Eleições na Rússia

Em vésperas das eleições legislativas de domingo, na Rússia, as sondagens apontam para uma vitória do partido do governo, «Rússia Unida», com 25 a 32 por cento dos votos, contra 14 a 20 por cento do Partido Comunista, o seu principal adversário.
«Há um só favorito, o partido “Rússia Unida”, que não só se situa em primeiro lugar, como tem a intenção evidente de conquistar (juntamente com os seus aliados) a maioria absoluta, ou seja, 300 ou mais lugares», escreveu no início da semana o jornal Vremia Novostei. Segundo aquele diário, na última semana as preferências do eleitorado concentraram-se no partido do poder, o que é atribuído à perda de posições dos comunistas, vítimas da uma violenta campanha de difamação nos meios de comunicação social, em particular na televisão.
Nas eleições estão em jogo metade dos 450 lugares da Duma (Parlamento), os que são eleitos directamente pelos partidos, de acordo com um sistema proporcional, que obtiverem 5 por cento ou mais dos votos.
Ainda de acordo com as sondagens, em terceiro lugar perfila-se o «Partido Liberal Democrático» (PLD), do ultra-nacionalista Vladimir Jirinovski, com cerca de 8 por cento dos votos. O PLD é considerado um aliado natural do «Rússia Unida», cujas posições na Duma apoia normalmente.

A Rússia é «imprevisível»

O partido liberal «União de Forças de Direita» (UFD), liderado pelo ex-vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov, que nos últimos meses passou para a oposição, aparece em quarto lugar nas intenções de voto. O UFD entrou em rota da colisão com o Kremlin em Outubro passado, após a prisão do multimilionário Mikhail Khodorkovski, presidente da maior empresa de petróleo do país, Yukos, acusado de corrupção e evasão fiscal.
A prisão de Khodorkovski, o homem mais rico da Rússia, com uma fortuna pessoal calculada em cerca de 9 mil milhões de dólares, é agitada pela UFD como a prova provada da necessidade de unidade dos novos capitalistas russos. «Temos de nos unir, senão acabarão connosco um por um», afirma a UFD.
Em último lugar aparece o partido liberal Yabloko, de Grigori Yavlinski, que segundo as sondagens pode não ir além dos 3 por cento dos votos, o que o deixaria de fora do Parlamento.
O jornal Vremia Novostei adverte no entanto que os resultados desta sondagem devem ser lidos com cautela, dado que «a Rússia é imprevisível e pode provocar uma surpresa nas urnas, que deixará sem fala os sociólogos e especialistas eleitorais».


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