Falar de sexo ainda é tabu
Falar de sexo é difícil para os jovens e as dúvidas vão-se acumulando. O número de mães adolescentes aumentou e uma das soluções é a aplicação da educação sexual. Teresa Chaveiro, da JCP, explica porquê.
Teresa Chaveiro, membro do Secretariado da JCP, em entrevista ao Avante!, salienta a importância da implementação da educação sexual, 20 anos depois da sua aprovação na Assembleia da República: «Ainda há muitos preconceitos, ainda é um tabu falar sobre o corpo e os sentimentos e isso não ajuda na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e na divulgação dos métodos contraceptivos.»
Para a dirigente, a informação a que os jovens têm acesso é insuficiente. «Há pouco tempo foi divulgado um estudo que mostrava que a maioria dos jovens pensa que a sida é uma doença inventada para contrariar o sexo na adolescência, o que mostra como há pouca informação comparado com o que seria desejável. As dúvidas que os jovens têm na adolescência são muitas e muitas vezes não são esclarecidas. Não existem centros de apoio nas escolas onde se possam dirigir e muitos não se sentem à vontade para colocar as perguntas em casa», sublinha.
Teresa Chaveiro considera que o papel dos pais e da escola se complementam. «Na escola, um texto de Português ou de Filosofia pode abordar o amor e os sentimentos, em casa os jovens podem ouvir falar sobre outras questões. Na maior parte das vezes não entram em contradição. Há pais que têm problemas em falar destas problemáticas com os filhos e nestes casos é ainda mais importante informar e esclarecer nas escolas», declara.
Falta de vontade
Para que a educação sexual se torne uma realidade nas escolas é preciso que os programas escolares sejam adaptados e os professores preparados. Actualmente existem apenas cerca de 1500 técnicos formados.
«Há falta de investimento nas escolas, nos livros e noutros materiais escolares e falta de vontade de aplicar a lei», denuncia Teresa Chaveiro. Quando a interrupção voluntária da gravidez foi votada na Assembleia da República e depois referendada, «o PSD e o CDS-PP falavam muito da educação sexual, mas, desde que estão no Governo, não fizeram nada para que entrasse em funcionamento. Talvez não estejam, de facto, interessados nisso.»
Foram assinados protocolos com três associações para formar professores e técnicos para as aulas de educação sexual. Uma delas é o Movimento pela Defesa da Vida, que defende a abstinência sexual e é contra o uso de preservativo e da pílula. «Esta associação não há-de ir falar sobre os métodos contraceptivos, pelo contrário», comenta.
Abaixo-assinado pela aplicação da lei
A Organização do Ensino Secundário da JCP lançou anteontem um abaixo-assinado pela implementação da educação sexual nas escolas, lembrando que a lei foi aprovada há 20 anos pela Assembleia da República.
A data não foi esquecida pela Organização Regional de Évora, que, na semana passada, distribuiu panfletos nas escolas do 2.º ciclo do ensino básico e do secundário alertando para as vantagens da aplicação da lei.
Na quinta-feira, uma delegação da JCP foi recebida pelo Presidente da Assembleia da República. Na audiência, os jovens comunistas apresentaram as suas preocupações sobre a necessidade de aplicar a educação sexual e de despenalizar a interrupção voluntária da gravidez. Foi ainda entregue a Mota Amaral a Declaração Internacional de Solidariedade para com as sete mulheres acusada de prática de aborto pelo Tribunal de Aveiro.
Para a dirigente, a informação a que os jovens têm acesso é insuficiente. «Há pouco tempo foi divulgado um estudo que mostrava que a maioria dos jovens pensa que a sida é uma doença inventada para contrariar o sexo na adolescência, o que mostra como há pouca informação comparado com o que seria desejável. As dúvidas que os jovens têm na adolescência são muitas e muitas vezes não são esclarecidas. Não existem centros de apoio nas escolas onde se possam dirigir e muitos não se sentem à vontade para colocar as perguntas em casa», sublinha.
Teresa Chaveiro considera que o papel dos pais e da escola se complementam. «Na escola, um texto de Português ou de Filosofia pode abordar o amor e os sentimentos, em casa os jovens podem ouvir falar sobre outras questões. Na maior parte das vezes não entram em contradição. Há pais que têm problemas em falar destas problemáticas com os filhos e nestes casos é ainda mais importante informar e esclarecer nas escolas», declara.
Falta de vontade
Para que a educação sexual se torne uma realidade nas escolas é preciso que os programas escolares sejam adaptados e os professores preparados. Actualmente existem apenas cerca de 1500 técnicos formados.
«Há falta de investimento nas escolas, nos livros e noutros materiais escolares e falta de vontade de aplicar a lei», denuncia Teresa Chaveiro. Quando a interrupção voluntária da gravidez foi votada na Assembleia da República e depois referendada, «o PSD e o CDS-PP falavam muito da educação sexual, mas, desde que estão no Governo, não fizeram nada para que entrasse em funcionamento. Talvez não estejam, de facto, interessados nisso.»
Foram assinados protocolos com três associações para formar professores e técnicos para as aulas de educação sexual. Uma delas é o Movimento pela Defesa da Vida, que defende a abstinência sexual e é contra o uso de preservativo e da pílula. «Esta associação não há-de ir falar sobre os métodos contraceptivos, pelo contrário», comenta.
Abaixo-assinado pela aplicação da lei
A Organização do Ensino Secundário da JCP lançou anteontem um abaixo-assinado pela implementação da educação sexual nas escolas, lembrando que a lei foi aprovada há 20 anos pela Assembleia da República.
A data não foi esquecida pela Organização Regional de Évora, que, na semana passada, distribuiu panfletos nas escolas do 2.º ciclo do ensino básico e do secundário alertando para as vantagens da aplicação da lei.
Na quinta-feira, uma delegação da JCP foi recebida pelo Presidente da Assembleia da República. Na audiência, os jovens comunistas apresentaram as suas preocupações sobre a necessidade de aplicar a educação sexual e de despenalizar a interrupção voluntária da gravidez. Foi ainda entregue a Mota Amaral a Declaração Internacional de Solidariedade para com as sete mulheres acusada de prática de aborto pelo Tribunal de Aveiro.