Já e em força !
Discursando no congresso das «gerações queques», perdão, das ditas «gerações populares», Paulo Portas lançou a seguinte pergunta : « Eu tenho orgulho na história de Portugal, por que me hão-de impor (na Constituição) que o Estado deve ser anticolonialista?”.
Relatada a pergunta, saiba-se então que Paulo Portas estava a investir contra o facto de o nº 2 do artº 7º da Constituição da República (que o projecto de revisão do PSD e do CDS/PP se propõe mutilar consideravelmente) cometer o atrevimento e o crime de lesa-Pátria de dispor que «Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações internacionais».
Para além de ficarmos a saber que Paulo Portas tem seguramente mais «orgulho» nalgumas componentes da história de Portugal (por exemplo, o colonialismo) do que noutras (por exemplo, o 25 de Abril), fica-se sobretudo a perceber que, segundo o edificante pensamento de Paulo Portas, a Constituição da República deveria estar proibida de preconizar a abolição do colonialismo porque Portugal foi durante séculos uma potência colonial.
Como se calcula, o argumento é sensacional e, em rigor, devia prometer novos e emocionantes desenvolvimentos.
Aguarda-se por isso que, a qualquer momento, entre infindáveis exemplos, Paulo Portas venha perguntar por que é lhe hão-de impor uma Constituição que consagra a democracia quando Portugal foi durante décadas uma ignominiosa ditadura fascista e que consagra a igualdade de direitos e de dignidade entre os cidadãos quando é certo que Portugal foi no passado um país esclavagista.
Não estará a perceber nada do filme político que hoje está a correr em Portugal quem imaginar que estas e muitas outras declarações que os responsáveis do CDS/PP estão fazendo, aliás com a significativa benção e cumplicidade do PSD, são meros rompantes verbais para animar congressos de «gerações queques».
Porque, muito longe disso, são antes o rançoso e estragado caldo de concepções e anti-valores que verdadeiramente inspira e ilumina os eixos essenciais da política da direita governante e que justamente poderiam ser sintetizados no lema «para o passado, já e em força ! ».
Relatada a pergunta, saiba-se então que Paulo Portas estava a investir contra o facto de o nº 2 do artº 7º da Constituição da República (que o projecto de revisão do PSD e do CDS/PP se propõe mutilar consideravelmente) cometer o atrevimento e o crime de lesa-Pátria de dispor que «Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações internacionais».
Para além de ficarmos a saber que Paulo Portas tem seguramente mais «orgulho» nalgumas componentes da história de Portugal (por exemplo, o colonialismo) do que noutras (por exemplo, o 25 de Abril), fica-se sobretudo a perceber que, segundo o edificante pensamento de Paulo Portas, a Constituição da República deveria estar proibida de preconizar a abolição do colonialismo porque Portugal foi durante séculos uma potência colonial.
Como se calcula, o argumento é sensacional e, em rigor, devia prometer novos e emocionantes desenvolvimentos.
Aguarda-se por isso que, a qualquer momento, entre infindáveis exemplos, Paulo Portas venha perguntar por que é lhe hão-de impor uma Constituição que consagra a democracia quando Portugal foi durante décadas uma ignominiosa ditadura fascista e que consagra a igualdade de direitos e de dignidade entre os cidadãos quando é certo que Portugal foi no passado um país esclavagista.
Não estará a perceber nada do filme político que hoje está a correr em Portugal quem imaginar que estas e muitas outras declarações que os responsáveis do CDS/PP estão fazendo, aliás com a significativa benção e cumplicidade do PSD, são meros rompantes verbais para animar congressos de «gerações queques».
Porque, muito longe disso, são antes o rançoso e estragado caldo de concepções e anti-valores que verdadeiramente inspira e ilumina os eixos essenciais da política da direita governante e que justamente poderiam ser sintetizados no lema «para o passado, já e em força ! ».