69 mil mortos em vinte anos
A Comissão Verdade e Reconciliação do Peru considera que 69 mil pessoas morreram ou desapareceram entre 1980 e 2000, no conflito político armado do país. Os nove tomos e seis anexos do relatório final da comissão foram entregues na sexta-feira ao presidente Alejandro Toledo e referem-se aos mandatos de Fernando Belaúnde (1980-85), Alan García (1985-1990) e Alberto Fujimori (1990-2000).
«Os crimes não foram actos isolados atribuíveis a indivíduos perversos, mas sim uma perpetuação massiva de crimes, por vezes por parte de instituições», afirmou na cerimónia Salomón Lerner, presidente da Comissão.
Lerner falou de um «aniquilamento sistematicamente previsto», referindo que a classe política tem graves responsabilidade e que estas recaem sobre todos aqueles que «por acção ou omissão» não evitaram estas mortes.
A Comissão qualificou como assustadora a realidade constatada durante os trabalhos e assegurou que três quartos dos 69 mil mortos e desaparecidos eram camponeses falantes de quechua. A responsabilidade destes crimes é imputada ao Sendero Luminoso e às Forças Armadas, culpada de «violações sistemáticas dos direitos humanos» que devem ser reparadas pelo Estado. O exército também é acusado de armar grupos paramilitares.
Alejandro Toledo declarou que as reparações dos crimes «são um imperativo do Estado» e considerou que para o Peru é «indispensável reflectir-se no espelho do passado para poder viver o futuro».
A Comissão Verdade e Reconciliação ouviu mais de 17 mil testemunhos em 22 meses de investigação.
«Os crimes não foram actos isolados atribuíveis a indivíduos perversos, mas sim uma perpetuação massiva de crimes, por vezes por parte de instituições», afirmou na cerimónia Salomón Lerner, presidente da Comissão.
Lerner falou de um «aniquilamento sistematicamente previsto», referindo que a classe política tem graves responsabilidade e que estas recaem sobre todos aqueles que «por acção ou omissão» não evitaram estas mortes.
A Comissão qualificou como assustadora a realidade constatada durante os trabalhos e assegurou que três quartos dos 69 mil mortos e desaparecidos eram camponeses falantes de quechua. A responsabilidade destes crimes é imputada ao Sendero Luminoso e às Forças Armadas, culpada de «violações sistemáticas dos direitos humanos» que devem ser reparadas pelo Estado. O exército também é acusado de armar grupos paramilitares.
Alejandro Toledo declarou que as reparações dos crimes «são um imperativo do Estado» e considerou que para o Peru é «indispensável reflectir-se no espelho do passado para poder viver o futuro».
A Comissão Verdade e Reconciliação ouviu mais de 17 mil testemunhos em 22 meses de investigação.