Forte greve no Lisboa Marriot
Os 250 efectivos do ex-Penta Hotel realizaram uma greve no passado dia 26, para exigir a reintegração de dois trabalhadores. A adesão foi de 90 por cento.
O que está a ocorrer na Sóteis S.A., Lisboa Marriot hotel, ex-Sóteis S.A., Lisboa Penta Hotel, é um bom retrato das pressões que sofrem diariamente milhares de trabalhadores do sector hoteleiro.
Desde que a multinacional norte-americana Marriot se apropriou do hotel ao grupo iraquiano Al-Baker, em 1999, que a saúde física e psíquica dos trabalhadores se tem deteriorado «drasticamente».
Uma média de dez por cento dos trabalhadores estão de baixa médica, e, de acordo com as denuncias do sindicato, motivos é que não faltam.
Rodolfo Caseiro, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares, António Martinho, delegado sindical e Carlos Nogueira, dirigente sindical e ambos membros da Comissão de Trabalhadores, contaram ao Avante! as pressões sofridas neste hotel cujos trabalhadores têm granjeado prestígio e estima por parte dos próprios clientes.
Prova disso foi que na greve passada, muitos foram os clientes do hotel que prestaram a sua solidariedade com os trabalhadores, tendo alguns deles tomado a iniciativa de exibirem um pano de solidariedade numa janela do hotel.
António Martinho revelou o Caderno Reivindicativo do sindicato apresentado para o ano passado, que já explicitava a falta de condições de higiene e situações «degradantes» a que os trabalhadores ainda hoje são forçados a sujeitar-se.
Já nessa altura, a administração passou a proibir a existência de cadeiras ao balcão de atendimento, de forma a obrigar os recepcionistas a trabalhar de pé dias e noites inteiras, situação que se prolonga até hoje.
Alguns dos funcionários têm mais de 50 anos de idade e mais de 20 de casa.
Dos restaurantes foram retirados os carrinhos de apoio às louças, de forma a obrigar os funcionários a transportar tudo em braços.
Os empregados de limpeza viram serem-lhes retirados também os carros de transporte de roupas limpas e sujas. forçados a transportar tudo à mão, várias trabalhadoras sofreram já alergias nos braços, provocadas pelos contactos com as roupas sujas.
Sob forte pressão estão também as chefias portuguesas, pelo mesmo motivo.
Todos os trabalhadores que tem sido maltratados e, em alguns casos, até «provocados», pertencem ao quadro da empresa e a Marriot pretende despedi-los para, em sua substituição, contratar trabalhadores a termo, oriundos de empresas de trabalho temporal.
Rodolfo Caseiro destacou a elevada consciência social e de classe dos trabalhadores deste hotel demonstrada com uma quase total adesão à greve. Foi a demonstração de «um grande sentido de solidariedade», em consequência de um conjunto de lutas desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Como afirmou o dirigente sindical, todos têm consciência de que «hoje são estes dois, amanhã podem ser eles», uma vez que está instalado um clima de repressão e perseguição a todos os que estejam efectivos.
Os dois trabalhadores em causa «têm tomado posições de coerência ao longo de todas as lutas, em defesa dos seus direitos». Segundo Rodolfo Caseiro, «não há qualquer motivo para os dois despedimentos. São trabalhadores considerados incómodos por se terem sempre batido pela defesa dos seus direitos».
Com 2.500 hotéis, a Marriot é uma das maiores cadeias hoteleiras do mundo. Quando tomou posse do ex-Penta, pretendeu exigir que fosse assinado um novo contrato de trabalho «completamente ilegal e desenquadrado da lei portuguesa», revelou Rodolfo Caseiro. Os trabalhadores recusaram e, a partir daí, começaram as pressões.
Certo é que no ex-Penta todos estão mobilizados para prosseguir a luta até à reintegração dos funcionários em causa. Isso mesmo foi reafirmado no plenário que decorreu no final do dia de greve.
Ideias «nazis»
Carlos Nogueira salientou que até os chefes portugueses são «maltratados, provocados e ignorados com o propósito de se despedirem». Acusa a administração de ser composta por elementos «com ideias nazis e prepotentes» e de estarem a ser usadas trabalhadores de empresas de trabalho temporal para substituição de trabalhadores do quadro. A prazo, os funcionários estão sujeitos a todas as situações.
Denunciou ainda a atitude do advogado da Marriot que, no dia da greve não queria deixar entrar o piquete no hotel. Por fim, o advogado José Saramago, «contrariado», acompanhou o piquete a algumas secções, com a presença - depois de muita pressão do sindicato - de um Inspector Geral do Trabalho.
