Luta de classes na Alemanha
«Os media desencadearam uma campanha de contornos fascizantes»
Os acontecimentos que nos últimos tempos têm abalado o sindicato alemão IG Metall e que culminaram com a recente e inesperada demissão do seu presidente, Klaus Zwickel, são o reflexo da crise profunda que atinge o sindicalismo reformista na Alemanha, provocada pelo desmoronar das ilusões criadas pelas ideologias da parceria social e pela desorientação originada pelo manto de nevoeiro da chamada «sociedade civil» na qual se teria operado um dos maiores milagres da nossa época, a extinção da luta de classes.
Entre as suas obras primas, o «Frankfurter Rundschau» destaca a falhada «aliança para o emprego», um pacto no qual os sindicatos ofereceram ao patronato o congelamento dos salários reais em troca da manutenção dos postos de trabalho. O patronato agradeceu a renúncia aos aumentos salariais, mas o número de desempregados subiu para 5 milhões. Muitas outras traições e concessões feitas nas costas dos trabalhadores ficarão ligadas à presidência de Klaus Zwickel, como o envolvimento dos sindicatos no processo que introduziu na Alemanha a privatização das reformas, iniciado pelo antigo vice-presidente do IG Metall e ministro do trabalho do gabinete Schröder, Walter Riester.
Os resultados desastrosos do desarme ideológico e da capacidade de resistência dos trabalhadores levado a cabo pelo sindicalismo reformistas face à selvática ofensiva do capital consubstanciada na «Agenda 2010» do governo de Schröder e as suas consequências dramáticas para o movimento sindical na Alemanha são cada vez mais visíveis.
A 22 de Novembro de 2002, o «Financial Times» (edição alemã), pressentindo já o pendor antisocial da nova equipa do chanceler, apresentou «sete propostas» para uma «Alemanha dinâmica» entre as quais se destacava «a manutenção dos salários abaixo do nível de crescimento da produtividade». Aquele porta-voz do capital financeiro prosseguiu salientando: «basta imaginarmos que o governo congela por dez anos todas as ajudas sociais e os subsídios aos desempregados» (...) «elimina a legislação que protege os despedimentos» (...) e «entrega o sistema de saúde à responsabilidade de cada indivíduo». E a terminar acrescentava num tom ameaçador que «se os sindicatos não colaborarem então têm de ser desarmados».
Não foi necessário esperar muito tempo para se saber qual o significado real de tais ameaças. Nas greves que ao longo de todo o mês de Junho paralisaram a indústria metalúrgica na ex-RDA, o patronato recorreu pela primeira vez na história da Alemanha Federal a helicópteros para transportar fura-greves e utilizou aviões que lançaram sobre as cidades do Leste da Alemanha panfletos contra os trabalhadores em luta pelas 35 horas. A este cenário típico de uma guerra de Bush não faltaram os ataques policiais e as multas contra os piquetes de greve. Ao longo das quatro semanas de luta, os media desencadearam uma campanha sem precedentes de contornos fascizantes procurando criminalizar os sindicatos e os trabalhadores.
O presidente da Federação patronal Dieter Hundt, e vários dirigentes da democracia-cristã exigiram a proibição do direito de greve. Outra figura da social-democracia, o antigo presidente da Câmara de Hamburgo, Klaus von Dohnany, culpou os trabalhadores de deixarem com a sua luta «um rasto de sangue» equiparando a assassinos e terroristas aqueles que na colonizada Alemanha do Leste lutam por salários e horários de trabalho iguais aos dos seus colegas ocidentais. Até o chanceler Schröder, também ele escandalosamente membro do IG Metall, rompeu com a demagogia oficial do seu partido de que em caso de conflito devem ser os parceiros sociais a entenderem-se e veio juntar-se ao batalhão dos apedrejadores declarando não ter a menor compreensão pela greve e exigindo o seu fim imediato.
Entre as suas obras primas, o «Frankfurter Rundschau» destaca a falhada «aliança para o emprego», um pacto no qual os sindicatos ofereceram ao patronato o congelamento dos salários reais em troca da manutenção dos postos de trabalho. O patronato agradeceu a renúncia aos aumentos salariais, mas o número de desempregados subiu para 5 milhões. Muitas outras traições e concessões feitas nas costas dos trabalhadores ficarão ligadas à presidência de Klaus Zwickel, como o envolvimento dos sindicatos no processo que introduziu na Alemanha a privatização das reformas, iniciado pelo antigo vice-presidente do IG Metall e ministro do trabalho do gabinete Schröder, Walter Riester.
Os resultados desastrosos do desarme ideológico e da capacidade de resistência dos trabalhadores levado a cabo pelo sindicalismo reformistas face à selvática ofensiva do capital consubstanciada na «Agenda 2010» do governo de Schröder e as suas consequências dramáticas para o movimento sindical na Alemanha são cada vez mais visíveis.
A 22 de Novembro de 2002, o «Financial Times» (edição alemã), pressentindo já o pendor antisocial da nova equipa do chanceler, apresentou «sete propostas» para uma «Alemanha dinâmica» entre as quais se destacava «a manutenção dos salários abaixo do nível de crescimento da produtividade». Aquele porta-voz do capital financeiro prosseguiu salientando: «basta imaginarmos que o governo congela por dez anos todas as ajudas sociais e os subsídios aos desempregados» (...) «elimina a legislação que protege os despedimentos» (...) e «entrega o sistema de saúde à responsabilidade de cada indivíduo». E a terminar acrescentava num tom ameaçador que «se os sindicatos não colaborarem então têm de ser desarmados».
Não foi necessário esperar muito tempo para se saber qual o significado real de tais ameaças. Nas greves que ao longo de todo o mês de Junho paralisaram a indústria metalúrgica na ex-RDA, o patronato recorreu pela primeira vez na história da Alemanha Federal a helicópteros para transportar fura-greves e utilizou aviões que lançaram sobre as cidades do Leste da Alemanha panfletos contra os trabalhadores em luta pelas 35 horas. A este cenário típico de uma guerra de Bush não faltaram os ataques policiais e as multas contra os piquetes de greve. Ao longo das quatro semanas de luta, os media desencadearam uma campanha sem precedentes de contornos fascizantes procurando criminalizar os sindicatos e os trabalhadores.
O presidente da Federação patronal Dieter Hundt, e vários dirigentes da democracia-cristã exigiram a proibição do direito de greve. Outra figura da social-democracia, o antigo presidente da Câmara de Hamburgo, Klaus von Dohnany, culpou os trabalhadores de deixarem com a sua luta «um rasto de sangue» equiparando a assassinos e terroristas aqueles que na colonizada Alemanha do Leste lutam por salários e horários de trabalho iguais aos dos seus colegas ocidentais. Até o chanceler Schröder, também ele escandalosamente membro do IG Metall, rompeu com a demagogia oficial do seu partido de que em caso de conflito devem ser os parceiros sociais a entenderem-se e veio juntar-se ao batalhão dos apedrejadores declarando não ter a menor compreensão pela greve e exigindo o seu fim imediato.