Palestinianos e israelitas apresentam proposta de paz
O israelita Yossi Beilin e o palestiniano Yasser Abed Rabbo apresentaram segunda-feira em Genebra uma proposta não oficial de paz para o Médio Oriente.
O primeiro-ministro Ariel Sharon desvalorizou a iniciativa
A apresentação do «Acordo de Genebra» contou com a presença de centenas de palestinianos e israelitas, bem como de diversas personalidades internacionais, mas não está clara qual a posição da Autoridade Palestiniana e do governo de Israel face a esta iniciativa.
Negociado durante quase três anos, o acordo apresenta soluções polémicas para as principais questões que inviabilizaram anteriores planos de paz: o destino dos colonatos judeus em território palestiniano, o estatuto de Jerusalém, as fronteiras do futuro Estado da Palestina e a questão dos refugiados palestinianos.
O acordo prevê um Estado palestiniano dentro das fronteiras existentes até à guerra de 1967; a destruição da generalidade dos colonatos judeus na Cisjordânia e na Faixa de Gaza; a divisão de Jerusalém; e a renúncia dos refugiados palestinianos forçados a abandonar a região durante a guerra de 1948/49, aquando da criação de Israel, ao seu direito ao regresso.
Os promotores do acordo encontraram-se anteontem com o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, e preparam-se para debater em breve o seu projecto de paz com os países árabes, num encontro agendado para o Egipto.
Reacções
Apesar de não ter apoiado abertamente o «Acordo de Genebra», o presidente palestiniano Yasser Arafat enviou uma mensagem ao encontro na Suíça saudando a «corajosa iniciativa», que «abre a porta à paz». É sintomático que no lançamento do plano de paz tenha participado um assessor de Arafat, o general Khibril Rajub, cuja presença, segundo afirmou, reflecte o desejo da direcção palestiniana de impulsionar as iniciativas dos pacifistas de Israel.
A iniciativa, que contou com a colaboração do influente escritor israelita Amós Oz e do ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, recebeu o apoio do primeiro-ministro britânico, Tony Blair; do presidente francês, Jacques Chirac; do ex-presidente checo, Vaclav Havel; do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton; e da União Europeia, através do seu representante para a Política Externa de Segurança Comum, Javier Solana. Segundo Solana, não há nenhuma contradição entre o «Acordo de Genebra» e o «Roteiro para a Paz», e a presente iniciativa pode suscitar um intenso debate na sociedade civil israelita e palestiniana e entre os respectivos dirigentes quanto às soluções para a paz.
Em Israel, o primeiro-ministro Ariel Sharon desvalorizou a iniciativa.
Uma janela para a paz
Para o escritor israelita Amos Oz, um dos promotores do acordo, o novo projecto pode não abrir todas as portas para a paz, mas abrirá «pelo menos uma janela» através da qual se poderá «olhar e ver uma paisagem diferente».
Nessa paisagem, afirma, «não haverá autocarros a explodir, nem postos de controlo militares, nem massacres nos restaurantes, nem casas destruídas pelo Exército, nem bombas nas escolas».
A grande importância desta proposta, segundo Oz, reside na participação da sociedade civil: «Na Europa, esquece-se com frequência que as sociedades israelita e palestiniana existem. A visão fica reduzida ao que se vê pela televisão. Esquece-se que há 50 anos se trava um combate pela paz protagonizado por pessoas razoáveis de forma paralela ao conflito», diz o escritor, para quem «israelitas e palestinianos terão que empreender uma dolorosa operação cirúrgica».
Negociado durante quase três anos, o acordo apresenta soluções polémicas para as principais questões que inviabilizaram anteriores planos de paz: o destino dos colonatos judeus em território palestiniano, o estatuto de Jerusalém, as fronteiras do futuro Estado da Palestina e a questão dos refugiados palestinianos.
O acordo prevê um Estado palestiniano dentro das fronteiras existentes até à guerra de 1967; a destruição da generalidade dos colonatos judeus na Cisjordânia e na Faixa de Gaza; a divisão de Jerusalém; e a renúncia dos refugiados palestinianos forçados a abandonar a região durante a guerra de 1948/49, aquando da criação de Israel, ao seu direito ao regresso.
Os promotores do acordo encontraram-se anteontem com o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, e preparam-se para debater em breve o seu projecto de paz com os países árabes, num encontro agendado para o Egipto.
Reacções
Apesar de não ter apoiado abertamente o «Acordo de Genebra», o presidente palestiniano Yasser Arafat enviou uma mensagem ao encontro na Suíça saudando a «corajosa iniciativa», que «abre a porta à paz». É sintomático que no lançamento do plano de paz tenha participado um assessor de Arafat, o general Khibril Rajub, cuja presença, segundo afirmou, reflecte o desejo da direcção palestiniana de impulsionar as iniciativas dos pacifistas de Israel.
A iniciativa, que contou com a colaboração do influente escritor israelita Amós Oz e do ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, recebeu o apoio do primeiro-ministro britânico, Tony Blair; do presidente francês, Jacques Chirac; do ex-presidente checo, Vaclav Havel; do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton; e da União Europeia, através do seu representante para a Política Externa de Segurança Comum, Javier Solana. Segundo Solana, não há nenhuma contradição entre o «Acordo de Genebra» e o «Roteiro para a Paz», e a presente iniciativa pode suscitar um intenso debate na sociedade civil israelita e palestiniana e entre os respectivos dirigentes quanto às soluções para a paz.
Em Israel, o primeiro-ministro Ariel Sharon desvalorizou a iniciativa.
Uma janela para a paz
Para o escritor israelita Amos Oz, um dos promotores do acordo, o novo projecto pode não abrir todas as portas para a paz, mas abrirá «pelo menos uma janela» através da qual se poderá «olhar e ver uma paisagem diferente».
Nessa paisagem, afirma, «não haverá autocarros a explodir, nem postos de controlo militares, nem massacres nos restaurantes, nem casas destruídas pelo Exército, nem bombas nas escolas».
A grande importância desta proposta, segundo Oz, reside na participação da sociedade civil: «Na Europa, esquece-se com frequência que as sociedades israelita e palestiniana existem. A visão fica reduzida ao que se vê pela televisão. Esquece-se que há 50 anos se trava um combate pela paz protagonizado por pessoas razoáveis de forma paralela ao conflito», diz o escritor, para quem «israelitas e palestinianos terão que empreender uma dolorosa operação cirúrgica».