Um aniversário de sangue
«Essa resistência está já a acentuar de novo as clivagens e divisões»
A intensa propaganda em torno do 1.º aniversário do começo da guerra contra o Iraque não conseguiu esconder a realidade: a ofensiva lançada pelo imperialismo norte-americano para impor a sua hegemonia mundial está a afogar o planeta num banho de sangue; a acirrar as crises em múltiplas frentes; a encontrar resistência e oposição um pouco por toda a parte.
Em todos os teatros das guerras imperialistas da última década prosseguem, ou voltam a eclodir, os combates e os conflitos. No Iraque ocupado, os soldados dos EUA continuam a matar e a morrer em prol dos lucros da (mentirosa e criminosa) classe dirigente do seu país. Entre 13 e 21 de Março, perderam a vida 22 soldados dos EUA (www.antiwar.com/casualties/list.php). Na linha de mira das tropas de ocupação continuam também os jornalistas «não integrados»: dois jornalistas da estação televisiva Al-Arabiya foram mortos por soldados dos EUA, o que motivou o protesto dos jornalistas árabes – mas porquê só dos árabes? - que abandonaram a conferência de imprensa de Colin Powell em Bagdad. No Afeganistão prosseguem a matança de civis pelas tropas dos EUA e as baixas de tropas dos EUA em combate (dois mortos na passada quinta-feira). Estão também em curso sangrentos ajustes de contas entre serventuários dos senhores da guerra norte-americanos, envolvendo assassinatos de ministros e batalhas de tanques (Reuters, 21.3.04). E a guerra está a alastrar para dentro de território paquistanês. Na ex-Jugoslávia volta a explodir a violência dos gangs albano-kossovares - «orquestrada», no dizer do mais alto responsável da ONU no Kosovo (BBC, 20.3.04; mas afinal não era tudo «culpa de Milosevic»?). Resultado: o envio de mais tropas da NATO para a região e mais um salto qualitativo na criação de um «Kosovo etnicamente puro» (será a retaliação pelos resultados eleitorais que levaram ao poder em Belgrado um novo governo menos alinhado com os abutres da guerra da NATO?).
Entretanto, esse instrumento do poder imperial dos EUA no Médio Oriente que é Israel, enquanto viola sistematicamente todas as resoluções da ONU – incluindo a recente exigência de desmantelar o Muro do apartheid sharoniano – continua impunemente a assassinar palestinianos, incluindo dirigentes políticos de primeiro plano, como o dirigente do Hamas, Yassin. Nas duas primeiras semanas de Março as forças israelitas mataram 44 palestinianos (incluindo 18 menores), e em Fevereiro foram 52 (www.electronicintifada.net). No Haiti, onde o primeiro Presidente eleito do país foi raptado e exilado à força, numa «mudança de regime» imposta pela acção conjunta franco-norte-americana (elogiada publicamente por Bush), morrem manifestantes que defendem a ordem constitucional, mas também já há baixas entre as tropas de ocupação (um soldado francês morto no passado fim de semana).
Este cenário geral é o resultado directo da política de guerra e de mentira do imperialismo norte-americano, mas é também uma expressão das dificuldades que enfrenta. A resistência é real. Quer a legítima resistência – de massas e armada - por parte de povos vítimas da ocupação estrangeira, quer a resistência popular que se expressou nas ruas do nosso país e dos cinco continentes, nas grandes manifestações do passado dia 20 de Março. Ou ainda, nas corajosas manifestações nas principais cidades espanholas, na véspera das eleições, que contribuíram para a primeira derrota nas urnas de um dos membros do Bando das Lages.
Essa resistência está já a acentuar de novo as clivagens e divisões no seio dos principais países capitalistas, como ficou patente nas declarações do futuro primeiro-ministro espanhol (quanto aos actos, logo se verá) apelidando a guerra do Iraque um «desastre» baseado em «mentiras», e a ocupação um «fiasco», e nas reacções por parte do partido de Washington.
