Trabalhadores simularam funeral do Governo

Queremos «peixe» melhor

Na quarta-feira de cinzas, a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública simulou, através da sátira e da ironia, «o enterro da política do cherne».

A pa­ródia chamou a atenção para coisas sé­rias

Cerca de 500 trabalhadores, dirigentes e delegados sindicais concentraram-se na Praça da Figueira, em Lisboa, no dia 25, e seguiram em manifestação até ao Ministério das Finanças, no Terreiro do Paço, onde se consumou o enterro.
Encabeçada pelos tambores e a percussão do grupo «Bardoada» do Pinhal Novo que foi atraindo a atenção dos transeuntes, a marcha trouxe à cabeça um carro funerário com um caixão, onde se destacavam as caricaturas de Durão Barroso e de Manuela Leite, envoltos em frases elucidativas do estado de espírito dos manifestantes.
Assim, «Durão, cherne lamacento» e «Bacalhoa Seca Ferreira Leite» foram os reis deste fim de carnaval. Atrás do carro um grande grupo de gatos pingados simulava o choro sentido de chefes de gabinete, do ministro da Defesa, da Administração Interna, dos banqueiros, das multinacionais, do ministro do Trabalho, da Educação, dos gestores hospitalares SA, secretários de Estado, seguradoras, gestores públicos, caloteiros do fisco e senhores da água que, durante o percurso, foram lamentando o «enterro das palhaçadas do Governo PSD/PP».
Com chocalhos, serpentinas, apitos, papelinhos e todo o tipo de materiais de carnaval, os manifestantes seguiam atrás do carro com uma faixa a alertar para uma necessidade sentida por todos: o direito à «dignidade, pela defesa dos direitos dos trabalhadores contra esta ou outra política de direita».
Uma jovem, vestida de varina, percorreu a manifestação com uma cesta cheia de chernes a gritar «queremos peixe melhor!», e lá ia dando com o peixe nos traseiros de alguns distraídos. Outras duas percorreram todo o percurso sobre andas e vestidas a condizer com o carnaval.
Muitos participantes ostentavam placas onde se podia ler: «os salários baixam, os preços sobem». Outro pano, do Sindicato dos Professores da Região Centro, exigia a aposentação para o ministro Justino, enquanto vários enfermeiros contra a precariedade, salientavam que esta avaliação é igual à partidarização.
No fim da concentração, um texto carregado de ironia e humor sobre os motivos da iniciativa, traçou um retrato da dura realidade do País, seguido de um curta intervenção de Paulo Trindade. O dirigente da Frente Comum e da FNSFP/CGTP-IN, apelou à participação de todos na jornada de dia 11, e salientou que a iniciativa demonstrou que «os trabalhadores não perderam o optimismo e a confiança no fim desta política feita contra os direitos de quem trabalha».
Simbolicamente, a urna foi depositada à porta do Ministério.


Mais artigos de: Trabalhadores

Contra novo Código

No período de discussão pública, centenas de milhares de trabalhadores pronunciaram-se contra a proposta de lei que visa, formalmente, regulamentar o Código do Trabalho, mas que, na realidade, representa um novo pacote laboral.

Luta com efeito

Para exigir que os responsáveis da cadeia de supermercados passassem de promessas adiadas a respostas concretas, os sindicatos do comércio realizaram uma concentração de trabalhadores, que desfilaram das Amoreiras até ao Campo Grande.

Um grande plenário

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa efectuaram, no dia 26, um plenário nacional, frente ao Conselho de Ministros, para recordar os problemas específicos deste sector e protestar contra a política dos baixos salários, de supressão de direitos...

Finanças em hasta pública

Os trabalhadores da carreira técnica do património leiloaram, na Praça do Comércio, no dia 26, a política do Ministério das Finanças. Em nome dos funcionários da Direcção-Geral do Património, três dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores presidiram a um leilão simulado, que efectuou uma...

Não docentes em greve

O Presidente da República enviou ao Tribunal Constitucional para fiscalização preventiva, o diploma do Governo sobre contratos individuais de trabalho na Função Pública. Para os cerca de três mil trabalhadores, em plenário, no dia da greve, frente ao Ministério da Educação, esta foi uma pequena mas doce vitória. Paulo...

<em>Corte</em> nos professores

Quase sete mil lugares nos quadros de escola de todo o País vão ser encerrados no próximo ano lectivo, denunciou a Federação Nacional de Professores, alertando para o agravamento da instabilidade e precariedade de emprego entre os docentes. Em nota divulgada segunda-feira, a Fenprof assinalou o início do processo de...

Ferroviários mobilizam-se

«Assume especial importância a acção de luta nacional, convocada pela CGTP-IN para o dia 11 de Março, à qual os trabalhadores ferroviários darão um contributo importante», afirma-se na resolução aprovada há uma semana. No dia 26 de Fevereiro, em Lisboa, teve lugar uma concentração nacional do sector, onde foi denunciada...