A política do croquete
A política portuguesa tem destas coisas: os ministros não se demitem porque não fogem às responsabilidades, e os ministros demitem-se sem ter responsabilidade nenhuma.
O caso de Pedro Lynce e de Martins da Cruz, que durante 18 meses conseguiram a proeza de pôr toda a gente contra as respectivas políticas nos ministérios da Ciência e Ensino Superior e dos Negócios Estrangeiros, é paradigmático.
Os estudantes de todo o País levantaram-se contra Lynce; professores e reitores demonstraram a saciedade que a política seguida era no mínimo suicida; os parceiros sociais gastaram tempo e saliva a apresentar propostas que o ministro mandou para o cesto dos papéis, mas nada desviou Lynce da sua gestão dita reformadora, que deixou as universidades de tanga e a Ciência no osso. A ideia de se demitir perante a fundada e generalizada contestação não lhe passou pela cabeça, imbuído da suprema responsabilidade de levar até às últimas consequências a política de liquidação a prazo do que ainda resta de público nas áreas tuteladas.
Também Martins da Cruz, que assumiu os Negócios Estrangeiros com a peregrina intenção de acabar com a «diplomacia do croquete» (sic), atravessou sem se perturbar a contestação dos trabalhadores consulares, o mal-estar patente no Palácio das Necessidade, os protestos dos emigrantes contra o encerramento de consulados, o escândalo do apoio expresso ao amigo francês Giscard d'Estaing, os deslizes diplomáticos e a falta de diplomacia tantas vezes ostentada. Amigo de longa data de durão Barroso, a demissão nunca esteve no horizonte de Martins da Cruz, que parecia assumir com prazer o papel de comissão liquidatária da representação portuguesa no mundo.
Estavam as coisas neste pé quando rebentou o escândalo do favorecimento da filha do ministro Cruz pelo gabinete do ministro Lynce. Ambos juraram inocência; ambos negaram qualquer troca de favores; ambos garantiram estar de consciência tranquila. E demitiram-se.
O caso tem antecedentes, diga-se em abono da verdade. Isaltino Morais, o «autarca modelo» que caiu na tentação de ser ministro, também abandonou o governo «de consciência tranquila» e com a justiça à perna por alegado envolvimento em negócios escuros.
Convenhamos que dá que pensar. Ou isto não passa de uma «política do croquete», bem amassada e disfarçada para não se perceber o que é, ou anda por aqui tranquilidade a mais para tanto desgoverno.
O caso de Pedro Lynce e de Martins da Cruz, que durante 18 meses conseguiram a proeza de pôr toda a gente contra as respectivas políticas nos ministérios da Ciência e Ensino Superior e dos Negócios Estrangeiros, é paradigmático.
Os estudantes de todo o País levantaram-se contra Lynce; professores e reitores demonstraram a saciedade que a política seguida era no mínimo suicida; os parceiros sociais gastaram tempo e saliva a apresentar propostas que o ministro mandou para o cesto dos papéis, mas nada desviou Lynce da sua gestão dita reformadora, que deixou as universidades de tanga e a Ciência no osso. A ideia de se demitir perante a fundada e generalizada contestação não lhe passou pela cabeça, imbuído da suprema responsabilidade de levar até às últimas consequências a política de liquidação a prazo do que ainda resta de público nas áreas tuteladas.
Também Martins da Cruz, que assumiu os Negócios Estrangeiros com a peregrina intenção de acabar com a «diplomacia do croquete» (sic), atravessou sem se perturbar a contestação dos trabalhadores consulares, o mal-estar patente no Palácio das Necessidade, os protestos dos emigrantes contra o encerramento de consulados, o escândalo do apoio expresso ao amigo francês Giscard d'Estaing, os deslizes diplomáticos e a falta de diplomacia tantas vezes ostentada. Amigo de longa data de durão Barroso, a demissão nunca esteve no horizonte de Martins da Cruz, que parecia assumir com prazer o papel de comissão liquidatária da representação portuguesa no mundo.
Estavam as coisas neste pé quando rebentou o escândalo do favorecimento da filha do ministro Cruz pelo gabinete do ministro Lynce. Ambos juraram inocência; ambos negaram qualquer troca de favores; ambos garantiram estar de consciência tranquila. E demitiram-se.
O caso tem antecedentes, diga-se em abono da verdade. Isaltino Morais, o «autarca modelo» que caiu na tentação de ser ministro, também abandonou o governo «de consciência tranquila» e com a justiça à perna por alegado envolvimento em negócios escuros.
Convenhamos que dá que pensar. Ou isto não passa de uma «política do croquete», bem amassada e disfarçada para não se perceber o que é, ou anda por aqui tranquilidade a mais para tanto desgoverno.