Aceitam-se palpites
Noticiando um debate promovido pelas Fundações Ebert e José Fontana, sob o título «Ferro quer mudanças no sindicalismo», o «DN» informava no sábado que o líder do PS defendera «novos modelos de diálogo e de concertação social, mais micro e menos globais, para resolver problemas e não para ocupar tempos de antena».
Infelizmente, a notícia não nos informava se Ferro Rodrigues antes tinha também ardentemente reclamado que o grande capital abdicasse de determinar a política planetária e as políticas nacionais e que o poder económico abandonasse a sua hegemonia sobre o poder político, passando a acantonar-se sobretudo nos limites ou fronteiras do «micro». Por isso, aceitam-se palpites.
Também infelizmente, a notícia não dava conta se o outro interveniente neste debate – Francisco Louçã – tinha dado para trás nesta aspiração de Ferro Rodrigues ou se, pelo contrário, a tinha acompanhado invocando a propósito as recentes (e precipitadas) teorizações de Miguel Portas transformando um concreto acordo celebrado numa grande empresa, e provavelmente ditado por uma determinada conjuntura e correlação de forças, num apetecível «modelo» de desejável aplicação geral. Por isso, também se aceitam palpites.
Dito isto, sublinhe-se que parece uma evidência que Ferro Rodrigues não veio salientar, como seria avisado e lúcido, a importância seja do enraizamento dos sindicatos nas empresas como factor relevante para uma maior força, eficácia e vitalidade do movimento sindical, seja do fortalecimento das Comissões de Trabalhadores e comissões inter-sindicais que intervêm nas empresas.
Manifestamente, o que as suas palavras parecem indiciar é uma perversa aspiração a uma evidente atomização do movimento sindical que, fazendo-o abdicar da sua força geral e nacional a pretexto de um âmbito «mais micro», conduziria ao seu enfraquecimento e a relações de trabalho determinadas pelas correlações de forças existentes em cada empresa, isto é no terreno onde, em regra, são maiores os constrangimentos e factores de chantagem e pressão sobre os trabalhadores.
Acresce que, no limite, semelhantes concepções representariam uma espécie de regresso aos primórdios da luta dos trabalhadores, à quebra na unidade e solidariedade de classe, à demissão do movimento sindical da sua intervenção essencial no espaço público democrático e do seu esforço para aí influenciar os processos sociais e políticos.
Tudo visto, e ponderando quem ganharia com as «mudanças no sindicalismo» propostas por Ferro Rodrigues, talvez se vislumbre aí uma das tristes coisas para que serviria, de facto, o falso «voto útil» no PS que anda a pedir.
Infelizmente, a notícia não nos informava se Ferro Rodrigues antes tinha também ardentemente reclamado que o grande capital abdicasse de determinar a política planetária e as políticas nacionais e que o poder económico abandonasse a sua hegemonia sobre o poder político, passando a acantonar-se sobretudo nos limites ou fronteiras do «micro». Por isso, aceitam-se palpites.
Também infelizmente, a notícia não dava conta se o outro interveniente neste debate – Francisco Louçã – tinha dado para trás nesta aspiração de Ferro Rodrigues ou se, pelo contrário, a tinha acompanhado invocando a propósito as recentes (e precipitadas) teorizações de Miguel Portas transformando um concreto acordo celebrado numa grande empresa, e provavelmente ditado por uma determinada conjuntura e correlação de forças, num apetecível «modelo» de desejável aplicação geral. Por isso, também se aceitam palpites.
Dito isto, sublinhe-se que parece uma evidência que Ferro Rodrigues não veio salientar, como seria avisado e lúcido, a importância seja do enraizamento dos sindicatos nas empresas como factor relevante para uma maior força, eficácia e vitalidade do movimento sindical, seja do fortalecimento das Comissões de Trabalhadores e comissões inter-sindicais que intervêm nas empresas.
Manifestamente, o que as suas palavras parecem indiciar é uma perversa aspiração a uma evidente atomização do movimento sindical que, fazendo-o abdicar da sua força geral e nacional a pretexto de um âmbito «mais micro», conduziria ao seu enfraquecimento e a relações de trabalho determinadas pelas correlações de forças existentes em cada empresa, isto é no terreno onde, em regra, são maiores os constrangimentos e factores de chantagem e pressão sobre os trabalhadores.
Acresce que, no limite, semelhantes concepções representariam uma espécie de regresso aos primórdios da luta dos trabalhadores, à quebra na unidade e solidariedade de classe, à demissão do movimento sindical da sua intervenção essencial no espaço público democrático e do seu esforço para aí influenciar os processos sociais e políticos.
Tudo visto, e ponderando quem ganharia com as «mudanças no sindicalismo» propostas por Ferro Rodrigues, talvez se vislumbre aí uma das tristes coisas para que serviria, de facto, o falso «voto útil» no PS que anda a pedir.