O imperialismo é hoje muito forte. Mas o primeiro aniversário da sua aventura iraquiana mostra claramente que não é todo poderoso, nem invencível. A luta dos povos pode derrotá-lo. É para isso que urge trabalhar.
Em todos os teatros das guerras imperialistas da última década prosseguem, ou voltam a eclodir, os combates e os conflitos. No Iraque ocupado, os soldados dos EUA continuam a matar e a morrer em prol dos lucros da (mentirosa e criminosa) classe dirigente do seu país. Entre 13 e 21 de Março, perderam a vida 22 soldados dos EUA (www.antiwar.com/casualties/list.php). Na linha de mira das tropas de ocupação continuam também os jornalistas «não integrados»: dois jornalistas da estação televisiva Al-Arabiya foram mortos por soldados dos EUA, o que motivou o protesto dos jornalistas árabes – mas porquê só dos árabes? - que abandonaram a conferência de imprensa de Colin Powell em Bagdad. No Afeganistão prosseguem a matança de civis pelas tropas dos EUA e as baixas de tropas dos EUA em combate (dois mortos na passada quinta-feira). Estão também em curso sangrentos ajustes de contas entre serventuários dos senhores da guerra norte-americanos, envolvendo assassinatos de ministros e batalhas de tanques (Reuters, 21.3.04). E a guerra está a alastrar para dentro de território paquistanês. Na ex-Jugoslávia volta a explodir a violência dos gangs albano-kossovares - «orquestrada», no dizer do mais alto responsável da ONU no Kosovo (BBC, 20.3.04; mas afinal não era tudo «culpa de Milosevic»?). Resultado: o envio de mais tropas da NATO para a região e mais um salto qualitativo na criação de um «Kosovo etnicamente puro» (será a retaliação pelos resultados eleitorais que levaram ao poder em Belgrado um novo governo menos alinhado com os abutres da guerra da NATO?).
Entretanto, esse instrumento do poder imperial dos EUA no Médio Oriente que é Israel, enquanto viola sistematicamente todas as resoluções da ONU – incluindo a recente exigência de desmantelar o Muro do apartheid sharoniano – continua impunemente a assassinar palestinianos, incluindo dirigentes políticos de primeiro plano, como o dirigente do Hamas, Yassin. Nas duas primeiras semanas de Março as forças israelitas mataram 44 palestinianos (incluindo 18 menores), e em Fevereiro foram 52 (www.electronicintifada.net). No Haiti, onde o primeiro Presidente eleito do país foi raptado e exilado à força, numa «mudança de regime» imposta pela acção conjunta franco-norte-americana (elogiada publicamente por Bush), morrem manifestantes que defendem a ordem constitucional, mas também já há baixas entre as tropas de ocupação (um soldado francês morto no passado fim de semana).
Este cenário geral é o resultado directo da política de guerra e de mentira do imperialismo norte-americano, mas é também uma expressão das dificuldades que enfrenta. A resistência é real. Quer a legítima resistência – de massas e armada - por parte de povos vítimas da ocupação estrangeira, quer a resistência popular que se expressou nas ruas do nosso país e dos cinco continentes, nas grandes manifestações do passado dia 20 de Março. Ou ainda, nas corajosas manifestações nas principais cidades espanholas, na véspera das eleições, que contribuíram para a primeira derrota nas urnas de um dos membros do Bando das Lages.
Essa resistência está já a acentuar de novo as clivagens e divisões no seio dos principais países capitalistas, como ficou patente nas declarações do futuro primeiro-ministro espanhol (quanto aos actos, logo se verá) apelidando a guerra do Iraque um «desastre» baseado em «mentiras», e a ocupação um «fiasco», e nas reacções por parte do partido de Washington.
O imperialismo é hoje muito forte. Mas o primeiro aniversário da sua aventura iraquiana mostra claramente que não é todo poderoso, nem invencível. A luta dos povos pode derrotá-lo. É para isso que urge trabalhar.