadores sérvios num total de 2,6 milhões. A percentagem oficial de desempregados em 2003 foi de 32%. 10% da população mais pobre vive com 1 euro por dia, seguida de 20% dispondo unicamente de 3 euros. A fome instalou-se nos Balcãs. O gigante americano Philip Morris (Marlboro) e a British American Tobacco apoderaram-se das mais importantes fábricas sérvias deste ramo, como a Dunavska Industrija em Nis e Vranje. O império alemão da indústria química Henkel e a empresa francesa Baurieses Lafarge devoraram o mercado sérvio enquanto o grupo americano US-Steel engoliu a maior e mais importante fábrica metalúrgica em Smeredo. Os bancos nacionais desapareceram por decreto governamental e o mercado do dinheiro foi entregue aos bancos estrangeiros como por exemplo ao «Reiffeisenbank» da Áustria.
Em finais de 2003, Javier Solana, expressou a sua «grande preocupação» face à formação do novo governo em Belgrado. O socialista espanhol ao serviço da Europa do directório ficou assustado por nas últimas eleições os partidos apoiados por Bruxelas terem sofrido uma severa derrota.


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