Luta com efeito
Para exigir que os responsáveis da cadeia de supermercados passassem de promessas adiadas a respostas concretas, os sindicatos do comércio realizaram uma concentração de trabalhadores, que desfilaram das Amoreiras até ao Campo Grande.
Cabe agora à empresa responder, conforme se comprometeu
A acção dos activistas sindicais do CESP e do CESNorte foi convocada porque «todos os esforços» dos sindicatos para resolver problemas, cumprir o contrato colectivo de trabalho e as leis, e respeitar compromissos alcançados, não recebiam resposta da empresa, mas «apenas sucessivas promessas de resposta, adiadas, às vezes, a minutos da hora marcada para as dar» – como explicava um comunicado.
Em causa estão questões, como a degradação de salários (devido à imposição de actualizações inferiores à inflação, nos últimos dois anos), a classificação em categorias inferiores às funções exercidas, a organização de horários de trabalho em desrespeito da lei e do contrato colectivo, as condições de higiene e segurança no trabalho, o não pagamento do trabalho suplementar...
Reclamam igualmente que o Pingo Doce e o grupo Jerónimo Martins Retalho exerçam a sua influência, na associação patronal do sector (APED, presidida pelo Modelo Continente, do grupo Sonae), contribuindo para a revisão do contrato colectivo (que se encontra na fase de conciliação).
«Cansados de insistir com a empresa», trabalhadores e sindicatos avançaram para a luta, com impacto público. Várias dezenas de activistas, representando principalmente as regiões do Porto, Aveiro, Lisboa e Setúbal, concentraram-se dia 26 de Fevereiro nas Amoreiras, junto à sede do grupo JMR, e deslocaram-se depois, a pé e em cordão humano, até à sede do Pingo Doce, no Campo Grande. «O esforço, muito, valeu a pena», congratularam-se os sindicatos, num comunicado em que saúdam todos os participantes daquela «magnífica acção de luta».
A iniciativa «demonstra a determinação de defender os direitos e lutar por melhores condições de trabalho, horários, subsídios e salários». Apesar das estações de televisão não terem feito a cobertura da jornada, «certamente porque são “a voz do dono”», o desfile «foi visto por muita gente».
Por fim, o director-geral e outros responsáveis da empresa aceitaram receber uma delegação dos trabalhadores, que lhes apresentou uma moção aprovada frente à sede. Os sindicatos notaram uma «abertura positiva ao diálogo» e esperam «que seja agora que apresentem as respostas e soluções para os problemas que afectam os trabalhadores».
O «capataz» do Feira Nova
«Eu vou chatear-vos e muito, preparem-se!», «ponham as barbas de molho» e «vai sobrar “porrada” no final do mês» são algumas das expressões utilizadas por um gerente de um dos supermercados Feira Nova, pertencente ao grupo Jerónimo Martins Retalho.
A denúncia pública foi feita pelo CESP/CGTP-IN, que divulgou excertos de comunicações internas emitidas pelo gestor da loja Feira Nova em Faro. O sindicato ilustrou o comportamento daquele responsável com textos onde figuravam ainda outras ordens e ameaças, como «Foi uma vergonha a quebra que tivemos. Analisem o que pedem. Quando vem, façam fundos falsos, pressionem os repositores».
Se a escrita já parece violenta, o CESP afirma que «a conversa “zurrada” é numa linguagem de palavrões intransmissível, sejam os destinatários homens ou mulheres». Conta o sindicato que, depois de um «banho» dado pelo gestor, uma trabalhadora demitiu-se e «o “senhor” obrigou-a a ir com ele reconhecer de imediato a assinatura na carta de demissão», para o selo do notário tornar o acto irreversível.
Sendo a questão mais levantada, nas comunicações internas, a das quebras (produtos perecíveis que acabam por não ser vendidos), o CESP esclarece que «parte das compras» que resultam em quebra «são directamente mandadas fazer pelo “senhor”».
«É com “capatazes” destes que empresas cotadas em Bolsa querem progredir ou eles são simplesmente reflexo do que acima se passa» – pergunta o sindicato.
Em causa estão questões, como a degradação de salários (devido à imposição de actualizações inferiores à inflação, nos últimos dois anos), a classificação em categorias inferiores às funções exercidas, a organização de horários de trabalho em desrespeito da lei e do contrato colectivo, as condições de higiene e segurança no trabalho, o não pagamento do trabalho suplementar...
Reclamam igualmente que o Pingo Doce e o grupo Jerónimo Martins Retalho exerçam a sua influência, na associação patronal do sector (APED, presidida pelo Modelo Continente, do grupo Sonae), contribuindo para a revisão do contrato colectivo (que se encontra na fase de conciliação).
«Cansados de insistir com a empresa», trabalhadores e sindicatos avançaram para a luta, com impacto público. Várias dezenas de activistas, representando principalmente as regiões do Porto, Aveiro, Lisboa e Setúbal, concentraram-se dia 26 de Fevereiro nas Amoreiras, junto à sede do grupo JMR, e deslocaram-se depois, a pé e em cordão humano, até à sede do Pingo Doce, no Campo Grande. «O esforço, muito, valeu a pena», congratularam-se os sindicatos, num comunicado em que saúdam todos os participantes daquela «magnífica acção de luta».
A iniciativa «demonstra a determinação de defender os direitos e lutar por melhores condições de trabalho, horários, subsídios e salários». Apesar das estações de televisão não terem feito a cobertura da jornada, «certamente porque são “a voz do dono”», o desfile «foi visto por muita gente».
Por fim, o director-geral e outros responsáveis da empresa aceitaram receber uma delegação dos trabalhadores, que lhes apresentou uma moção aprovada frente à sede. Os sindicatos notaram uma «abertura positiva ao diálogo» e esperam «que seja agora que apresentem as respostas e soluções para os problemas que afectam os trabalhadores».
O «capataz» do Feira Nova
«Eu vou chatear-vos e muito, preparem-se!», «ponham as barbas de molho» e «vai sobrar “porrada” no final do mês» são algumas das expressões utilizadas por um gerente de um dos supermercados Feira Nova, pertencente ao grupo Jerónimo Martins Retalho.
A denúncia pública foi feita pelo CESP/CGTP-IN, que divulgou excertos de comunicações internas emitidas pelo gestor da loja Feira Nova em Faro. O sindicato ilustrou o comportamento daquele responsável com textos onde figuravam ainda outras ordens e ameaças, como «Foi uma vergonha a quebra que tivemos. Analisem o que pedem. Quando vem, façam fundos falsos, pressionem os repositores».
Se a escrita já parece violenta, o CESP afirma que «a conversa “zurrada” é numa linguagem de palavrões intransmissível, sejam os destinatários homens ou mulheres». Conta o sindicato que, depois de um «banho» dado pelo gestor, uma trabalhadora demitiu-se e «o “senhor” obrigou-a a ir com ele reconhecer de imediato a assinatura na carta de demissão», para o selo do notário tornar o acto irreversível.
Sendo a questão mais levantada, nas comunicações internas, a das quebras (produtos perecíveis que acabam por não ser vendidos), o CESP esclarece que «parte das compras» que resultam em quebra «são directamente mandadas fazer pelo “senhor”».
«É com “capatazes” destes que empresas cotadas em Bolsa querem progredir ou eles são simplesmente reflexo do que acima se passa» – pergunta o sindicato.