Bush, o salvador

«Se a América se mostrar fraca ou com dúvidas durante esta década, o mundo caminhará para uma tragédia. Isso não acontecerá enquanto eu estiver no poder». A
palavras são do presidente norte-americano, George W. Bush, que começa a dedicar particular atenção ao seu presumível rival, John Kerry, na corrida à Casa Branca.
A estratégia eleitoral de Bush parece assentar na exploração exaustiva do «terrorismo» e na teoria das «guerras preventivas».
«Devemos confrontar as ameaças antes delas se concretizarem», afirmou Bush esta semana durante uma reunião eleitoral para angariar fundos em Dallas (Texas), insistindo na tentativa de justificar o ataque e ocupação do Iraque.
«Devido às nossas acções, o mundo está mais seguro e a segurança da América é
maior», garantiu Bush. Os responsáveis da sua campanha, no entanto, parecem recear que o medo do terrorismo se esbata, pelo que decidiram divulgar spots televisivos utilizando imagens de atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 que provocaram quase 3000 mortos nos EUA.
A decisão suscitou protestos por parte de famílias das vítimas e de sindicatos de
bombeiros, mas a máquina eleitoral de Bush propõe-se insistir na tecla, ao mesmo tempo que os ataques a Kerry se intensificam.

Contradições e convicções

Uma das principais críticas de Bush ao seu virtual opositor - que votou a favor da guerra contra o Iraque em 2002 - é a de que a sua acção durante os 20 anos passados no Senado terão contribuído para enfraquecer as capacidades de defesa dos Estados Unidos.
Em causa parece estar uma lei de 1995, patrocinada por Kerry, destinada a cortar 1,5
mil milhões de dólares nas despesas com os serviços de espionagem por um período
de cinco anos. O corte fazia parte do que Kerry chamou então de «uma forte talhada no orçamento» para lhe retirar 90 mil milhões de dólares e acabar com 40 programas que na sua opinião eram «despropositados, ruinosos, antiquados e claramente disparatados».
Como é que esta iniciativa prejudicou a segurança norte-americana é um mistério, tanto mais que o próprio Bush afirma que «a lei era tão profundamente irresponsável que ele (Kerry) não teve um único co-patrocinador no Senados dos Estados Unidos».
Mas as contradições não atrapalham o actual inquilino da Casa Branca, que acusa ainda o seu adversário de não ter convicções sólidas. «O meu adversário tem convicções, mas elas nunca duram muito tempo», disse Bush, garantindo que «o senador Kerry passou tempo suficiente em Washington para dizer uma coisa e a sua contrária em cada uma das questões».
A campanha promete.


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