Dar gás à revolta
A crise social que tomou conta da Bolívia assumiu, nos últimos dias, contornos ainda mais graves, registando violentos confrontos entre grevistas e autoridades.
Três dias depois de terem decretado greve geral em protesto contra os planos governamentais de exportação de gás natural boliviano, a Central Operária Boliviana (COB) e a Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) voltaram, quarta-feira da semana passada, a exigir a demissão do presidente do país, Gonzalo Sánchez de Lozada, que acusam de estar a soldo dos interesses das multinacionais norte-americanas.
Os líderes sindicais daquelas organizações, Jaime Solares e Felipe Quispe, respectivamente, apelaram ainda à mobilização de todos os sectores da sociedade para as manifestações e bloqueios que decorrem por todo o país e ao reforço da oposição, em especial depois das violentas cargas da polícia e do exército.
O mais grave incidente deu-se no sábado, dia 20 de Setembro, quando unidades militares e da polícia tentaram romper o bloqueio de uma estrada de acesso à capital, La Paz, resultando, para além de um número não confirmado de feridos, na morte de cinco camponeses, entre os quais uma criança de oito anos, e dois soldados.
Desde então os cortes de estrada não têm parado de crescer, bem como a onda grevista em diversos sectores públicos e privados, de tal forma que em La Paz já escasseiam alguns bens de primeira necessidade e géneros alimentares.
La Paz, Cochabamba e Oruro têm sido palco de protestos quase diários. Na capital, estudantes universitários envolveram-se em confrontos com as autoridades, e a meia centena de quilómetros, na localidade de Collana, nas montanhas andinas, um grupo de camponeses sem-terra foi expulso de uma fazenda que ocupava há quatro meses.
Entretanto a CSUTCB esclareceu, em comunicado divulgado na quinta-feira, que as notícias que dão conta de milícias populares armadas na região ocidental do país correspondem «a uma grande campanha mediática dentro de um tenebroso plano orientado para liquidar, pela força, a contestação social».
A raiz da revolta
Apesar de ter vindo «a lume» um conjunto mais abrangente de razões de protesto e indignação popular, fruto da política neoliberal praticada nos últimos anos, o elemento central da contestação é o plano de alienação do mais valioso recurso energético da Bolívia, o gás natural.
Possuidor da maior reserva da América Latina, o governo cedeu às pretensões do imperialismo e negociou a propriedade e exportação do gás boliviano em condições consideradas ruinosas para a economia.
A ser implementada a fase final do processo de exportação do combustível, através de um porto marítimo no Chile ou no Peru, para os EUA e para o México, somente 18 por cento dos lucros do negócio irão beneficiar os cofres públicos.
O povo exige a suspensão do negócio e a renacionalização do gás e do petróleo, actualmente nas mãos de multinacionais estrangeiras e de empresas subsidiárias bolivianas.
Os líderes sindicais daquelas organizações, Jaime Solares e Felipe Quispe, respectivamente, apelaram ainda à mobilização de todos os sectores da sociedade para as manifestações e bloqueios que decorrem por todo o país e ao reforço da oposição, em especial depois das violentas cargas da polícia e do exército.
O mais grave incidente deu-se no sábado, dia 20 de Setembro, quando unidades militares e da polícia tentaram romper o bloqueio de uma estrada de acesso à capital, La Paz, resultando, para além de um número não confirmado de feridos, na morte de cinco camponeses, entre os quais uma criança de oito anos, e dois soldados.
Desde então os cortes de estrada não têm parado de crescer, bem como a onda grevista em diversos sectores públicos e privados, de tal forma que em La Paz já escasseiam alguns bens de primeira necessidade e géneros alimentares.
La Paz, Cochabamba e Oruro têm sido palco de protestos quase diários. Na capital, estudantes universitários envolveram-se em confrontos com as autoridades, e a meia centena de quilómetros, na localidade de Collana, nas montanhas andinas, um grupo de camponeses sem-terra foi expulso de uma fazenda que ocupava há quatro meses.
Entretanto a CSUTCB esclareceu, em comunicado divulgado na quinta-feira, que as notícias que dão conta de milícias populares armadas na região ocidental do país correspondem «a uma grande campanha mediática dentro de um tenebroso plano orientado para liquidar, pela força, a contestação social».
A raiz da revolta
Apesar de ter vindo «a lume» um conjunto mais abrangente de razões de protesto e indignação popular, fruto da política neoliberal praticada nos últimos anos, o elemento central da contestação é o plano de alienação do mais valioso recurso energético da Bolívia, o gás natural.
Possuidor da maior reserva da América Latina, o governo cedeu às pretensões do imperialismo e negociou a propriedade e exportação do gás boliviano em condições consideradas ruinosas para a economia.
A ser implementada a fase final do processo de exportação do combustível, através de um porto marítimo no Chile ou no Peru, para os EUA e para o México, somente 18 por cento dos lucros do negócio irão beneficiar os cofres públicos.
O povo exige a suspensão do negócio e a renacionalização do gás e do petróleo, actualmente nas mãos de multinacionais estrangeiras e de empresas subsidiárias bolivianas.