Espiral de violência
Num momento em que se multiplicam os ataques e os atentados, a Rússia junta-se aos países que exigem a devolução da soberania ao povo iraquiano.
Líderes espirituais responsabilizam os EUA pelo atentado de Nadjaf
Mais de 300 mil chiitas marcharam, durante dois dias, mais de 200 quilómetros entre Bagdad e a cidade santa de Nadjaf, onde se realizou, na terça-feira, 2, o funeral do ayatollah Baqer Al-Hakim, morto na sexta-feira na sequência de uma atentado contra a mesquita do mausoléu de Imam Ali.
A explosão de um automóvel armadilhado junto à saída da mesquita em Nadjaf fez pelo menos 82 mortos e 229 feridos e espalhou o terror e a revolta entre a população «Hakim era um símbolo para todos os iraquianos, chuiitas, sunitas, curdos e turcos. A sua morte é uma perda para todos nós», declarou Abdel Aziz Al-Hakim, irmão do defunto e um dos muitos imãs que falaram à população concentrada no local. «As tropas de ocupação que tomaram o país pela força são responsáveis pela segurança e por todo o sangue derramado em Nadjaf, Bagdad, Mossoul e em todas as províncias iraquianas», acrescentou o orador, citado pelas agências noticiosas.
O papel da ONU
Enquanto a situação no Iraque se aproxima perigosamente do caos total e, segundo alguns observadores, ameaça transforma-se numa guerra civil de consequências imprevisíveis, multiplicam-se as declarações que exigem a devolução da soberania aos iraquianos e defendem um papel efectivo da ONU na estabilização do país.
No sábado, foi a vez de o presidente russo, Vladimir Putine, em visita à Itália, declarar-se favorável a uma nova resolução da comunidade das Nações, que considerou «possível e mesmo desejável», desde que «a ONU desempenhe efectivamente um papel sério e real na reconstrução do Iraque, na organização da vida política e económica do país, e dirija realmente o processo de democratização da sociedade iraquiana e a criação de órgãos de poder».
Recusando que a ONU seja utilizada para «cobrir as acções de alguns», Putine defendeu que as Nações Unidas devem «devolver a soberania ao povo iraquiano», em claro clara sintonia com as posições francesas reafirmadas, na sexta-feira, pelo presidente Jacques Chirac. Este mais uma vez se demarcou dos Estados Unidos em relação à questão do Iraque, insistindo para que «as Nações Unidas sozinhas» dirijam toda a acção internacional no Iraque.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Dominique de Villepin, defendeu, na quinta-feira, 28, que uma «verdadeira força internacional» mandatada pelas Nações Unidas seja enviada para o Iraque.
Durante uma reunião com os diplomatas franceses Villepin considerou que «chegou a altura de avançar resolutamente para uma lógica de soberania do Iraque», «não é suficiente enviar mais tropas e mais meios técnicos e financeiros».
Para uma «verdadeira mudança de abordagem», disse Villepin, é necessário instalar «um verdadeiro governo provisório, cuja legitimidade seja reforçada pelas Nações Unidas».
Para o ministro, esta nova abordagem deve ser definida numa nova resolução do Conselho de Segurança «com o apoio da comunidade internacional no seu conjunto», «condição para um quadro de segurança e uma reconstrução eficazes».
A explosão de um automóvel armadilhado junto à saída da mesquita em Nadjaf fez pelo menos 82 mortos e 229 feridos e espalhou o terror e a revolta entre a população «Hakim era um símbolo para todos os iraquianos, chuiitas, sunitas, curdos e turcos. A sua morte é uma perda para todos nós», declarou Abdel Aziz Al-Hakim, irmão do defunto e um dos muitos imãs que falaram à população concentrada no local. «As tropas de ocupação que tomaram o país pela força são responsáveis pela segurança e por todo o sangue derramado em Nadjaf, Bagdad, Mossoul e em todas as províncias iraquianas», acrescentou o orador, citado pelas agências noticiosas.
O papel da ONU
Enquanto a situação no Iraque se aproxima perigosamente do caos total e, segundo alguns observadores, ameaça transforma-se numa guerra civil de consequências imprevisíveis, multiplicam-se as declarações que exigem a devolução da soberania aos iraquianos e defendem um papel efectivo da ONU na estabilização do país.
No sábado, foi a vez de o presidente russo, Vladimir Putine, em visita à Itália, declarar-se favorável a uma nova resolução da comunidade das Nações, que considerou «possível e mesmo desejável», desde que «a ONU desempenhe efectivamente um papel sério e real na reconstrução do Iraque, na organização da vida política e económica do país, e dirija realmente o processo de democratização da sociedade iraquiana e a criação de órgãos de poder».
Recusando que a ONU seja utilizada para «cobrir as acções de alguns», Putine defendeu que as Nações Unidas devem «devolver a soberania ao povo iraquiano», em claro clara sintonia com as posições francesas reafirmadas, na sexta-feira, pelo presidente Jacques Chirac. Este mais uma vez se demarcou dos Estados Unidos em relação à questão do Iraque, insistindo para que «as Nações Unidas sozinhas» dirijam toda a acção internacional no Iraque.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Dominique de Villepin, defendeu, na quinta-feira, 28, que uma «verdadeira força internacional» mandatada pelas Nações Unidas seja enviada para o Iraque.
Durante uma reunião com os diplomatas franceses Villepin considerou que «chegou a altura de avançar resolutamente para uma lógica de soberania do Iraque», «não é suficiente enviar mais tropas e mais meios técnicos e financeiros».
Para uma «verdadeira mudança de abordagem», disse Villepin, é necessário instalar «um verdadeiro governo provisório, cuja legitimidade seja reforçada pelas Nações Unidas».
Para o ministro, esta nova abordagem deve ser definida numa nova resolução do Conselho de Segurança «com o apoio da comunidade internacional no seu conjunto», «condição para um quadro de segurança e uma reconstrução eficazes».