Alentejo à espera de investimento público

Urge potenciar os recursos

O investimento público, tantas vezes prometido e sempre adiado, é condição para dinamizar o desenvolvimento do Alentejo. Para esta questão central voltou a chamar a atenção a bancada comunista, defendendo políticas que potenciando os vastos recursos existentes possam superar as dificuldades actuais.
Em causa está sobretudo a adopção de medidas que invertam linhas de tendência, com várias décadas, como a desertificação e o envelhecimento da população. O que passa, necessariamente, pela existência de vontade política – que não tem existido até agora – capaz de promover o investimento público e, por essa via, revitalizar o conjunto do tecido económico regional.
Foi o que o deputado comunista Rodeia Machado voltou a exigir recentemente no Parlamento, pondo o acento tónico na absoluta necessidade de alguns grandes projectos serem objecto de intervenções por parte da administração central visando a sua rentabilização.
Estão neste caso, citou, lembrando também as conclusões nesse sentido apontadas pelo Congresso do Alentejo, recentemente realizado em Montemor-o-Novo, o empreendimento do Alqueva, a Base Aérea de Beja ou o Porto de Sines.
Mas igualmente em condições de contribuir decisivamente para um desenvolvimento sustentável da região, acrescentou, estão projectos como o da exploração de mármores e da faixa piritosa do Alentejo (jazidas de Neves Corvo e Aljustrel), a vertente turística, a agro-pecuária, a vitivinicultura, o azeite e produtos de excelência regionais como o queijo e os enchidos, para não falar das novas produções no plano da horticultura, fruticultura e floricultura que estão a surgir no litoral Alentejano.
Detendo-se a analisar com mais detalhe a questão da barragem do Alqueva, sobretudo na perspectiva da sua sustentabilidade, Rodeia Machado sublinhou a importância de o projecto ser encarado de uma forma global, ou seja, enquanto empreendimento de fins múltiplos, nas suas diferentes valias de grande reserva de água, seja para o abastecimento às populações, seja para o regadio agrícola de uma área de 110 mil hectares, seja para a produção hidroeléctrica, seja pelo seu enorme potencial turístico.
Quanto à Base de Beja e a sua abertura para fins civis, na perspectiva do PCP, esta é uma importante infra-estrutura fundamental para a região e o País que pode e deve ser aproveitada. Sendo certo, como foi dito, que não faltam operadores interessados e que o seu aproveitamento não carece de um investimento vultuoso. O que tem faltado, isso sim, são decisões no sentido de fazer avançar o projecto, como têm faltado medidas para ultrapassar os entraves que tem enfrentado esse outro grande projecto que é o Porto de Sines.
«O Terminal XXI, entregue para exploração ao operador de Singapura (P.S.A.) tem visto adiada a sua entrada em funcionamento e é público que foi equacionada a venda da posição deste entidade», lembrou Rodeia Machado, que se interrogou sobre quais são, afinal, os condicionalismos ou factos que estão a entravar o processo.


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