Eleições no Japão

A caminho da alternância

As eleições de domingo no Japão podem marcar o fim do monopólio dos liberais. A subida dos democratas abre caminho à alternância dentro do sistema.

A oposição apresentou-se unida às eleições, sob a bandeira do PDJ

A coligação liderada pelo Partido Liberal Democrata (PLD), do primeiro-ministro Junichiro Koizumi, ganhou as eleições legislativas de domingo no Japão, mas não só não conseguiu o seu objectivo de reforçar a maioria parlamentar, como perdeu nove lugares.
De acordo com os dados oficiais disponibilizados pela Lusa, a coligação passou de 287 para 278 deputados. Quanto ao PLD propriamente dito, conquistou 237 lugares, mas acabou por ultrapassar a maioria absoluta (241) graças à absorção do Novo Partido Conservador, que lhe dá quatro deputados, e ao alinhamento de outros três deputados «independentes», que na segunda-feira decidiram juntar-se ao partido maioritário.
O PLD passa assim a contar com 244 deputados, enquanto o seu outro parceiro de coligação, o partido budista Komeito, se fica pelos 34 deputados.
Apesar da coligação continuar em maioria no parlamento, de 480 membros, a generalidade da imprensa vaticina dias difíceis para Koizumi. A razão está na forte subida do Partido Democrata do Japão (PDJ), de Naoto Kan, que passou de 137 para 177 lugares.
Reagindo aos resultados, Koizumi anunciou, em conferência de imprensa realizada segunda-feira, que a coligação «manteve um número estável de lugares», e garantiu que não haverá mudanças no executivo.

Bipolarização

A conquista de 40 novos deputados pelo maior partido da oposição, apontado como de centro-esquerda, é vista pelos analistas como a «emergência de uma bipolarização da paisagem política» japonesa, facto inédito no país.
Segundo o jornal Yomiuri Shimbun, «a paisagem política está em vias de se transformar num sistema bipartido», o que é uma consequência da desilusão dos eleitores com as reformas prometidas por Koizumi.
Leitura semelhante tem o Asahi Simbun, para quem os resultados do PLD ficaram aquém das expectativas porque os eleitores se sentem defraudados com a mudança de discurso do primeiro-ministro desde que ascendeu à liderança do governo, em Abril de 2001, embora ainda continue a ser bastante popular.
Uma das promessas de Koizumi que continua por cumprir, recorda o jornal, é justamente a remodelação do partido. «As bases do partido, fundadas na tradicional protecção de interesses, não se alteraram. Os eleitores não se deixaram enganar», escreve o Asahi Simbun.
Quanto ao Mainichi Shimbun, congratula-se com a «esperança para o povo» que na sua óptica representará um sistema bipartido, enaltecendo as alegadas virtudes da alternância na vida política.
A vida política do Japão é dominada há meio século pelo PLD, mas alguma coisa está a mudar. Pela primeira vez em 10 anos, a oposição apresentou-se unida às eleições, sob a bandeira do PDJ.


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