Força, Portugal

Anabela Fino
O facto de o PSD ter decidido parafrasear o lema da direita italiana para a sua campanha às eleições europeias escandalizou muita gente, mas em boa verdade há que reconhecer que se trata de uma manifestação da mais elementar coerência.
Ouvir Durão Barroso clamar «Força Portugal» ou escutar os amigos do seu homólogo Berlusconi gritar «Força Itália» nada tem de surpreendente. Evidencia, quanto muito, uma elementar falta de originalidade, mas quanto à substância está em plena sintonia com a orientação política, económica e social nas forças de direita no poder nos dois países.
Durão não é um magnate do sector da comunicação social nem anda a contas com a justiça por fraudes fiscais e outras manigâncias com dinheiros públicos e privados, mas os seus créditos como personagem da reacção e do capital vêm de longa data. Como ainda no passado fim-de-semana lembrou o mediático Marcelo Rebelo de Sousa, num algo suspeito gesto de simpatia para com o líder do seu partido, Durão sempre esteve do mesmo lado da barricada, mesmo quando parecia ser o mais intransigente dos revolucionários.
Lembrou MRS, e bem, que Durão, nos seus tempos de maoísta, prestou um inestimável serviço à contra-revolução, tal como de resto todos os seus apaniguados dos grupos e grupelhos que proliferaram como cogumelos logo a seguir ao 25 de Abril.
Para justificar o ataque à revolução era preciso que os «revolucionários» fossem vistos como «feios, porcos e maus», e para isso lá estavam os «esquerdistas» a acusar o PCP de «reformista» e a semear a confusão que depois era atribuída... aos comunistas.
Nada melhor do que semear o caos e o medo para legitimar os apelos à ordem e à segurança, e os durões «comunistas» de então prestaram-se ao serviço, com o inestimável apoio do PS, como MRS também fez questão de sublinhar, e o financiamento dos amigos americanos, alemães e sabe-se lá de quem mais.
Não faltaram sequer umas ditas FP25 a matar industriais e agrários, inclusive uma criança, fazendo recair todo o odioso de tais práticas sobre os «comunistas».
Depois foi o que se sabe. Os «revolucionários» despiram a ganga e passaram a usar gravata, cortaram as barbas e deixaram crescer barriga, trocaram as cantinas pela mesa do orçamento e as portas das fábricas pelo conforto dos conselhos de administração. Agora só saem à rua com guarda-costas. Coerentes, como sempre.


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