Dúvidas e enganos
Parece não haver outro tema e, por muitas e boas razões que se tenha para eleger questões a merecer atenção, inevitavelmente se chega, nas conversas, ao que preocupa qualquer cidadão europeu - os acontecimentos em Espanha, a enormidade bárbara do atentado e as eleições, cujos resultados foram certamente influenciados pelo tratamento que o governo de Aznar deu à divulgação da sua autoria.
Do que pretendo falar, em primeiro lugar, não será da tentação de um herdeiro do fascismo em manipular a informação em proveito do seu poder. A coisa, para nós, é vista como «natural», dada a natureza do PP, do espanhol e dos outros. O mais aberrante, porém, foi ver o seguidismo de alguns media e de alguns políticos e personalidades, afirmando a pés juntos que não tinham dúvidas de que havia sido a ETA a deflagrar as bombas que assassinaram centenas e feriram mais de um milhar de pacíficos cidadãos, na sua maioria trabalhadores. Louçã, por exemplo - entre outros, entre outros... - espumava, e a sua face de seminarista arrependido mostrava um intenso ódio aos independentistas bascos que se encontram sob o fogo dos arrogantes centralistas de Madrid. Ele não tinha dúvidas, à hora em que as dúvidas já haviam chegado aos jornais e às televisões.
A indignação face à manipulação governamental deu os resultados que vimos. Aznar e o seu partido foram penalizados por, com a sua política belicista, terem atolado a Espanha numa guerra ao serviço dos interesses de Bush; e por haverem mentido, acusando a ETA. Zapatero e o PSOE ganharam... parece que a contragosto.
E logo os comentadores de direita, babando amargura ou raiva - como aquele repórter possesso, da SIC, que afirmava, em plena manifestação de vitória do «vermelho» PSOE, que ela havia sido conseguida com o vermelho do sangue dos assassinados, explicam a derrota: foi um erro. O periódico fascistóide o Diabo chega ao ponto de titular que a Al-Qaeda pôs o PSOE no poder!
É certo que os resultados em Espanha foram mais uma derrota da direita do que uma vitória da esquerda. Os empresários mostram-se «tranquilos» com Zapatero, que logo perdeu a sua verve de esquerda e já diz que as tropas espanholas voltarão do Iraque só em Junho ou... talvez depois. Os seus compromissos pós-eleitorais mostram uma fasquia muito mais baixa. Como se verá, este Zapatero não vai muito além da chinela de Aznar.
Do que pretendo falar, em primeiro lugar, não será da tentação de um herdeiro do fascismo em manipular a informação em proveito do seu poder. A coisa, para nós, é vista como «natural», dada a natureza do PP, do espanhol e dos outros. O mais aberrante, porém, foi ver o seguidismo de alguns media e de alguns políticos e personalidades, afirmando a pés juntos que não tinham dúvidas de que havia sido a ETA a deflagrar as bombas que assassinaram centenas e feriram mais de um milhar de pacíficos cidadãos, na sua maioria trabalhadores. Louçã, por exemplo - entre outros, entre outros... - espumava, e a sua face de seminarista arrependido mostrava um intenso ódio aos independentistas bascos que se encontram sob o fogo dos arrogantes centralistas de Madrid. Ele não tinha dúvidas, à hora em que as dúvidas já haviam chegado aos jornais e às televisões.
A indignação face à manipulação governamental deu os resultados que vimos. Aznar e o seu partido foram penalizados por, com a sua política belicista, terem atolado a Espanha numa guerra ao serviço dos interesses de Bush; e por haverem mentido, acusando a ETA. Zapatero e o PSOE ganharam... parece que a contragosto.
E logo os comentadores de direita, babando amargura ou raiva - como aquele repórter possesso, da SIC, que afirmava, em plena manifestação de vitória do «vermelho» PSOE, que ela havia sido conseguida com o vermelho do sangue dos assassinados, explicam a derrota: foi um erro. O periódico fascistóide o Diabo chega ao ponto de titular que a Al-Qaeda pôs o PSOE no poder!
É certo que os resultados em Espanha foram mais uma derrota da direita do que uma vitória da esquerda. Os empresários mostram-se «tranquilos» com Zapatero, que logo perdeu a sua verve de esquerda e já diz que as tropas espanholas voltarão do Iraque só em Junho ou... talvez depois. Os seus compromissos pós-eleitorais mostram uma fasquia muito mais baixa. Como se verá, este Zapatero não vai muito além da chinela de Aznar.