Quem perde com as falências

Dívidas ao trabalho

Só em 17 dos 55 casos que se arrastam no Tribunal Cível de Lisboa, há mais de 19 milhões de euros por pagar a trabalhadores de empresas que encerraram.

Deve haver um prazo máximo, a partir do qual o Estado assumirá os créditos dos trabalhadores

Num plenário promovido anteontem pela União dos Sindicatos de Lisboa, frente ao Palácio da Justiça, foi feita mais uma acção pública de denúncia deste problema. Algumas dívidas, como ali foi sublinhado, arrastam-se há quase 20 anos.
Foram referidos os processos de empresas do sector da Construção (Amadeu Gaudêncio, Construções Técnicas, ERG, José Esteves), das indústrias alimentares (Aliança, Salles Caldeira, Discoral), da cerâmica (Fábrica de Loiça de Sacavém), da metalurgia (Baptista Russo, António Pessoa, A. Santos), do comércio, escritório e serviços (Pio Barral Marques, Pedro S. Pires, Sida Sueca, H. Vaultier, Romar), da química e farmacêutica (Nobre e Silva). Segundo a USL/CGTP, são cerca de três mil trabalhadores que aguardam o pagamento de salários e indemnizações, num montante global de 19,092 milhões de euros (mais de 3,8 milhões de contos).
«Esta situação é tanto mais grave quanto estão em causa direitos e garantias constitucionais, como é o caso do pagamento dos créditos de natureza alimentícia», salienta-se numa moção aprovada pelos trabalhadores.
Foi denunciada, como «imoral», a situação verifica na empresa de construção José Esteves, onde os trabalhadores foram preteridos, como credores privilegiados, a favor do Estado (no caso, o IEFP), e uma trabalhadora acabou por ver-lhe atribuídos 33 cêntimos de créditos.
No documento afirma-se que, «ao contrário do que o Governo PSD/PP anuncia, o pacote laboral e a proposta de lei do novo Código de Falências não só não resolvem estes casos, como tenderão, caso sejam aprovados, a agravar a situação dos trabalhadores que venham a perder os postos de trabalho em consequência do encerramento das empresas».
A responsabilidade pelo protelamento da solução para os processos de falência é imputada à falta de vontade política dos sucessivos governos e à morosidade do funcionamento dos tribunais.


Mais artigos de: Trabalhadores

A burla da salvação

Os problemas das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico começaram com um Governo do PSD, em 1994, recordam Celeste Soeiro e Helder Vieira, contrariando veementemente a ideia de que as medidas financeiras agora anunciadas pelo ministro da Defesa tenham por objectivo salvar a empresa. Depois de assumidos pelo Estado 135 milhões de euros do passivo, a perspectiva é entregá-la ao capital privado.

Sorefame faz falta

Chegou aos órgãos do poder central e local o grito em defesa da metalomecânica que, desde 1963, tem um importante peso na economia nacional e no concelho da Amadora. O PCP apela à continuação da luta.

Salários em atraso

As cerca de cem trabalhadoras das Confecções Cramil, na Aldeia de Joanes, Fundão, ameaçaram entrar em greve ontem, caso a empresa não regularizasse os pagamentos em dívida, respeitantes a parte do salário de Maio e ao 13.º mês de 2002, anunciou o Sindicato Têxtil da Beira Baixa. Luís Garra, presidente do STBB, disse à...

Dia 15 na AR tribuna da CGTP

Na próxima terça-feira, quando no Parlamento estiver em discussão e votação o Código do Trabalho, a CGTP estará na rua, em protesto contra este pacote laboral, que terá que ser remodelado depois de identificadas algumas inconstitucionalidades do articulado que a maioria PSD/PP aprovou a 10 de Abril. Para além dos artigos...

Vínculo público ameaçado na ex-JAE

O actual Governo decidiu extinguir o ICERR e o ICOR e dar ao Instituto de Estradas de Portugal as suas atribuições. Na mesma leva, resolveu manter como norma nas relações laborais o regime do contrato individual de trabalho.Na semana passada, por iniciativa da federação e dos sindicatos da Função Pública, teve lugar em...