Carlos Nogueira não duvida que, com a entrada esta semana, do Código do Trabalho, vão aumentar as pressões sobre restes trabalhadores que, em unidade, têm dado mostras de grande confiança da sua luta. Um exemplo a seguir.
Desde que a multinacional norte-americana Marriot se apropriou do hotel ao grupo iraquiano Al-Baker, em 1999, que a saúde física e psíquica dos trabalhadores se tem deteriorado «drasticamente».
Uma média de dez por cento dos trabalhadores estão de baixa médica, e, de acordo com as denuncias do sindicato, motivos é que não faltam.
Rodolfo Caseiro, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares, António Martinho, delegado sindical e Carlos Nogueira, dirigente sindical e ambos membros da Comissão de Trabalhadores, contaram ao Avante! as pressões sofridas neste hotel cujos trabalhadores têm granjeado prestígio e estima por parte dos próprios clientes.
Prova disso foi que na greve passada, muitos foram os clientes do hotel que prestaram a sua solidariedade com os trabalhadores, tendo alguns deles tomado a iniciativa de exibirem um pano de solidariedade numa janela do hotel.
António Martinho revelou o Caderno Reivindicativo do sindicato apresentado para o ano passado, que já explicitava a falta de condições de higiene e situações «degradantes» a que os trabalhadores ainda hoje são forçados a sujeitar-se.
Já nessa altura, a administração passou a proibir a existência de cadeiras ao balcão de atendimento, de forma a obrigar os recepcionistas a trabalhar de pé dias e noites inteiras, situação que se prolonga até hoje.
Alguns dos funcionários têm mais de 50 anos de idade e mais de 20 de casa.
Dos restaurantes foram retirados os carrinhos de apoio às louças, de forma a obrigar os funcionários a transportar tudo em braços.
Os empregados de limpeza viram serem-lhes retirados também os carros de transporte de roupas limpas e sujas. forçados a transportar tudo à mão, várias trabalhadoras sofreram já alergias nos braços, provocadas pelos contactos com as roupas sujas.
Sob forte pressão estão também as chefias portuguesas, pelo mesmo motivo.
Todos os trabalhadores que tem sido maltratados e, em alguns casos, até «provocados», pertencem ao quadro da empresa e a Marriot pretende despedi-los para, em sua substituição, contratar trabalhadores a termo, oriundos de empresas de trabalho temporal.
Rodolfo Caseiro destacou a elevada consciência social e de classe dos trabalhadores deste hotel demonstrada com uma quase total adesão à greve. Foi a demonstração de «um grande sentido de solidariedade», em consequência de um conjunto de lutas desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Como afirmou o dirigente sindical, todos têm consciência de que «hoje são estes dois, amanhã podem ser eles», uma vez que está instalado um clima de repressão e perseguição a todos os que estejam efectivos.
Os dois trabalhadores em causa «têm tomado posições de coerência ao longo de todas as lutas, em defesa dos seus direitos». Segundo Rodolfo Caseiro, «não há qualquer motivo para os dois despedimentos. São trabalhadores considerados incómodos por se terem sempre batido pela defesa dos seus direitos».
Com 2.500 hotéis, a Marriot é uma das maiores cadeias hoteleiras do mundo. Quando tomou posse do ex-Penta, pretendeu exigir que fosse assinado um novo contrato de trabalho «completamente ilegal e desenquadrado da lei portuguesa», revelou Rodolfo Caseiro. Os trabalhadores recusaram e, a partir daí, começaram as pressões.
Certo é que no ex-Penta todos estão mobilizados para prosseguir a luta até à reintegração dos funcionários em causa. Isso mesmo foi reafirmado no plenário que decorreu no final do dia de greve.
Ideias «nazis»
Carlos Nogueira salientou que até os chefes portugueses são «maltratados, provocados e ignorados com o propósito de se despedirem». Acusa a administração de ser composta por elementos «com ideias nazis e prepotentes» e de estarem a ser usadas trabalhadores de empresas de trabalho temporal para substituição de trabalhadores do quadro. A prazo, os funcionários estão sujeitos a todas as situações.
Denunciou ainda a atitude do advogado da Marriot que, no dia da greve não queria deixar entrar o piquete no hotel. Por fim, o advogado José Saramago, «contrariado», acompanhou o piquete a algumas secções, com a presença - depois de muita pressão do sindicato - de um Inspector Geral do Trabalho.
Carlos Nogueira não duvida que, com a entrada esta semana, do Código do Trabalho, vão aumentar as pressões sobre restes trabalhadores que, em unidade, têm dado mostras de grande confiança da sua luta. Um exemplo a seguir.