Ao sabor do capital
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FISCCVCV) alertou, quinta-feira passada, em Genebra, para a selectividade mediática da ajuda humanitária.
A denúncia foi feita durante a apresentação do «Relatório Mundial sobre Catástrofes» e refere que «há uma crescente tendência para os doadores e organismos humanitários concentrarem a sua ajuda a conflitos armados que obedecem a estratégias políticas, como no Afeganistão e no Iraque», o que está a dificultar a acção no terreno a diversas organizações que operam junto das populações de outros países e regiões.
Juan Manuel Suaréz del Toro, presidente daquela estrutura, sublinhou ainda que «à escala mundial, encontramos uma verdadeira desigualdade na prática humanitária, porque muitas guerras e desastres caíram no esquecimento, apesar da comunidade internacional ter assumido o compromisso de prestar ajuda com imparcialidade».
Tais afirmações foram corroboradas pelos dados apresentados, nos quais se pode verificar como exemplo da discrepância de interesses estratégicos, que o Programa Alimentar Mundial reuniu apenas dois mil milhões de dólares para matar a fome a 40 milhões de pessoas em 22 países africanos, enquanto os EUA juntaram uma quantia semelhante, 1700 milhões de dólares, para a chamada «reconstrução do Iraque».
Também a importação de modelos de ajuda mereceu sérios reparos por parte da FISCVCV, que acusa as grandes Organizações Não Governamentais (ONG’s) de, quando se instalam num país ou região, minarem a acção das congéneres e das autoridades locais, em vez de enveredarem pela cooperação mútua. A título de exemplos recentes desta realidade foi referida a actuação de algumas ONG’s no Afeganistão e na região meridional do continente africano.
Finalmente uma palavra para a situação das populações migrantes. O Relatório manifesta preocupações quanto à gravidade do tratamento dado pela generalidade dos países ocidentais aos refugiados depois dos atentados de 11 de Setembro, pois toma-se por presumíveis terroristas milhares de pessoas que fogem às miseráveis condições de vida na sua terra natal. O documento remata dizendo que «os governos doadores gastam milhões para impedir a entrada de emigrantes, enquanto os fundos para apoio aos refugiados continuam a diminuir».
A denúncia foi feita durante a apresentação do «Relatório Mundial sobre Catástrofes» e refere que «há uma crescente tendência para os doadores e organismos humanitários concentrarem a sua ajuda a conflitos armados que obedecem a estratégias políticas, como no Afeganistão e no Iraque», o que está a dificultar a acção no terreno a diversas organizações que operam junto das populações de outros países e regiões.
Juan Manuel Suaréz del Toro, presidente daquela estrutura, sublinhou ainda que «à escala mundial, encontramos uma verdadeira desigualdade na prática humanitária, porque muitas guerras e desastres caíram no esquecimento, apesar da comunidade internacional ter assumido o compromisso de prestar ajuda com imparcialidade».
Tais afirmações foram corroboradas pelos dados apresentados, nos quais se pode verificar como exemplo da discrepância de interesses estratégicos, que o Programa Alimentar Mundial reuniu apenas dois mil milhões de dólares para matar a fome a 40 milhões de pessoas em 22 países africanos, enquanto os EUA juntaram uma quantia semelhante, 1700 milhões de dólares, para a chamada «reconstrução do Iraque».
Também a importação de modelos de ajuda mereceu sérios reparos por parte da FISCVCV, que acusa as grandes Organizações Não Governamentais (ONG’s) de, quando se instalam num país ou região, minarem a acção das congéneres e das autoridades locais, em vez de enveredarem pela cooperação mútua. A título de exemplos recentes desta realidade foi referida a actuação de algumas ONG’s no Afeganistão e na região meridional do continente africano.
Finalmente uma palavra para a situação das populações migrantes. O Relatório manifesta preocupações quanto à gravidade do tratamento dado pela generalidade dos países ocidentais aos refugiados depois dos atentados de 11 de Setembro, pois toma-se por presumíveis terroristas milhares de pessoas que fogem às miseráveis condições de vida na sua terra natal. O documento remata dizendo que «os governos doadores gastam milhões para impedir a entrada de emigrantes, enquanto os fundos para apoio aos refugiados continuam a diminuir».