Comentário

3 = 3+6!!!

Sandra Pimenta
A intifada comemora hoje, dia 28 de Setembro, o seu terceiro aniversário!», anunciam-me discretamente alguns órgãos de comunicação, no dia de hoje. Mas será mesmo assim? Será que a memória é tão curta? Será que a vontade em admitir a verdade histórica é nula? Ou será ainda, que os arquivos são tão limitados ao ponto de se cometer tamanha gafe cronológica? Qual dos três motivos é o correcto, eu muito honestamente não sei dizer-vos, mas o que tenho a certeza é de que este conflito israelo-palestiniano, que hoje me informam ser de curta duração, já dura desde a guerra de 1967, altura em que Israel ocupou os territórios árabes da Palestina, da Síria e do Líbano. E desde então o povo palestiniano não mais cruzou os braços e lutou sempre contra a falta de respeito e o incumprimento da lei por parte de Israel.
Na altura uma resolução, de número 242 do Conselho de Segurança da ONU exigiu a retirada desses territórios. E foi cumprida? Claro que não! À semelhança do que acontece sempre que uma grande potência capitalista decide privilegiar os seus interesses políticos e económicos em detrimento do respeito pelo direito dos povos à autodeterminação, pelo direito internacional e pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Desde então, passaram 36 anos. Três + seis, para que não haja dúvidas. A situação nos dias de hoje na Palestina continua a ser de extrema gravidade. O desrespeito do governo fascista de Ariel Sharon parece não ter limites.. Entre mortos e feridos a Palestina leva grande vantagem. Não que seja um feito digno de celebração, pelo contrário, mas os números falam por si, e isto só nos últimos três anos: israelitas mortos foram perto de «822 a que se acrescentam cerca de cinco mil feridos, contra 2612 palestinianos mortos e 20 mil feridos» (!). E não podemos esquecer que estamos a falar de pessoas, na sua maioria jovens e crianças que, ao lutar pela sua pátria, pela sua terra, acabam por morrer, vítimas de um governo assassino sem coerência que, para afirmar o seu direito à existência e segurança, nega a outro povo não apenas o direito ao seu próprio Estado, como também os mais elementares direitos.
As razões para esta situação se manter há mais de 36 anos, após duas resoluções (242 e 338) do Conselho de Segurança da ONU, são simples de analisar à luz dos interesses económicos e geográficos. O Médio Oriente é uma zona privilegiada por excelência, pois é onde se dá a confluência entre três continentes - Europa, África e Ásia - e onde também se encontram as mais importantes jazidas de petróleo das quais depende o mundo ocidental e o país mais oriental, o Japão. Israel tem consciência de todos estes factores e com o forte e declarado apoio dos EUA (motivado pelo sempre apelativo chamamento do poder = posse do petróleo, continua na missão de alargar as suas fronteiras e perseguir os países árabes, custe o que custar e sem olhar às consequências e ao respeito pelos direitos dos povos.
No meio de todo este cenário, a União Europeia pactua com os interesses americanos, deixando para uma minoria contestatária o papel de fazer oposição e alertar consciências. Sempre que foi chamada a intervir, a Europa colocou-se de fora, não querendo assumir nenhuma «guerra» política, baseando-se para tal em argumentos falsos e por isso inaceitáveis. Fica no ar a pergunta: será que se tivesse outros interesses, nomeadamente petróleo, a posição se manteria?
Ainda para mais sendo uma das principais prejudicadas em todo este processo, uma vez que do valor total de quase 40 milhões de euros em perdas relativas à destruição pelo exército israelita de infra-estruturas básicas nos territórios sob controlo da Autoridade Nacional palestiniana, cerca de 25 milhões foram financiados pela UE.
Por isso, espero que a vontade em «disponibilizar contribuições substanciais da UE em termos de assistência económica e apoio político à região, o que facilitará a procura de uma paz justa e duradoura» da UE, seja uma realidade no Orçamento Comunitário para 2004, com a criação de uma linha orçamental específica, proposta pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu, com o objectivo de reforçar a contribuição para a reconstrução de infra-estruturas básicas destruídas e danificadas, no que concerne a saúde, abastecimento alimentar, habitação, ensino, vias de comunicação e telecomunicações, que são na realidade as necessidades mais prementes da população.
É com esta convicção constante de solidariedade para com os combatentes palestinianos e para com os comunistas e outros democratas que em Israel combatem a política sionista, que em Portugal e na União Europeia, o PCP fará tudo ao seu alcance para ajudar nesta luta que considera justa, legal e legítima do povo palestiniano. É também por saber que a repressão não vai parar, e que todos os dias as vítimas aumentam, que todos temos de ter consciência e denunciar os crimes cometidos contra o povo palestiniano que luta pelos seus direitos nacionais, por um Estado independente e por uma paz justa e duradoura no Médio Oriente


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