Um trunfo eleitoral
Segundo as sondagens, Bush ganhou terreno na corrida à presidência. É bem provável que este avanço decorra dos atentados terroristas de Madrid já que no país de Bush o terrorismo é um grande trunfo eleitoral. Como se sabe, os EUA são o berço do terrorismo contemporâneo: pelas suas universidades passaram todas as grandes figuras actuais do terrorismo, lá se formaram cinturões negros do crime como, por exemplo e para não ir mais longe, o que dá pelo nome de Osama ben Laden, vulgo Al-Qaeda – que além de aluno de nota alta viria a ser amigo, visita de casa e sócio da família Bush. É por isso que, quando o país está em baixa ou quando a cota de popularidade do presidente desce a níveis abaixo do normal, há sempre um atentadozito terrorista que salva a situação – atentadozito que, de preferência, deve ocorrer longe, bem longe, do seu berço de origem. Na verdade, os EUA não gostam de bombas nem de guerras lá em casa. Só se não puder mesmo deixar de ser. Por um lado, porque não estão habituados, nem querem habituar-se, a isso: para eles a guerra é uma coisa que sempre aconteceu longe, a muitos milhares de quilómetros de distância, com mortos de longínquas nacionalidades; por outro lado, porque a forma de guerrear dos EUA tem uma característica que torna impensável uma guerra lá em casa: como se sabe, as forças armadas estado-unidenses têm por hábito destruir à bomba o país contra o qual estão em guerra. Ora, esse é um hábito que, sendo aplicável a qualquer outro país, não o é aos EUA, por razões óbvias.
Mas dizia eu que, nos EUA, quando há crise interna ou quando a popularidade de Bush desce, logo a solução terrorista espreita à janela e sorri – se possível longe (em Madrid, ou em Riade, ou onde for necessário) mas se necessário for na própria casa. Toda a gente se lembra de como a popularidade de Bush subiu na sequência do 11 de Setembro; de como isso lhe iluminou a tarefa de mandar lançar milhares de toneladas de bombas libertadoras sobre o Afeganistão – destruindo o país e assassinando milhares de pessoas; de como o êxito da destruição do Afeganistão lhe deu forças para lançar ainda mais bombas e matar ainda mais gente no Iraque...
Ora, Bush quer ganhar as eleições. Melhor dizendo: quer continuar a ser presidente. Repetir a fraude das últimas eleições é uma hipótese. Outra, é o recurso ao pai de todos os trunfos. A ver vamos.
Mas dizia eu que, nos EUA, quando há crise interna ou quando a popularidade de Bush desce, logo a solução terrorista espreita à janela e sorri – se possível longe (em Madrid, ou em Riade, ou onde for necessário) mas se necessário for na própria casa. Toda a gente se lembra de como a popularidade de Bush subiu na sequência do 11 de Setembro; de como isso lhe iluminou a tarefa de mandar lançar milhares de toneladas de bombas libertadoras sobre o Afeganistão – destruindo o país e assassinando milhares de pessoas; de como o êxito da destruição do Afeganistão lhe deu forças para lançar ainda mais bombas e matar ainda mais gente no Iraque...
Ora, Bush quer ganhar as eleições. Melhor dizendo: quer continuar a ser presidente. Repetir a fraude das últimas eleições é uma hipótese. Outra, é o recurso ao pai de todos os trunfos. A ver vamos.