Dia nacional de luta descentralizado

Manifestações em todo o País na terça-feira

As principais cidades portuguesas vão ser palco de manifestações dos estudantes do superior na próxima terça-feira. A decisão foi aprovada no Encontro Nacional de Direcções Associativas, que teve lugar em Coimbra, na sexta-feira.

«A luta vai continuar nos próximos meses», dizem os estudantes

A opção de realizar várias manifestações simultâneas justifica-se «pela necessidade de pôr muita gente na rua», como afirmou Victor Hugo Salgado, presidente da Associação Académica de Coimbra, à Lusa.
«Existe, da parte dos estudantes, a consciência que a manifestação de Lisboa (de dia 5) foi um êxito, que a nossa meta foi alcançada da melhor forma. Vamos partir novamente para a contestação ao Governo e voltar para a rua, mas só em Lisboa seria limitativo, nem toda a gente se pode deslocar a Lisboa», explicou o dirigente associativo, acrescentando que se está a assistir «a uma mobilização crescente dos estudantes e ela vai continuar nos próximos meses».
A decisão de realizar esta manifestação foi tomada numa reunião de associações que decorreu em Aveiro, no dia 7, e posteriormente ratificada em assembleias magnas e reuniões gerais de alunos nas instituições.
«A luta não vai parar. É garantido que a luta vai continuar nos próximos meses. Vão fazer-se acções de contestação de massas, uma vez que neste momento a mobilização dos estudantes é forte», declarou José Ricardo Alves, presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro.
Na reunião de dia 5, associações de todo o País fizeram um balanço «positivissimo» do primeiro período nacional de contestação, considerando que a manifestação de Lisboa constituiu o «momento chave» dos protestos contra a Lei de Financiamento do Ensino Superior.

Propina mínima em Évora

O reitor da Universidade de Évora fixou a propina no valor provisório de 463 euros, na semana passada, depois dos estudantes terem inviabilizado duas reuniões dos senado para decidir qual o montante a pagar neste ano lectivo. Manuel Ferreira Patrício adiantou que mantém a sua proposta de fixar o valor das propinas em 660 euros, a discutir na próxima reunião.
A Associação de Estudantes classificou a decisão como uma «vitória» e afirmou que o reitor «não foi capaz de demonstrar que a sua proposta de 660 euros não era uma forma simplista e linear de imputar aos estudantes e às suas famílias o deficit resultante do sub-financiamento da universidade por parte do Governo».
«Com a decisão agora tomada, o reitor tem uma nova oportunidade para exigir do Governo o financiamento a que a universidade tem direito e necessita para cumprir o serviço público que lhe está atribuído», acrescentam os representantes dos estudantes.

«Nova moeda» em Setúbal

As Associações de Estudantes do Instituto Superior de Setúbal (IPS) criaram uma nova unidade monetária para pagar as propinas, no valor de 700 euros. A novas «notas» são impressas desfocadas e apresentam a efígie da ministra da Ciência e do Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, ou da presidente da Instituição, Cristina Figueira.
«Escolhemos a efígie da ministra, porque deve ser ela a primeira a responder pela política do Governo para o sector e por uma lei que foi aprovada durante o Verão, numa altura em que era praticamente impossível desenvolver qualquer acção de protesto por parte dos estudantes», disse à Lusa Joana Flor Costa, membro da Associação de Estudantes da Escola Superior de Educação.
«A outra nota tem a efígie da presidente do IPS, porque apesar das considerações de que a nova lei das propinas era uma medida injusta, os órgãos de gestão não tiveram coragem de afrontar o Governo e fixaram as propinas em 700 euros», acrescentou.
«Muitos alunos não têm, de facto, dinheiro para pagar propinas de 700 euros», garantiu Salomão Resende, da AE da Escola Superior de Ciências Empresariais.
O Instituto Superior de Setúbal é constituído por cinco escolas: Escola Superior de Educação, Escola Superior de Ciências Empresariais, Escola Superior de Saúde, Escola Superior de Tecnologia (situadas no campus de Setúbal) e a Escola Superior de Tecnologia no Barreiro. Este ano lectivo, o IPS registou um aumento de 2,5 por cento no número de alunos mas sofreu um corte orçamental de 4,3 por cento em relação ao ano passado.


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